22/06/2019

S. JULIÃO, Mártir (23 de Junho)


São Julião, invicto Mártir, sacrificou a vida em defensa da Fé, sendo de dezoito anos, no de 270. Imperando Décio, na antiga Cidade de Flávio Brigada, Província dentre Douro e Minho. 

20/06/2019

Sto. INOCÊNCIO, Bispo e Confessor (21 de Junho)

Santo Inocêncio foi Bispo de Mérida, Metrópole da antiga Lusitânia, Varão de Candidíssimo espírito, como bem mostra o seu nome, e muito melhor o mostrou a sua incullpável vida. Passou neste dia [21 de Junho] à eterna, no an de 612. 

19/06/2019

PAULO CONCORDIENSE (20 de Junho)


Em Concórdia, Cidade da Antiga Lusitânia (hoje Beselga na Comarca de Torres novas) passou a melhor vida, o famoso Paulo Presbítero, chamado Concordiense, da pátria onde nascera. Foi Varão igualmente santo, e douto: o grande Padre São Jerónimo se correspondia com ele, e lhe dedicou a vida de S. Paulo, primeiro Ermitão, achando singular consonância, entre um,  e outro, nos nomes, e nas virtudes. Faleceu o nosso neste dia [20 de Junho], ano de 418. 

18/06/2019

O GRANDE PEDRO BARBOSA (19 de Junho)


O grande Pedro Barbosa, natural de Viana do Minho, famosíssimo Doutor em Leis, cuja Cadeira de Prima leu na Universidade de Coimbra muitos anos: foi Desembargador do Paço em tempo dos Reis Dom Sebastião, e Dom Henrique, e Chanceler mor do Reino: Felipe II o levou para Castela, e o fez Ministro do Conselho de Portugal naquela Côrte: compôs doutíssimos volumes sobre o Direito Civil: deles se lembra o Padre Teófilo Rainaldo nas suas Tábuas Cronológicas, como de insigne Jurisconsulto, e o foi dos maiores, que houve  na Cristandade, e lhe chamavam o segundo Papiniano. Faleceu em Lisboa neste dia [19 de Junho], ano de 1606. Jaz no Convento de S. Roque. 

17/06/2019

Fr. ANTÓNIO DA MADRE DE DEUS (18 de Junho)


Frei António da Madre de Deus, Religioso da Sagrada Ordem dos Eremitas de São Paulo, natural de Lisboa, Varão doutíssimo nas Divinas letras, famoso Prégador, e insigne Escriturário, e também excelente Jurista: Compôs três tomos com o título de Apis Libani; grandes no volume, maiores no espírito, porque são um rico tesouro de elegantes Conceitos, e de engenhosas agudezas. Morreu neste dia [18 de Junho], ano de 1696. 

16/06/2019

SÃO AVITO, Confessor (17 de Junho)

Santo Avito, Português, natural de Braga, ilustríssimo em sangue: foi mui douto nas línguas Latina, e Grega, e nas Sagradas Letras. Passou a Jerusalém, onde se achava, ao tempo da miraculosa Invenção do corpo do glorioso Protomártir Santo Estevão, cujo sucesso escreveu na língua Latina, e o participou às Igrejas da Cristandade. Teve com o Doutor Máximo São Jerónimo estreita correspondênia; a mesma com o Santo Paulo Osório, seu patrício. Sucedeu sua morte em Jerusalém neste dia [17 de Junho], pelos anos de 440.

15/06/2019

D. PEDRO MASCARENHAS (16 de Junho)


Dom Pedro Mascarenhas, um dos grandes heróis deste nobilíssimo apelido, foi filho de Fernão Mascarenhas, Capitão dos Cinetes, e General das Galés, Estribeiro mor delRei Dom João III. Serviu de menino à Rainha Dona Leonor mulher delRei Dom João II. Depois passou a África a empregar os brios de mancebo, na guerra contra os Mouros. ElRei Dom Manoel o fez, pouco depois, General das Galés, que então corriam a Costa, e guardavam o Estreito; nelas acompanhou a Senhora Infante Dona Brites na jornada de Saboia. Achou-se na conquista de Tunes com o Infante Dom Luiz. Foi por Embaixador delRei Dom João III ao Imperador Carlos V e fazendo jornada por França lhe mandou o seu Rei por um Gentil homem da sua câmara cinco mil dobras de ouro; e não as aceitando, lhe disse o Gentil homem que as levava: "Senhor, não me atrevo a aparecer com elas perante ElRei meu senhor?" E Dom Pedro lhe respondeu: "Pois, senhor, tomai-as para vós". Na função da embaixada se houve em Alemanha com tão prudentes atenções, que o Imperador se lhe afeiçoou por extremo, e lhe chegou a expressar, que seria muito do seu agrado, se quisesse ser Aio de seu filho, o Príncipe Dom Filipe; ao que o generoso Português respondeu estas memoráveis palavras: "Senhor, na minha terra não costumam mudar de amo os homens da minha qualidade". Por este tempo lhe chegou notícia, de que era nascido em Portugal, o Príncipe D. Manoel, filho delRei Dom João III e logo rompeu em grandes demonstrações de aplauso, e magnificência nunca vista. Deu um banquete ao imperador, com tantos realces de grandeza, e profusão, que até foi precioso o fogo, e o fumo da cozinha: porque toda a lenha, que nela ardeu,  e com que se guisaram os manjares, foi de canela fina de Ceilão. ElRei lhe encomendou segunda embaixada, que fez a Roma, com igual esplendor, e luzimento. Na volta, trouxe consigo a S. Francisco Xavier, e nele uma nova admiração do Ocaso, um novo Sol do Oriente. Não havia emprego grande, que ElRei não fiasse de Dom Pedro; fê-lo seu Estribeiro mór, e Mordomo mor do Príncipe Dom João seu filho; e parecendo-lhe, que o Estado da Índia necessitava de um homem tão grande, o nomeou Vice-Rei, e procurando escusar-se, por se achar com mais de setenta anos de idade, lhe disse o Infante Dom Luiz: "Desenganai-vos, Dom Pedro, que um de nós esta vez há de ir à Índia, ou vós, ou eu, se vós não fores irei eu". Depois de resistir quanto pôde, sujeitou-se como fiel vassalo às resoluções Reais. Quando se embarcou, ElRei o acompanhou até a praia, e o Infante Dom Luiz, e a maior parte da Fidalguia até bordo. Foi felicíssimo o seu governo, posto que breve; em seu tempo deu, e tirou Coroas, e conservou, entre os Príncipes da Ásia, o nome, e domínio Português, em suma reputação. Foi muito amante da Justiça, e se prezava de repartir os prémios com igualdade, sem atenção a respeitos particulares. Mandou fazer rol de todos os ofícios, e empregos,  que estavam vagos, e fez por edital, e lançar bando, que todos os que tinham servido acudissem com seus papeis para serem despachados, como fez logo, sem dar cargo, nem ofício a algum criado seu. Requerendo-lhe certo soldado (de mais valias, que valor) que o despachasse, por se achava com três anos de serviço, lhe respondeu: "Ando agora despachando os que tem vinte, e os que tem dezanove, como chegar aos de três, então me lembrareis de vós". Visitando as presos, foi trazido perante ele um homem com um grilhão nos pés: perguntou-lhe porque estava preso com tanto rigor, respondeu, que por dever a ElRei certa quanta de dinheiro; mas que os Ministros da fazenda Real lhe não queriam descontar outra maior, que ElRei  lhe devia a ele, e querem que eu pague a ElRei com ouro, pagando-me a mim com ferro. Inteirado o Vice-Rei, de que falava verdade, se voltou para o Veador da fazenda, dizendo: "Aquele grilhão, eu, e vós, é o que merecemos, pois somos oficiais delRei, e não queremos pagar as suas dívidas". E  logo mandou, que se ajustasse a conta do preso, descontando-lhe quanto ElRei lhe devia. Por este modo se portava em todos os negócios, sempre com grande prudência, e rectidão, e com igual discrição, e aviso. Faleceu em Goa neste dia [16 de Junho], ano de 1555 com os gloriosos epítetos de valeroso Cavaleiro, prudente Capitão, bizarro Embaixador, singular Aio, justo Vice-Rei, bom Cristão. Foram seus ossos trasladados para o Convento de S. Francisco da Vila de Alcácer do Sal, onde havia escolhido sepultura para si, e para os sucessores do Morgado da Palma, que ele instituiu, e por sua morte por a seu sobrinho, o famoso D. João Mascarenhas.

14/06/2019

ROUBO SACRÍLEGO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO EM COIMBRA (15 de Junho)

Igreja do Corpo de Deus, posteriormente Igreja N. Sra. da Vitória, Coimbra (Portugal)  
Na Sé de Coimbra, se fez neste dia [15 de Junho], ano de 1361 o sacrílego roubo do cofre, com cinco Partículas consagradas, que se enterraram em lugar indecente, donde foram tiradas, e levadas pelo Bispo D. Vasco. Clero, e cidade em soleníssima procissão, para o Sacrário da mesma Catedral, e em desagravo da Majestade  Divina, foi erecta, no mesmo lugar indecente, a Igreja do Corpo de Deus da mesma Cidade.


Sobre o assunto, ler artigo ASCENDENS: SACRILÉGIO DE COIMBRA (ano de 1362), etc. etc.... 

13/06/2019

É JURADA A CONCEIÇÃO DA SENHORA NA CIDADE DE BRAGA (14 de Junho)

Santuário de N. Sra. do Sameiro, Braga
Neste dia de 1637 foi jurada a Conceição da Virgem MARIA pelo Sínodo que se celebrava na Santa Sé da Cidade de Braga, que é a segunda Igreja, que se dedicou à mesma Senhora, ainda viva; sendo congregado, e presidido pelo seu Arcebispo Primaz, Dom Sebastião de Matos, na forma seguinte: Prometemos, e juramos todos os que neste Sínodo estamos congregados em nossos nomes, e de nossos Sucessores, de sempre termos, e guardarmos, e defender-mos, que a Virgem MARIA nossa Senhora foi concebida sem mácula de pecado original, na forma das Constituição, e Breves Apostólicos passados sobre esta matéria. O mesmo juramento se tinha também feito no Sínodo, que se celebrou no Bispado da Guarda no ano de 1634.

12/06/2019

SANTO ANTÓNIO, Confessor (13 de Junho)

Sto. António de Lisboa (fonte)
Neste dia [13 de Junho], ano de 1231 chegou em Pádua ao seu ocaso, o Sol nascido em Lisboa, abreviando no seu curso de trinta e seis anos, acções e maravilhas, que não cabem em muitos séculos. Na primeira idade, se criou debaixo da tutela, e à sombra da Mãe de Deus , e mereceu receber da celestial Princesa, como filho, amorosos favores, como aluno, altíssmas direcções. Fugindo das tempestades da vida secular, se acolheu ao porto da Religião,  e recebeu o hábito no Real Convento de São Vicente de Lisboa. Mas desejando apertar mais consigo, e apartar-se mais dos seus,  se transferiu para Santa Cruz de Coimbra, Conventos insignes, um, e outro, da Sagrada Congregação dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho em Portugal; em um, e outro, lançou os profundos alicerces ao alto edifício de santidade, que depois havia de encher o mundo de exemplos, e de admirações. Passados alguns anos, entraram por Coimbra as sagradas relíquias dos cinco Mártires da Religião Seráfica, que em Marrocos haviam padecido, pouco antes, glorioso martírio. Ainda respiravam aquelas cinzas incêndios, e sendo corpos desanimados, influíram em Santo António (Fernando se chamava então) tais ardores, que mudando de nome, e de profissão, se passou à Sagrada Ordem de São Francisco. Fervorosas ânsias de Sacrificar a vida, em obséquio da Fé, o levavam a África, e uma perigosa tempestade, sobre uma perigosa doença, o fizeram arribar a Sicília; mas nem por isso deixou de merecer, quanto era da sua parte, a coroa de Mártir, fazendo-o Mártir no desejo, o ardentíssimo desejo do Martírio. Passou à Cidade de Assis, a ver o seu Santo Patriarca, e viu nele um novo, e claríssimo espelho de todas as virtudes. Revia-se também amoroso Pai, no já amado filho; porque divisava, e previa nele, por entre as sombras da humildade, preciosíssimos talentos de santidade, e sabedoria, aprendidas ambas em escola superior. Mandou-lhe que lesse Teologia, e foi o primeiro, que na sua Religião dictou aquela Rainha de todas as ciências, em grande glória sua, e também de Portugal; porque sendo tantas, e e tão esclarecidas, as estrelas, que resplandeceram em todos os tempos, no Céu daquela sapientíssima Religião, foi o nosso Português Santo António, o Sol, que precedeu, e presidiu a todas. Ao mesmo tempo começou a prégar, e começou a converter, e admirar o mundo. Era imponderável o trabalho, e fervor, com que se aplicava a servir, e a merecer. Estudava, e ao mesmo tempo compunha, dictava da Cadeira, prégava do Púlpito, assistia no Cofesssionário, acudia ao Coro, e às outras ocupações domésticas, e discorria de uns lugares a outros, em serviço da Fé, em obséquio  da Caridade. Esta foi, sem dúvida, a razão, porque logrou a grande prerrogativa, de assistir ao mesmo tempo, em lugares diversos, e distantes, como muitas vezes lhe sucedeu. Eram as suas obras muito do agrado do Senhor, e para que multiplicasse as obras, o multiplicava, e reproduzia o Senhor em muitas partes. Concorriam Cidades inteiras a ouvir os seus Sermões; ainda nos dias de trabalho, se fechavam as oficinas, como se fosse dia Santo: Não cabiam os ouvintes nas Igrejas, e apenas cabiam no campos:  passavam muitas vezes de trinta mil. Acompanhava a torrente das palavras, com outra de maravilhas. A sua voz era percebida de todo o Auditório, sendo, que pela multidão, ficavam muitos em tanta  distância, que não podia lá chegar naturalmente. Eram os ouvintes de Nações, e línguas diversas, e prégando o santo em uma só, todos o entendiam na sua. Por vezes, fez, que os brutos arguissem de mais brutos, a muitos racionais, já prostrando-se a adorar o Sacramento, já unindo-se a ouvir a palavra de Deus. Com os exemplos da sua vida, eram também sem número as conversões. Nos hereges achava maior resistência, como gente mais cheia de presunção. Mas a golpes de eficazes razões, solidamente fundadas na Escritura, os batia, e abatia de modo, que, ou se rendiam obedientes à verdade, ou se retiravam cheios de confusão; por esta causa foi chamado o Martelo dos hereges. Teve também suas contentas domésticas, e não menos perigosas; mas é virtude heroica zelar sobre a casa de Deus. Era Geral da Ordem Frei Elias, sucessor do Seráfico Patriarca, porém não do seu espírito: tentou relaxar em algumas coisas, o rigor primitivo da Santa Regra. Havia por aquele tempo (como sempre_ gravíssimos Varões na Religião dos Menores, mas não havia entre eles, quem saísse a campo em defensa da sua Religião. Tomou Santo António sobre si, esta grave empresa: o Geral era Elias no nome, ela o era no espírito; mas temperando os ardores do zelo, com os dictames da prudência, e da humildade, se ouve de maneira, que sem ofender as obrigações de súbdito, ficaram em seu vigor as leis. Prosseguia na cultura das almas, e não cessava de as encaminhar por todos os modos, ao fim da perfeição: Quando não prégava, escrevia, admirável igualmente, língua, e na pena. Era versadíssimo nas sagradas letras, tão estudioso delas, que sabia toda a Escritura de cór, e como Santo, enfim, por todos os títulos, de felicíssima memória. Foi o primeiro, que deu no utilíssim invento das concordâncias, e fez umas, que correm impressas de textos para diversos assuntos. Compôs Sermões de Santos, e de todas as Domingas, e outros muitos devotíssimos tratados, sobre diversas matérias. Foi, enfim, um Oráculo de celestial sabedoria, aprendida na escola da Oração. Ouvindo-o prégar o Papa Gregório IV  lhe chamou Tesouro das letras sagradas, e Arca de Testamento. Recebia cada hora, este terníssimo Português. favores também terníssimos do Céu. Baste, para exemplo, aquele caso singular, quando o mesmo Deus feito homem, em forma de Menino, veio colocar-se em seus braços, reclinar-se em seu peito. Se nos Anjos pudesse haver inveja, invejariam sem dúvida, tão grande felicidade. Nem eles sabem compreender a torrente de de´líias, e carícias, que bebeu em tão doces laços, em abraços tão suaves, aquele amoroso, e ditoso coração. Coroado de tão insignes merecimentos, recreado com tão celestiais soberanos favores, prevendo o dia da sua morte, e prevenido para ela com os Santos Sacramentos, entre docílissimas saudades, ardentes, e amorosas jaculatórias, passou da vida mortal à eterna, neste dia [13 de Junho] ano de 1231 tendo de idade trinta e seis, menos dois meses, e dois dias; dos quais viveu os primeiros quinze em casa de seus Pais; dois no Convento de São Vicente de Lisboa; oito, e alguns meses, em Santa Cruz de Coimbra: Dez, com mais sete meses, na Religião de São Francisco. Quiseram os Frades encobrir a sua morte, receando tumultos; mas os meninos da Cidade de Pádua guiados de impulso superior, saíram clamando pelas ruas, e dizendo, que era morto o Santo; como a tal o tratou, e venerou toda a Cidade, e foi levado em Procissão soleníssima com festas, e músicas alegres, à sepultura, que lhe deram em uma arca de pedra, que naquele dia foi descoberta (como preparada pelo Céu) com admiração universal; porque se achou ser obra dos Santos Mártires, a que a Igreja chama, os quatro Coroados; os quais foram insignes escultores, e por não quererem fazer estátuas de Ídolos, padeceram Martírio. Neste venerável, e estimável sobre, foi depositado o milagroso Cadáver. É Santo António um dos mais famosos, e milagrosos Santos da Igreja. Em toda a Cristandade, apenas se achará Templo, sem Capela sua própria, ou ao menos, sem imagem sua. Em Roma, lhe tem tanta devoção, que em seu dia, a maior parte dos moradores, indo ao Convento de Ara Caeli visitar a sua Imagem, e invocar a sua proteção, sobem de joelhos a escada do mesmo Convento, sendo esta de cento e vinte e oito degraus. Em toda Itália é chamado, por antonomásia, o Santo: outros acrescentam: O Santo dos milagres; e eu acrescentara: O milagre dos Santos: porque tantas acções tão sublimes, tantas virtudes tão heroicas, tão raras, e tão esquisitas maravilhas, sem dúvida o repõem em Classe eminente, em esfera superior. 

11/06/2019

O BEATO Fr. JOÃO GUARIM (12 de Junho)


O Beato Frei João Guarim, Português: sobre muitos anos de áspera penitência, que fez em uma cova, onde se sepultou vivo, caiu em pecado da carne, ao qual acrescentou o de homicídio, dando a morte à cúmplice na culpa: raro exemplo da fragilidade dos homens! Mas voltando em si, e reconhecendo os seus erros, os soube pagar, e apagar com extraordinárias penitências, com lágrimas perenes. Afirma-se, que andou muitos tempos discorrendo por várias terras, sostido em pés, e mãos, como bruto, sem atrever-se em levantar os olhos ao Céu, até que soube por modo miraculoso, que estavam perdoadas suas culpas. Seus ossos se guardam em um rico cofre, com grande veneração no célebre Convento de Guadalupe.

10/06/2019

Fr. ANDRÉ DA ÍNSUA (11 de Junho)

Frei André da Ínsua, natural da Cidade de Lisboa, deixando a mercancia em que seus pais o criava, tomou neste dia do ano de 1521 o hábito de São Francisco, no Oratório de Nossa Senhora da Ínsua, plantado no  meio da barra do rio Minha, onde aprendeu a ser pobre, para ser verdadeiro, e ternamente rico no Céu. Depois de ser Custódio, e Provincial da Província dis Algarves, foi eleito no ano de 1547 com 41 de idade, Ministro Geral de toda a Ordem Seráfica, sendo o segundo Português, e cinquenta e um daquela digidade, que governou louvavelmente, atraindo os corações do súditos, com o exemplo de suas virtudes, especialmente as da compaixão, e afabilidade, em que foi insigne. Faleceu na Cidade de Osma neste dia [11 de Junho], ano de 1571.

09/06/2019

FREI ANSELMO XUQUER (10 de Junho)


Frei Anselmo Xuquer, natural de Lisboa, Poeta, e Humanista insigne: passou a Alemanha, onde conheceu Alexandre Sétimo, então Legado naquelas partes, que lhe foi afeiçoadíssimo, e lhe fez grandes instâncias pelo levar consigo a Roma, por haver conhecido os seu talento, e virtude. Compôs de Partu Virginis doze livros de verso heroico Latino: um de Enigmas com suas explicações, e outras obras, que se conservam no Real Convento de Tomar, da Ordem de Cristo, cujo Instituto professou: sucedeu sua morte no mesmo Convento, neste dia [10 de Junho], ano de 1662 com mais de noventa de idade. 

08/06/2019

INCÊNDIO NA IGREJA DE S. FRANCISCO DE LISBOA (9 de Junho)

Antigo Convento de S. Francisco da Cidade, antes do terremoto (painel de azulejos).
Neste dia [9 de Junho] de 1707 sucedeu o incêndio, que abrasou a grande Igreja de São Francisco da Cidade de Lisboa, procedido de um foguete, que de noite tinha caído no tecto da mesma Igreja, que estava descoberto para se consertar. Em poucos dias ajuntaram os Padres e Irmãos da Terceira Ordem de São Francisco, trinta mil cruzados, com os quais e outros muitos de esmolas, que foram concorrendo, se restaurou o Templo, e ficou mais levantado e majestoso, do que era antes da sua destruição. 

07/06/2019

O Pe. MANOEL DE ELVAS (8 de Junho)


O Padre Manoel de Elvas, Cónego secular da Congregação de S. João Evangelista, nasceu em Lisboa, onde se graduou Doutor em ambos direitos, e voltando para Portugal se fez Sacerdote, e foi logo privado em uma grande Abadia no Arcebispado de Braga. Nela residia como perfeito pastor, porque assentava este caro sobre os dois sólidos fundamentos, que tinha de Letrado, e virtuoso. Acabou de cear uma noite com um irmão seu mais moço, que levara para a mesma residência; e depois recolhendo-se cada um para o seu aposento, alta noite acordou o Abade, e ouviu sentidas vozes de seu irmão. Levantou-se sobressaltado, achou as casas às escuras fora do costumado, tentou as portas, e janelas, e achou que tudo estava fechado: chamou pelo irmão, e não lhe respondeu, chamou os criados, ascenderam luz, e com elas entrou no aposento de seu irmão, e achou os vestidos junto da cama, mas o irmão não aparecia. Não houve parte, nem recanto nas casas altas, e inferiores, que senão visse: as portas, as janelas, os postigos tudo fechado por dentro, o tecto, e pavimento das casas sem rotura: tudo isto via com evidência; faltava, sendo os seus mesmos olhos testemunhas juntamente de que era impossível a saída, e de que havia saído. Em sendo dia, procurou-se pelo circuito da casa, e pelos lugares vizinhos, pela Província, pelo Reino todo, e ainda pelos estranhos, sem já mais se poder descobrir nem rastro, nem notícia de tal homem. Entendeu-se, que em corpo, e alma fora chamado a juízo, e levado por impulso, e braço superior. Foi tal o pasmo, e sentimento do Abade, que nunca mais o viram rir em sua vida. Tratou de renunciar a Abadia, repartiu em esmolas o que tinha, e sem dar conta a pessoa alguma da sua resolução, caminhou a pé para Vilar de Frades a pedir ser, como foi, admitido ao grémio da Congregação dos Cónegos seculares. Na observância dos seus Estatutos, na frequência do Coro, nos exercícios da humildade, e caridade, nenhum era, nem mais fervoroso, nem primeiro. Teve grande dom de lágrimas, e muito alta, e contínua oração, porque ainda quanto tratava com os homens, não se apartava de Deus. Foi insigne mestre de espírito, e ilustrava juntamente a  justos, e a pecadores. mostrando a estes o caminho da verdadeira penitência, àqueles o da maior perfeição. Estas heroicas virtudes atraíram a si, naqueles tempos, os olhos de toda a Congregação; a qual o colocou em diferentes Reitorias, e três vezes o elegeu Geral; e nestes cargos [como em lugar mais alto] se descobriu melhor o preço do seu talento. Sendo Reitor de Santo Eloy de Lisboa ordenou à instância do Cardeal Infante Dom Afonso, de quem era Confessor, o primeiro ofício das Horas Menores de Nossa Senhora, que se imprimiu neste Reino, como consta da primeira folha dele. Quando foi a primeira vez Geral, sucedeu furtarem da Casa de São Bento de Xabregas uma Cruz de ouro, que dera ElRei Dom Afonso V e fazendo as justiças esquisitas diligências por especial recomendação delRei Dom Manoel todas foram sem efeito; pelo que andavam tristíssimos todos os Cónegos, só o Padre Manoel de Elvas, que como Prelado devia ter a maior parte na dor, e no desvelo, dizia com muita paz, e segurança, que a Cruz havia de aparecer por intercessão de Santo António. Era ele devotíssimo deste grande Santo, advogado das coisas perdidas, em que também podem entrar as furtadas, e depois de dizer três Missas, invocando com muita fé, e devoção o seu patrocínio (guiado sem dúvida da luz superior) mandou um Cónego, que fosse correr, e examinar as estalagens da Vila de Setúbal; o qual assim o fez, e depois de se desvelar quanto pode na diligência, voltando já de Setúbal, desconfiado de achar o que buscava, lhe saiu um Religioso de São Francisco ao encontro, ao parecer de trinta anos, que lhe disse: Tornai, Padre, à estalagem donde saístes, que no vão de um tanho achareis o que buscais. Voltou logo à estalagem, e achou a Cruz no lugar advertido. Saiu a dar graças ao Religioso, e não o achou, nem notícia alguma dele. Teve-se por sem dúvida, que era Santo António, e as circunstâncias assim os mostravam com evidência. ElRei Dom Manoel, e toda a Côrte, tratavam ao Padre Manoel de Elvas com suma estimação, e como a homem, em que resplandecia igualmente a sabedoria, e a santidade. O mesmo Rei com frequência  o  mandava assistir, e votar no Conselho de estado, e ouvia as suas razões com grande atenção, porque sabia que falava sem respeito, sem amor, sem ódio, sem conveniência, e sem inveja; afectos, de que rara vez se acham despidos os Conselheiros. O mesmo Rei o nomeou Bispo da Guarda; e sendo esta eleição geralmente aplaudida de todos, só do eleito o não foi, porque  não aceitou aquela dignidade. Com quase noventa anos de idade, e cinquenta, e oito de Cónego secular, morreu santamente neste dia [8 de Junho] de 1538 em Santo Eloy de Lisboa, onde jaz sepultado com grande distinção.

