16/04/2017

VOTOS DE BOA PÁSCOA (2017)

Nosso Senhor entregou-se para ser flagelado e crucificado, não porque não tinha poderio superior para livrar-se dos embutes que lhe armaram, mas para a redimir e ensinar-nos o caminho. Ressuscitou como disse! Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Deste dia podemos fazer também grande menção ao Juízo Particular, e ao Juízo Final (Universal) que ocorrerá um dia. É com temor unida à uma alegria espiritual que os bons cristãos esperam e desejam a que com mais coragem participar destes grandes mistérios.

E neste ano de 2017, desejo uma santa e feliz Páscoa aos leitores, e aos que por bem apareçam pelo blog ✠ SANTO ZELO.

Rafaela.

04/04/2017

HISTÓRIAS DOS MILAGRES DO ROSÁRIO (VI)


(continuação da V parte)

Autores que se alegam nesta história.

Porque para autoridade da história importa muito conhecer os Autores que escreveram, e as letras, e vida que tiveram, porque sendo de Santos, e Religiosos, se presume que não se apartavam da verdade, nos pareceu dar aqui notícia dos que nesta alegamos.

O primeiro é Cesario de Hestorbais, do Arcebispado de Colónia, Religioso de S. Bento, homem muito devoto, e versado nas Divinas Escrituras, e muito devoto. Entre outras muitas obras que escreveu em Diálogo doze livros, a imitação de São Gregório Papa, das visões, e milagres de seu tempo, polo ano de mil e duzentos e vinte e dois, como se colige do livro décimo cap. 48. e no prólogo afirma com juramento, que nenhuma coisa fingiu de quantas escreveu, e se alguma escrever, que não for conforme ao que passou, diz, que se deve atribuir aos que lha contáram, e isto mesmo podemos nós afirmar de tudo o que contarmos nesta história. 

Guillelmo Barbantino, é tido por Autor do mui nomeado livro das abelhas, que todo trata também de milagres, e exemplos. Foi da Religião de S. Domingos, homem muito devoto, e de grande virtude, do qual diz Frei Fernando de Castilho, na primeira parte da história de S. Domingos, livro segundo, capítulo sessenta e nove, que à infância de Santo Tomás trasladou de Grego em Latim todos os livros e Aristóteles, e entre outras obras que nos deixou, foi este livro Apum. E o mesmo diz o doutor João Herolt, chamado, Discípulo, alegando seus exemplos, debaixo de nome Guillelmo Brabantino, como se pode ver no Prontuário, litera L exemplo 44, página 4. e página 18. exemplo 30. e página 51. letra H. exemplo primeiro, ainda que outros por ser tão antigo lhe quiseram dar outro nome, como foi, Dionísio Cartusiano, que no Tratado que fez De particulari iudicio, no fim do artículo décimo diz, que o Autor deste livro é o que escreveu a vida de Santa Cristina de Leodi, que é o Cardeal Jacobo de Vitriaco, como dissemos no livro do Rosário, e o livro é tão excelente, que bem merece que se cuide que o fez tão grave Autor, como é um Cardeal, e de sua lição se entende, que foi Religioso da Ordem dos Pregadores.

O Mestre Frei João do monte, segundo se acha nos Autores do Rosário, foi companheiro de São Domingos, e como testemunha de vista escreveu muitos destes milagres, que em seu tempo aconteceram, e sendo companheiro de tão verdadeiro Prégador como foi o Padre São Domingos, não havia de escrever o que não visse, ou tivesse por muito certo.

Frei Alano de Rupe, foi também Religioso da Ordem de São Domingos, e homem muito douto, e espiritual, e particular devoto da Virgem, ao qual se entende, que algumas vezes ela o favoreceu com sua presença, e escrevendo seus milagres, teria por um grande pecado escrever coisa dela que não fosse verdade. Viveu este Autor pelo tempo que a Confraria do Santo Rosário se começou a renovar. Floresceu em tempo de Federico terceiro. Morreu no ano de 1464 como dizem alguns autores.

Frei Tomás do Templo, escreveu também milagres do Rosário: foi segundo, dizem alguns Autores, companheiro do Padre São Domingos, que também sem dúvida se deve cuidar  do que o seja na verdade de sua história.
Frei Alberto Castