07/06/2018

DIOGO MARTINS DA COSTA (8 de Junho)

Diogo Martins da Costa de idade de vinte anos, natural da Praça de Mazagão, filho de Gaspar Álvares Faleiro, Cavaleiro Fidalgo e professo na Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Isabel Rodrigues da Costa; servia a ElRei nosso Senhor naquela Praça contra os inimigos da fé, com um cavalo seu. Foi cativo numa peleja, que houve entre os Portugueses e Mouros em 16 de Maio de 1719 no campo chamado do Facho das Lagens, ficando debaixo do cavalo que lhe mataram, não sendo possível nunca livrá-lo por mais diligências que os nossos fizeram; por serem os inimigos mais de quinhentos de cavalo, e outros tantos Infantes. Seu irmão Fernão Gonçalves da Costa, também Cavaleiro da Ordem de Cristo, no ano de 1723 lhe tinha ajustado o seu resgante, e indo Diogo Martins da Costa, que se achava cativo em Mequinez, pedir licença, e carta para Tituão a ElRei, este lhe perguntou: "és Mouro, ou Cristão?", e respondendo ele: "Cristão por graça de Deus"; e o rei lhe disse: "se te converteres à minha Lei, te deixarei com vida"; a que ele [então] repetiu, "que nenhuma cousa o obrigaria a deixar a Religião, que professava" sobre o que mandou o rei, que lhe dessem uma carabina e disparando-a não deu fogo; e pedindo outra lhe sucedeu o mesmo. Vendo Diogo Martins, que sem dúvida lhe tirava a vida a barbaridade daquele Príncipe, começou a pedir perdão dos seus pecados a Deus nosso Senhor, batendo muitas vezes nos peitos; e perguntando o rei aos seus, que era o que fazia aquele Cristão; e dizendo-lhe, que daquele modo pediam os Cristãos misericórdia a Deus, mandou que lhe dessem muita bofetada; mas não satisfeita a sua tirania com este género de tormento, mandou, que todos os da sua guarda lhe atirassem; o que logo executaram fazendo-lhe o corpo em pedaços. Depois do que todos os Príncipes da Côrte, que estavam com o rei, e os da sua guarda, arrancando os alfanges, lhos metiam o corpo para os banharem de sangue Cristão, e alimpando-os, tornavam a ensanguentar, fazendo disto acto de sua religiosidade. Esteve o cadáver exposto a esta barbaridade desde às nove horas da manhã até às três para quatro da tarde, em que foi levado para o Convento, que os Religiosos de São Francisco Recoletos tem na mesma Cidade de Mequinez, os quais o fizeram sepultar num sítio sagrado, que fica uma légua distante da Cidade, onde se costuma dar sepultura aos Religiosos e Cristãos. Sucedeu este caso neste dia [8 de Junho], ano de 1723.

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