06/06/2019

PRINCIPIA EM LISBOA UM CRUEL CONTÁGIO (7 de Junho)

No mesmo dia [7 de Junho], ano de 1569 se começou a sentir em Lisboa um terrível contágio, que logo se dilatou por todas as Províncias de Portugal, e durou quatro para cinco meses, mas em Lisboa foi muito maior o estrago: morriam cada dia quinhentas, seiscentas, setecentas pessoas, e no fim se achou, que por todas passaram de cinquenta mil. Cresceram as ervas pelas ruas a grande altura; não cabiam os mortos nas Igrejas, e foi preciso fazer-lhe covas pelos campos, e em cada uma sepultavam a cinquenta, e a mais. Talvez estavam os corpos amortalhados às portas das casas dois, e três dias, sem haver quem os levasse à sepultura. De um instante para outro caiam mortos os que estavam em pé, e amanheceriam sem vida, os que se deitaram sãos: andavam os homens atónitos, e com gestos de defuntos, tropeçando a cada passo com imagens da morte, e com ela mesma. Por falta da comunicação com as terras circunvizinhas, começaram a faltar mantimentos, sendo objeto lastimoso, ver os homens e mulheres, velhos, moços, meninos, desfazendo-se em lágrimas, e perecendo à fome; não cessou este horrível açoute, senão nos fins do mês de Outubro do mesmo ano. 

05/06/2019

MORRE A Infante D. MARIA, filha delRei D. AFONSO III (6 de Junho)

A Infanta D. Maria, terceira filha dos Reis Dom Afonso III e D. Brites, nasceu no dia da Apresentação de Nossa Senhora 21 de Novembro de 1264. Não tinha ainda perfeitos cinco anos, quando foi apresentada a Deus no Mosteiro das Donas, Cónegas de São João, junto ao de São João, junto ao de Santa Cruz de Coimbra. Criou-se na santa disciplina de sua tia a Senhora D. Constança Sanches, e no mesmo Mosteiro viveu, sem sair fora, e morreu neste dia [6 de Junho], ano de 1304. Jaz em Santa Cruz da mesma Cidade.

04/06/2019

O Ven. Pe. MANOEL DA CONSOLAÇÃO (5 de Junho)


O Venerável Padre Manoel da Consolação, natural de Vila do Conde, Cónego Secular da Congregação de São João Evangelista, faleceu em Vilar de Frades [Vila de Frades], neste dia [5 de Junho] do ano de 1538. Foi Varão insigne nas Virtudes da penitência, e da Caridade para com os pobres, e na da Oração mental para com Deus. Floresceu com a graça, e prerrogativa de fazer milagres, como dele descrevem os principais Historiadores Eclesiásticos deste Reino. Por ele costumava dizer o Venerável D.Frei Bartolomeu dos Mártires Arcebispo de Braga: Que Vilar [de Frades] era o Tesouro da Igreja escondido no campo, e o Padre Consolação a margarida preciosa

03/06/2019

Pe. BALTAZAR BARREIRA (4 de Junho)

Imagem relacionadaO Padre Baltazar Barreira da Companhia de JESUS, natural do Lugar de Sacavém junto a Lisboa, foi insigne operário Evangélico do Reino de Angola, e cooperou muito para a conservação daquele Estado; porque com as advertências, e avisos, que fez ao se Governador Paulo Dias de Novais; com o ânimo, e esforço espirituais com que afervorou, e fortaleceu aos nossos poucos defensores; e muito mais com as suas orações, se lhe atribuiu universalmente a estupenda, e milagrosa vitória, que em outra parte referimos [2 de Fevereiro]. Depois de ilustrar quatorze anos aquela Gentilidade, passou a alumiar também a de Cabo Verde, Guiné, e Serra Leoa; e em todas estas partes converteu, batizou a muitos Reis, e Régulos, e a inumeráveis Gentios. Edificou muitas Igrejas, e Casas de Oração, e reduziu a muitos Católicos a melhor vida. Com setenta e quatro anos de idade, e cinquenta, e seis da Companhia morreu santamente em Cabo Verde neste dia [4 de Junho], ano de 1612 onde foi sepultado com as maiores honras, e geral sentimento, e perda de todo aquele Estado. 

02/06/2019

NASCE O PRÍNCIPE D. JOÃO, filho delRei D. JOÃO III (3 de Junho)

Príncipe D. João Manoel
Neste dia [3 de Junho], ano de 1537 nasceu em Évora o Príncipe Dom João, filho delRei Dom III e da Rainha Dona Catarina. Dele já dissemos a 2 de Janeiro e a 30 de Março. 

30/05/2019

D. MENDO (31 de Maio)

Dom Mendo, Cónego Regular da Sagrada Congregação de Santa Cruz de Coimbra: Por suas grandes virtudes, e letras, passou a ser Prelado do Convento de Santo Isidoro de Leão, um dos mais insignes de toda Hespanha: Tal era a fama, que nela corria deste ilustre Português; cuja morte sucedeu neste dia: ignoramos o ano. 




28/05/2019

D. ARIAS Bispo de OVIEDO (29 de Maio)


Dom Arias, ilustre Português, Monge de São Bento, depois Bispo de Oviedo, Varão de grandes letras, e de esclarecidas virtudes: depois de governar a sua Igreja largos anos, dandos claras provas de prudência, e vigilância, se retirou outra vez aos Claustros da sua Religião, onde morreu santamente neste dia [29 de Maio], ano de 1100. 

27/05/2019

Dona ELENA DA SILVA (28 de Maio)

Colunas do Claustro do Mosteiro de Celas (Portugal).
Dona Elena da Silva, Religiosa do Mosteiro de Celas da Sagrada Ordem de Cister, junto a Coimbra, viveu, e morreu com tão ilustre fama de santidade, que os Autores da sua Religião [Ordem Religiosa] a põem no Catálogo dos Santos dela. Compôs um elegante, e dovotíssimo Poema da Paixão de Cristo. Foi seu felicíssimo trânsito neste dia [28 de Maio], ano de 1589.

26/05/2019

Dona TERESA AFONSO (27 de Maio)


Dona Teresa Afonso, filha do Conde Dom Afonso das Astúrias, mulher do ínclito herói Egas Moniz: nos estados de donzela, e casada resplandesceu em virtudes, e boas obras com vantagem conhecida às Senhoras mais ilustres daquele tempo. No de viúva, se excedeu a si mesma: edificou o nobre Mosteiro de Salfeda, da Ordem de Cister, onde jaz. Foi sua morte neste dia [27 de Maio], anode 1171.

15/05/2019

Fr. ELIAS DO VALLE (16 de Maio)


O Venerável Frei Elias do Valle, Português, foi Religioso da Santíssima Trindade no Convento de Cervo frigido em França, discípulo e companheiro do Patriarca São João da Mata, com o qual passou a Hespanha, e pelo mesmo mandado fundar na Cidade de Toledo o Convento da Santíssima Trindade, que é um dos melhores daquela Cidade, do qual foi seu primeiro Ministro Frei Elias do Vale, que depois de o ver acabado com grandeza, e perfeição, e enriquecido com rendas, privilégios, e sujeitos exemplares, morreu santamente neste dia [16 de Maio] de 1230. 

14/05/2019

O Príncipe D. TEODÓSIO (15 de Maio)

Príncipe D. Teodósio
No mesmo dia, ano de 1653 com dezanove de idade, três meses, e sete dias, passou do Reino temporal ao eterno o Príncipe Dom Teodósio, filho dos Senhores Reis Dom João IV e D. Luiza. Foi jurado Príncipe herdeiro deste Reinos nas primeiras Côrtes, celebradas em Lisboa, depois da feliz Aclamação. ElRei seu pai, poucos tempos adiante, o nomeou Príncipe do Brasil, e foi o primeiro, que logrou este título, que depois se prosseguiu nos Primogénitos de Portugal, como nos de Castela, o de Príncipe das Astúrias; de Gales, nos de Grã-Bretanha; de Delfins, nos de rança. Desde menino começou o Príncipe (então Duque de Barcelo) a ser nas prendas da natureza, e no dotes da graça, um prodígio, não só singular, mas a toda a luz, admirável. De muito tenra idade já sabia de memória, e repetia nas línguas, Portuguesa, e Latina, os Mistérios da Fé, as Ladainhas dos Santos, e de nossa Senhora, o Credo da Missa, o Prefácio comum, e o Evangelho de São João, com outras Orações da Igreja, somente de as ouvir aos Sacerdotes. Já então eram as suas palavras mui medidas, as suas acções mui reguladas, as suas devoções contínuas, e fervorosas. Com os anos cresceu nas prendas, e virtudes, as mais próprias de um Varão muito reformado, e proveito. Assim vigiava na pontual observância dos preceitos divinos, que se afirma dele, que morreu com a graça batismal. Não só evitava os pecados graves, mas também dos leves, fazia rigoroso exame, e os sujeitava logo às chaves da Igreja no Sacramento da Confissão, que frequentava quase todos os dias; o da Comunhão, todos os Domingos, e dias Santos, e de maior solenidade, e em muitos particulares da sua da Mãe de Deus, e da Virgem Mártir, e Doutora Santa Catarina. Sonhou em uma ocasião, que via seu avô o Duque Dom Teodósio, e que este lhe dizia, que fosse muito devoto de S. João Evangelista, de quem ele o fora sempre: abraçou o Príncipe aquela sonha advertência com tantas veras, que este Santo era o singular emprego da sua devoção, e todos os anos celebrava a sua festa com soleníssimo aparato, e era chamada a festa do Príncipe. Ao amor das virtudes ajuntou o das ciências. Teve agudíssimo engenho, memória felicíssima, e contínua aplicação aos livros; partes, que bastaram a formar nele em pouco tempo um talento superior. Aprendeu a ler, e a escrever, antes de lhe darem mestre, só por um A. B. C. que lhe fez uma sua Aia, para lhe dar a conhecer as letras. Aprendeu no discurso de dois anos a língua Latina, e depois pelo uso, a falava com muita elegância, e facilidade. Teve largas notícias da Grega, e da Hebreia. Chegou a ser tão perito na Filosofia, e Teologia, que admirava (sem ser lisonja) aos homens mais doutos daquele tempo. Com muitos, e por muitas vezes entrava em questões altíssimas e já argumentando, já defendendo, era, não só admiração, mas inveja dos que melhor o faziam nas escolas. Até da Medicina, Direito Civil, e Canónico,  teve luzes não vulgares. Nas artes liberais, e ainda em muitas das mecânicas, foi insigne. Assim mesmo foi mui destro, e airoso no manejo da Cavalaria, e igualmente prático no jogo das armas. Sabia com eminência formar Exércitos, e delinear fortificações. Compôs na língua Latina livros mui eruditos, e curiosos de várias matérias. Um, que se intitula: "Aureum Seaculum", outro: "Macariopolis", nome Grego, que vale o mesmo que "Cidade Santa", outro: "História Universal do mundo", outro: "História do Reino de Suécia", outro: "De Sacramento Altaris", e dedicou, e mandou estes dois últimos à Rainha daquele Reino, com que teve estreita correspondência. Esta foi a esclarecidíssima Cristina, que depois com memorável exemplo, e nunca assaz admirada resolução, pôs aos pés do Vigário de Cristo o Cetro, e a Coroa. Sobre Religioso, e sábio, foi o nosso Príncipe excelentíssimo político, aprendeu esta grande arte, e a mais dificultosa, na lição das histórias, e muito mais no dictames de um alto juízo, e de uma excelente compreensão, e madura prudência, de que o Céu o dotara em tão verdes anos. De treze votava já no Concelho de Estado, e o seu voto era geralmente o melhor. Naquela ocasião fatal, em que os Príncipes Palatinos se refugiaram no Porto de Lisboa, fugindo da Armada Inglesa, que os seguia, requerendo o General Inglês, que lhe fossem entregues, houve grande debate, ente os Concelheiros, sobre a resolução, que se devia tomar em tão perigosa emergência. Mas o Príncipe tirou a dúvida, expedindo em discreto papel muitas razoes cheias e generosidade, e bizarria verdadeira Real, em que se esforçava a persuadir, (e persuadiu com efeito) que se devia antepor a observância da hospitalidade a todas as conveniências, e temores, que se representavam naquele caso. Vendo, que os negócios procediam lentamente, em grane dano (segundo parecia) da conservação do Reino, resolveu passar à campanha, onde foi recebido com extraordinário aplauso, e alvoroço, e começou a dispor as cousas com grande circunspecção, e perícia militar; revestiram-se os Soldados de novos brios, e prometiam ilustres operações; mas as ocorrências daqueles tempos, e os dictames de profundas razões de Estado, o fizeram voltar brevemente à Côrte, onde começou a exercitar o Supremo Império sobre todas as armas da Monarquia. Neste emprego achou mais trabalho, que satisfação, porque o ardor, em que se inflamava, era de campiar na testa do seu exercito, e segurar a defensa dos Países próprios, na invasão dos alheios. Já a este tempo o começava a combater uma prolixa, e perigosa enfermidade, com grande dor, e mágoa excessiva delRei, e de todo o Reino. ElRei o amava, e venerava mais que a filho: umas vezes lhe chamava Pai: outras, irmão mais velho: outras, o seu Salomão. Os Vassalos reconheciam na sua Real Pessoa cifradas as delícias, e as esperanças de Portugal. Sabia o Príncipe acariciar, e render os afectos, e corações de todos: para todos era afável, para todos liberal, para todos benéfico, generoso, brando, compassivo; mas todas estas prendas tão excelsas, e prerrogativas tão altas, cortou a morte em flor, no verdor dos anos, na primavera da vida. Dispôs-se para morrer, como se costumam dispor os Santos, e morreu como um deles, entre suavíssimos colóquios com Deus, e actos finíssimos de verdadeiro amor, e resignação. foi enterrado com Majestosa pompa no Real Templo de Belém, deixando perpetuamente gravadas nos bronzes da fama, e nos corações dos Portugueses, uma gloriosa memória, uma eterna saudade.

11/05/2019

A PRINCESA Sta. JOANA (12 de Maio)

Princesa Sta. Joana
No mesmo dia, ano de 1490 passou da vida transitória para a que não tem fim, a Princesa Santa Joana, filha dos Reis Dom Afonso I e D. Isabel: joia, a mais preciosa da Coroa Real Portuguesa, espelho claríssimo das heroicas virtudes, esclarecida cópia de inestimáveis perfeições: dotou-a o Céu de uma beleza tão rara, que excedia toda a comparação; vendo Luís XI de França um retrato seu, se diz, que posto de joelhos deu graças a Deus, por haver produzido uma criatura tão bela, e que logo deliberou pedi-la para esposa do Delfim seu filho; era porém altamente superior a beleza e formorusa da sua alma; desde os primeiros anos, esquecida dos divertimentos daquela idade, e com madureza da última, se deu a todos os exercícios da perfeição; rezava todos os dias o Ofício Divino, e o de nossa Senhora. Gastava também todos os dias muitas horas na Oração mental, acompanhada de lágrimas, e suspiros, que eram prova evidente, dos ardores, e afectos, em que se lhe desfazia o coração. Debaixo das ricas galas, a que a obrigava o estilo da Côrte, trazia uma áspera camisa de grossa estamenha, e um áspero Cilício: tomava repetidas disciplinas, e com tanta veemência, que chegava a derramar copioso sangue. Todas estas obras fazia com grande recato, que é a gala do merecimento, mas muitas vezes, não podiam fugir a tantos olhos, e tão vigilantes, de que sempre os Palácios costumam abundar. Tomou por empresa a Coroa de espinhos de seu Divino Esposo (a quem logo desde os primeiros anos consagrou a sua pureza) e por aquela Corca rejeitou a Imperial de Alemanha, e as Reais de França, e Inglaterra. Recolhida no muito virtuoso Convento de JESUS de Aveiro, viveu vestida no hábito de São Domingos quase dezoito anos, fazendo uma vida angélica, e puríssima, coroada com uma morte digna de tal vida, neste dia [12 de Maio] de 1490. Jaz sepultada no mesmo Convento. As muitas maravilhas, que Deus obrou, e ainda obra, por sua intercessão, lhe deram o título de Princesa Santa, que conservou desde que faleceu. O Papa Inocêncio XII a declarou Bem-aventurada, e lhe confirmo o culto imemorial em 4 de Abril de 1693.

10/05/2019

O VENERÁVEL Fr. ROQUE DO ESPÍRITO SANTO (11 de Maio)


O Venerável Frei Roque do Espírito Santo, natural da Vila de Castelo-Branco, Religioso da Sagrada Ordem da Santíssima Trindade, insigne em virtudes, e obras maravilhosas; viveu muitos anos em África, ocupado nas redenções dos Cativos, e participando das suas tribulações, em que os consolava, e socorria com portentosa Caridade: Resgatou mais de quatro mil: Os mesmos Mouros o veneravam profundamente, porque reconheciam nele um espírito mais que humano; por vezes se contentaram com a sua Correa, em penhor de grandes somas, que lhe ficava devendo, a que sempre satisfez com pontualidade, à custa da sua diligência, fructuosa sempre, pelo singular conceito, e estimação, que os Príncipes, e grandes de Portugal faziam das suas virtudes. Morreu santíssimamente neste dia [11 de Maio], ano de 1590. Foi sepultado com grande veneração, e universais aclamações de Santo no seu Convento de Lisboa.

09/05/2019

ROUBA-SE O SANTÍSSIMO EM ODIVELAS (10 de Maio)

Neste dia [10 de Maio], ano de 1671 que caiu na Dominga infra oitava da Ascensão, sucedeu o desacato do Senhor Sacramentado na Igreja Paroquial de Odivelas do termo de Lisboa, pelo qual se fizeram grande, e devidas demonstrações de sentimento em todo o Reino. Por conta da Nobreza da Corte de Portugal, corre ainda o desagravo que todos os anos se faz ao mesmo Senhor neste dia com grandes cultos, e adorações.

08/05/2019

Fr. LUIZ DA CRUZ (9 de Maio)


Frei Luiz da Cruz nosso Português, natural de Bragança, Religioso Menor da Província de São Gabriel em Castela. Foi varão doutíssimo, e claríssimo escritor: deu à estampa várias obras cheias de singular doutrina, e vasta erudição: subiu na sua Ordem aos mais eminentes lugares, e destinado para o suprema da mesma, acabou seus dias neste em que estamos, na Cidade de Saragoça de Aragão, ano de 1633. 

07/05/2019

ELEIÇÃO do SUMO PONTÍFICE INOCÊNCIO XIII (8 de Maio)

No mesmo dia [8 de Maio] ano de 1721 foi declarado Sumo Pontífice com satisfação de todos os Cardeais e de todas as Côrtes Católicas, o Cardeal Miguel Angelo Conti, Núncio Apostólico que havia sido muitos anos neste Reino, donde obteve a Púrpura, e era Protector do mesmo Reino na Cúria Romana. Pelo que, foi celebrada a sua exaltação Pontifícia em Lisboa com três dias de repiques, e luminárias, e com muitos aplausos Académicos. Tomou o nome de Inocêncio XIII e conservou o de Protector de Portugal. Morreu em 7 de Março de 1724 com 68 anos, 9 meses, e 21 dias de idade, havendo governado 2 anos, e 10 meses a Igreja Católica. 

06/05/2019

Pe. BALTAZAR ÁLVARES (7 de Maio)

Baltazar Álvares, natural de Chaves, da Companhia de Jesus, Doutor egrégio na Sagrada Teologia, Lente de Prima, e Cancelário da Universidade de Évora, compôs um Tratado de Anima separata, que se imprimiu no Curso Conimbricense, e a grande Obra do Expurgatório Lusitano dos livros proibidos desde Lutero até o seu tempo, impresso por ordem, e autoridade do ilustríssimo D. Fernão Martins Mascarenhas Bispo Inquisidor Geral dos Reinos de Portugal. Expediu também alguns volume spóstumos do grande Soares Granatense. Morreu em Coimbra neste dia [7 de Maio], ano de 1618.

05/05/2019

IDÁCIO, Bispo C. (6 de Maio)

Sé de Lamego
Idácio, Português, Bispo de Lamego, depois Arcebispo de Braga, Prelado insigne, e Escritor famoso: por sua rara humildade se chamava, e assinava o Pecador; mas as suas sngulares virtudes, e grandes letras o faziam conhecido, e estimado em toda a Igreja, e S. Leão Papa I do nome o tratava com grande familiaridade, e públicas estimações, e o nomeou Presidente no Sínodo de Celenas, onde foram confutados os erros de Prisciliano, e comprovadas com irregrafáveis fundamentos as verdades da Fé, pela qual o Santo Bispo padeceu grandes tribulações. Compôs uma Cronologia, que começa desde o primeiro ano do Consulado de Teodósio, e contém tudo o que sucedeu no mundo no espaço de cento e vinte anos. Compôs também os Fastos Consulares desde Aureliano Augusto, até a morte de Honório. Cheio de virtudes, e boas obras, passou neste dia [6 de Maio] a lograr o prémio delas, ano de 494.

04/05/2019

S. SILVANO, Mártir (5 de Maio)

São Silvano, também como o do dia precedente, da Ilustríssima família dos Silvas em Portugal, passou a Roma, onde padeceu neste dia [5 de Maio] cruel martírio, imperando Maximino, na sexta perseguição da Igreja Católica.

03/05/2019

S. MARINA, V. (4 de Maio)

Ruínas do Convento de Sta. Marina, Salamanca
Santa Marina, foi natural da Vila do Mogadouro em Portugal; a luz do desengano, e o desprezo das vaidades a levou a um sítio muito áspero, e solitário, não longe de Salamanca, onde, separada de todo o trato humano, fez vida santíssima. Por sua morte foi convertido aquele lugar em um insigne Convento da Sagrada Religião dos Menores, dedicado à mesma Santa, onde descansa seu corpo, e se festeja com grande colenidade neste dia [4 de Maio].

02/05/2019

S. Fr. ZACARIAS (3 de Maio)

Convento de S. Francisco, Alenquer (Portugal)
O Santo Fr. Zacarias, natural de Roma, um dos primeiros Discípulos, e companheiros de São Francisco, e singular imitador de suas virtudes, veio a Portugal, e fundou  o , e segundo de sua Ordem neste Reino; Convento insigne, e célebre, pela bênção, que lhe lançou o Santo Patriarca, assegurando, que sempre haveria nele Religiosos Observantes da sua Regra, e da aprovada vida; floresceu o Santo Zacarias, em virtudes, e milagres, e neste dia [3 de Maio], ano de 1249 acabou gloriosamente a carreira mortal. Jaz no seu Convento de Alenquer com venerações de Santo.

01/05/2019

O Beato Fr. BERNARDO DE RIVO (2 de Maio)

Convento de S. Domingos de Benfica, Lisboa (Portugal)
O Beato Frei Bernardo de Rivo, Religioso da Sagrada Ordem dos Prégadores, cujo hábito recebeu no insigne Convento de Benfica, onde floresceu com singular fama de virtudes, e milagres. Foi seu glorioso trânsito neste dia [2 de Maio], ano de 1502 com cento e quinze de idade; e logo que morreu, se começou a venerar o seu retrato com diadema, e resplendor de as Crónicas antigas, e modernas da sua Religião lhe dão o nome de Beato. 

30/04/2019

S. COMBA, e Sta. ANONIMATA, VV. MM. (1 de Maio)

No Lugar de Tourega, Arcebispado de Évora, padeceram Martírio neste dia [1 de Maio], pelos anos de 303. Santa Comba, e sua Irmã Anumiata ou Anonimata (que vale o mesmo que sem nome, porque se lhe não sabe). Irmãs ambas de São Jordão, Bispo da mesma Cidade de Évora.

27/04/2019

25/04/2019

S. LUPÉRCIO, E SEUS COMPANHEIROS MÁRTIRES (26 de Abril)

No mesmo dia [26 de Abril], triunfaram do cruel Daciano em Saragoça os dezoito companheiros da castíssima Virgem, e invictíssima Mártir, Santa Engrácia: Lupercio (tio da Santa), Optato, Sucesso, Marcial, Urbano, Júlio, Quintiliano, Publio, Fronto, Felix, Ceciliano, Evento, Premetivo, Apodemio, Matutino, Cassiano, Januario, e Fausto; os quais todos foram degolados em defesa da Fé, e em grande glória de Santa Engrácia, do nosso Portugal.

24/04/2019

VITÓRIA DE TRANCOSO (25 de Abril)

Muralhas de Trancoso
Intentava ElRei Dom João I de Castela entrar em Portugal, com poderoso exército para ressarcir a perda de gente, e reputação, que havia padecido do cerco de Lisboa. A este fim mandou ajuntar as tropas de todo o seu Reino, conduzidas por senhores da primeira qualidade; e uma boa parte delas impaciente da dilação, entrou logo pela província da Beira, e chegou até Viseu, Cidade  aberta, e sem presídio, e nela, e em muitas Vilas  e lugares, fizeram os Castelhanos grandes destruições, mas com mais utilidade que honra, porque o haviam com gente popular, e desarmada. Assistiam na Beira, por aquele tempo, dois ilustres Cavaleiros, que por leves causas viviam encontrados entre si, em grande prejuízo da defensa da mesma Província. Um era Martim Vasquez da Cunha, que governava a vila de Linhares, o outro era Gonçalo Vasquez Coutinho que governava a Trancoso. Estes eram os que, por caprichos particulares, persistiam teimosamente divididos, sem atenção ao dano da República [coisa pública]. Entrou, porém, João Fernandes Pacheco, Cavaleiro não menos ilustre, que os dois, e mais prudente que ambos, a mediar entre um e outro, e conseguiu a concórdia, mas com a condição de que Gonçalo Vasquez precederia no mando, em que cedeu generosamente o Cunha, ficando por isso mesmo mais airoso: porque se ambos venceram os inimigos, ele, antes dessa vitória, conseguiu outra maior, quando se venceu a si. Ajuntaram velozmente trezentas lanças, e alguma gente de pé, a que uniram bom número de lavradores, mais para fazerem vulto, do que corpo. Com este poder se resolveram a esperar os inimigos num lugar distante quase meia légua da Vila de Trancoso. Marchavam os Castelhanos naquela volta, bem descuidados do grande mal, que os esperava. Eram quatrocentas lanças, duzentos ginetes, e bom número de besteiros, e homens de pé. Traziam setecentas cargas de cousas mais preciosas, que haviam saqueado, e muitos Portugueses homens, e mulheres, que levavam prisioneiros. Encontraram-se em tal forma, que nenhuma das partes podia furtar-se ao perigo (o que os Castelhanos intentaram) vieram, enfim, às mãos, e se travou uma asperíssimas batalha. Os nossos lavradores mais certos em cortarem a terra com o arado, que os inimigos com a lança, encomendaram-se aos pés, que não lhe valeram, porque os ginetes Castelhanos, tomando-lhe o passo, mataram neles à vontade. Ao mesmo tempo chocavam os dois campos furiosamente, deliberados ambos, ou a morrer, ou a vencer. De uma, e outra parte, eram os Capitães tão ilustres, com valerosos, e cada um repetia o seu apelido [sobrenome], para que esta memória excitasse nos seus soldados o valor. Durou o conflicto grande parte do dia começando logo de manhã, até que a fortuna se declarou a favor dos Portugueses, ficando os Castelhanos vencidos tão fortemente derrotados, que se afirma, que dos quatrocentos homens de armas (cousa dura de referir, e de crer) não escapou nem um só com vida, e dos Portugueses, (cousa ainda mais dura) que nem um a perdeu, excetuando os lavradores, que por sua fraqueza e temor, foram mortos ao princípio. É sem dúvida que os Castelhanos padeceram grandíssima perda, e que os despojos foram restituídos aos Portugueses, e postos em sua liberdade os prisioneiros, dos quais muitos, trocada a sorte, prenderam aos que traziam presos. A infelicidade mais lamentável para os Castelhanos, foi morrerem nesta batalha; muitos, e grandes senhores, e que ocupavam grandes postos na Casa Real; Como João Rodrigues de Castanheda, Pedro Soares de Toledo, Álvaro Garcia de Albernoz, Pedro Soares de Quinhones, Afonso de Trugilho, e outros. 
Esta foi a famosa vitória, chamada de Trancoso, sucedida neste dia [25 de Abril], ano de 1385 e um das mais gloriosas, que o braço Português conseguiu dos Castelhanos, se se considerar a desigualdade do número, a duração do combate, a grande perda dos inimigos, e a pouca dos nossos.

22/04/2019

PARTE PARA INGLATERRA A Rainha D. CATARINA (23 de Abril)

Chegando a Lisboa as notícias de se haver ajustado casamento da Sereníssima senhora Dona Catarina, Infante de Portugal com Carlos II Rei da Grã-Bretanha, se receberam, com gerais demonstrações de gosto, e se aplaudiram com majestosas festas de fogos, luminárias, e touros, em que tourearam com igual luzimento, e despreza, os Condes de Sarzedas, e da Torre, e Dom João de Castro. Pouco depois, chegou a Armada de Inglaterra, que havia de conduzir a Infante, e nova Rainha. Constava de quatorze Naus de Guerra, era seu General Duarte de Montegui Conde de Sanduich, com título de Embaixador extraordinário, e vinham nela muitos Cavaleiros ilustres, destinados para o serviço da Rainha, a qual saiu neste dia [23 de Abril], ano de 1662 de manhã da Antecâmara da Rainha Regente à sua mão direita, e dois passos diante elRei Dom Afonso, e o Infante Dom Pedro, e os Oficiais da Casa, Títulos, e Nobreza. Desceram à sala dos Tudescos, e chegando ao topo da escada, que vai dar ao pátio da Capela, se deteve a Rainha mão, como em lugar destinado para as últimas despedidas, e sem consentir, que a sua filha lhe beijasse a mão (como pretendia) a abraçou estreitamente, e lhe lançou a bênção, reprimindo com generoso ânimo os afectos da ternura, entre os decoros da Majestade; mas pouco depois, em lugar solitário, pagaram os olhos a violência, que haviam feito ao coração. Baixou a Rainha de Inglaterra a escada, entre ElRei, e o Infante, seus irmãos; e não cedendo a Rainha mãe às instâncias, que a filha lhe fez repetidas, para que se recolhesse antes de entrar na carroça, entrou enfim depois de uma profunda reverência, a que a mãe correspondeu com outra bênção, voltando as costas antes de entrarem na carroça seus filhos. Nela foi a Rainha à mão direita de ElRei, e o Infante a Igreja Catedral, acompanhados de toda a Nobreza com luzidíssimas galas. Estavam as ruas adornadas com grande pompa, e a espaços se viam arcos triunfantes de admirável pompa, e a espaços se viam arcos triunfais de admirável artifício, e majestade. O som das trombetas, e charamelas, e de outros instrumentos alegres, os repiques dos sinos, o estrondo marcial das salvas da artilharia, os vivas do Povo, tudo formava uma representação por extremo festiva, e plausível. Ouviram Missa os Reis, de dentro da cortina, precedendo sempre no lugar a Rainha, e logo voltaram para o rio, onde os esperava o Bargantim Real, e outros muitos ricamente adornados, em que se embarcaram as Magestades, e os Ministros da Côrte, e Fidalgos, naturais, e estrangeiros, transformando-se de repente o dourado Tejo em uma Cidade portátil, e vistosíssima. ElRei, e o infante, acompanharam a Rainha, sua irmã até a câmara, que lhe estava aparelhada na Capitania de Inglaterra, e quando ambos se despediram, a Rainha os acompanhou até o primeiro degrau da escada, por onde haviam subido, não querendo voltar para a câmara, por mais instâncias, que elRei lhe fez, até que ele, e o Infante, entraram no toldo do Bargantim. No tempo, que duraram estas funções, e no em que se deteve a Armada no rio, se prosseguiram as salvas, e músicas, e outras demonstrações de aplauso, e alegra, até que, largando as velas ao vento, saiu a Armada, de cujo sucesso daremos notícia no dia a que pertence.

20/04/2019

Dona BETAÇA (21 de Abril)


Dona Betaça [ou Vataça Lascaris], filha de Guilhermo, Conde de Vintemilha, Cavaleiro nobilíssimo no Estado de Gênova, e de Irene, filha de Teodoro Lascaro o menor, Imperador de Constantinopla; veio por casos adversos, de Itália a Aragão, de Aragão a Portugal, com a Rainha Santa Isabel, que a fez Aia do seu filho, o Infante Dom Afonso, depois Rei IV do nome; emprego, em que deu grandes provas de prudência, e piedade. Casou com Martim Anes, Fidalgo muito ilutre daqueles tempos, de quem não teve sucessão: viveu sempre com grande exemplo de vida, e morreu cheia de boas obras, neste dia [21 de Abril], ano de 1336. Jaz na Catedral de Coimbra.

19/04/2019

S. TEODORO, Confessor (20 de Abril)

Coluna de S. Teodoro, Veneza

São Teodoro, natural de Medelim (Município da antiga Lusitânia) foi chamado o Admirável, pelos extremos com que se entregou em um deserto aos rigores da penitência. Floresceu em milagres: tremiam os demónios do seu nome, e à sua vista fugiam, como as sombras da luz. Só no tacto da sua vestidura achavam os enfermos presentâneo remédio. Passou neste dia [20 de Abril], pelos anos de 300 da vida temporal à eterna, e muitos depois da sua morte, manou de seu corpo um miraculoso licor.

18/04/2019

A PRIMEIRA VITÓRIA DOS GUARARAPES (19 de Abril)


A poucas léguas de distância do Recife (Praça capital de Pernambuco) situou a natureza uns montes, ou serras, a que chamam guararapes, de tão desmedida elevação, que em algumas partes, levantam a cabeça sobre as nuvens: em partes se abrem em concavidades tão profundas, que a vista lhe não acha termo. Nas fraldas destes montes (que deram nome a duas ilustres vitórias) se dilata uma campina grande, onde, neste dia [19 de Abril], que era Domingo de Pascoela, ano de 1648 se avistaram dois exércitos (Holandês, e Português) pequenos em número, mas grandes pelo valor dos soldados, experiência, e perícia dos Generais. Contava o exército Holandês de sete mil e quatrocentos combatentes da mesma Nação, e da Francesa, Alemã, Húngara, Polaca, Inglesa, Sueca, todos soldados práticos, valerosos, e bem armados. Acrescia um bom corpo de Índios, e negros, seis peças de artilharias, e todas as munições, e armas, que servem em semelhantes casos. Os Generais deste exército, ou Cabos principais dele, eram Sigismundo Vanscoph, Henrique Hus, e o Coronel Brinch, os quais foram escolhidos para esta guerra, como homens aprovados nas de Flandres onde haviam militado com grande nome. O exército Português constava de dois mil e quinhentos soldados, em que entravam dois terços de Índios, e negros; dele era Mestre de Campo General Francisco Barreto de Menezes, e Cabos principais João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Dom António Filipe Camarão, e Henrique Dias. Bem se deixa ver entre um, e outro exército, a desigualdade do número, mas também era em ambos muito desigual, e diferente, a causa. Pelejavam os Católicos pela Fé, pela honra, pela liberdade, pela Pátria, pela fazenda, e em defesa das mulheres, e filhos. Pelejavam os hereges por usurpar o alheio, sem outro direito, mais que o das armas, acompanhado de infinitas exorbitâncias, e tiranias. Deram, pois, os instrumentos bélicos o final de acometer, e deram os Holandeses primeira, e segunda carga, mas a tempo, que pela distância não fez nos Portugueses dano considerável; estes, porém, chegando-se mais perto, empregaram com tanta felicidade os tiros dos seus mosquetes, que logo se viram no campo contrário grandes princípios de confusão, e desordem. e sem mais dilação, nem darem ímpeto, e valor, que em breve espaço romperam os esquadrões inimigos. Era mais duro, e horrível o combate em um alto, onde estes pugnavam por defender a sua artilharia: os nossos por ganhá-la, e ganhando-a com efeito, se aclamavam já vencedores, quando Segismundo, acudiu com mil soldados, que deixara de reserva, os quais até ali descansados, agora resolutos, puseram aos nossos em grande consternação. Cobraram outra vez  a artilharia, perdida por eles, e agora mal guardada pelos negros, e Índios do nosso exército, a cujo cargo estava, os quais, divertindo-se em despojar os mortos, se viram carregados com tanta pressa, e força, que sem dúvida pereceriam todos, a não serem socorridos de quinhentos infantes, que os nossos Cabos tinham também de reserva. Aqui se renovou o conflicto, e se pôs outra vez a fortuna indiferente, e quando já parecia, que inclinava para os contrários, então os nossos Genrais ansiosos de venderem a batalha, ou acabarem nela, se arrojaram no maior perigo como soldados particulares, e exortando aos seus, (mais que com palavras) com luzidíssimas provas de valor, assim carregaram aos inimigos, que depois de cinco horas de obstinadíssima peleja, os romperam, e derrotaram com morte de mil e duzentos, em que entraram cento  e oitenta Oficiais, e dois Coronéis, um deles Henrique Hus. Dos quais escaparam com vida, a poucos deixou de assinalar o nosso ferro; entre eles, foi Segismundo, ferido em uma perna, de que ficou coxeando em quanto viveu, para que a cada passo, se lembrasse da nossa vitória, e da sua infelicidade. Morreram dos nossos, oitenta e quatro: os feridos passaram de quinhentos: os despojos foram riquíssimos, em que entraram o estandarte da República de Holanda, e vinte e nove bandeiras; ficou prisioneiro o Coronel Kever, soldado de grande reputação. Foi esta vitória de relevantíssimas consequências para a restauração de Pernambuco, como pouco depois mostraram o tempo, e os sucessos.

17/04/2019

O Pe. BENTO FERNANDES (18 de Abril)

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O Padre Bento Fernandes, natural da Vila de Borba na Província do Alentejo, um dos grandes talentos, que ilustrram a sagrada Religião da Companhia de Jesus, foi expositor insigne do livro do Génesis, sobre o qual imprimiu três doutíssimos volumes, que andam nas palmas, e estimações dos sábios. Deixou pronto para a Imperensa outro volume sobre o Evangelho de São Lucas. Faleceu em São Roque com sessenta e sete anos de idade, no de 1630.

16/04/2019

O Venerável Fr. TOMÉ DE JESUS (17 de Abril)

O Venerável Frei Tomé de Jesus foi filho de Fernão Álvares de Andrade, Cavalheiro muito ilustre do tempo delRei Dom João III e do seu Conselho de Estado, e de sua mulher, Dona Isabel de Paiva, os quais tiveram três filhos, e uma filha; esta foi Dona Violante de Andrade, Condessa de Linhares, mulher do Conde, Dom Francisco de Noronha: os filhos foram Diogo de Paiva de Andrade, cujas letras, e virtudes, lhe granjearam singulares estimações do Concílio Tridentino: Frei Cosme da Apresentação, Eremita Augustiniano, Teólogo de grande nome; e o nosso Frei Tomé de Jesus. Nasceu este em Lisboa, e tomou o hábito da mesma Religião Eremítica [Ordem religiosa eremítica], na qual viveu em suma reputação de observante Religioso. Acompanhou a ElRei Dom Sebastião na infeliz jornada de África, onde ficou cativo, e padeceu imponderáveis mi´serias, e tribulações; mas essa mesma opressão do corpo lhe acrisolava o espírito. Preso em um masmorra, a muito escassa luz, e a espaços furtados, compôs o devotíssimo livro, que intitulou: Trabalhos de Jesus. Com tão soberano exemplar aos olhos, não perdoava a trabalho, nem a desvelo, em benefício dos miseráveis cativos. Pregava, confessava, dizia Missa, assistia, e servia a todos nas doenças,a todos consolava nas tribulações,  confortava na Fé, animava ao sofrimento, e paciência. Querendo a Condessa ,sua irmã tratar do resgate, lhe rebateu intento com estupenda, e inflexíveis resolução, antepondo a todos os respeitos, e conveniências desta vida, a caridade com os próximos. Nesta heroica empresa acabou santíssimamente em Marrocos, neste dia [17 de Abril]. em que caiu então a primeira Oitava da Páscoa, no ano de 1582 com cinquenta e três de idade, trinta e oito de Religião, quatro de cativeiro. Além do livro: Trabalhos de Jesus, reimpresso muitas vezes, e traduziu nas principais línguas da Europa, compôs outros, todos com igual espírito, com pena sempre igual.

15/04/2019

BATISMO DO SERENÍSSIMO SENHOR Infante, D. ANTÓNIO (16 de Abril)

O Infante D. António.
No mesmo dia [16 de Abril], em Sábado, ano de 1695 foi batizado por Luiz de Souza, Capelão mór, e Arcebispo de Lisboa, com luzidíssima pompa, Real, e majestosa ostentação, o Sereníssimo Infante, Dom Antónino, quarto filho dos senhores Reis, Dom Pedro II e Dona Maria Sofia: puseram-lhe os nomes, em memória de vários Santos, e de alguns de seus Augustíssimos ascendentes: Dom António, Francisco, José, Bento, Teodósio, Leopoldo, Henrique. Foram Padrinhos Dom Luiz, Duque de Buarcos, primogénito dos Duques do Cadaval, em nome do Imperador Leopoldo; e Dom Fr. José de Lencastro, Bispo Inquisidor Geral, em nome da Rainha de Inglaterra, Dona Catarina.

14/04/2019

D. JAIME, Cardeal (15 de Abril)

Capela do Crucifixo, na Basílica de San Miniato, Florença (Itália)

Dom Jaime, filho segundo dos Infante Dom Pedro, e Dona Isabel: neto por seu pai, dos Reis Dom João I e Dona Filipa, por sua mãe, dos Condes de Urgel Dom Jaime, e Dona Isabel. Foi Príncipe de candidíssimos costumes; fez nas letras não vulgares progressos. As turbulências do Reino, nos princípio do governo delRei Dom Afonso V o levaram a Flandes, onde, por intervenção de sua tia Dona Isabel, Duqueza de Borgonha, foi feito Bispo de Arras, e obteve outros benefícios. De Flandes passou a Itália, e foi recebido em Roma com singulares estimações, devidas ao seu Real sangue, e muito mais às excelentes prendas, e virtudes, de que era dotado: Calisto III o fez Cardeal do título de Santo Eustáquio, e afirma Eneas Silvio (depois Pio II), "que era tão superior a sua modéstia, a sua gravidade, o seu engenho, e que resplandescia tanto no amor das virtudes, e letras, que já lhe tardava a púrpura em tão tenra idade" (era então de vinte de dois anos). Sendo de vinte e cinco, e dez meses, lhe sobreveio uma enfermiade mortal, que todavia podia ter remédio (diziam os Médicos) se ofendesse a pureza: mas o castíssimo Príncipe antes quis morrer, que manchar-se. Morreu, em fim, mas não o terá a sua fama à vista de uma tão heroica, e portentosa resolução: sucedeu sua morte neste dia [15 de Abril], ano de 1459. Jaz em nobre sepultura, em Florença, no Convento de São Miniato.

13/04/2019

O Beato JOÃO, Confessor (14 de Abril)


O Beato João, Monge Cisterciense, discípulo de São Bernardo, e mandado pelo mesmo Santo a Portugal, deu neste Reino claríssimas provas de virtudes, e disciplina Monástica. foi seu glorioso trânsito neste dia [14 de Abril]: jaz no Mosteiro de S. João de Tarouca.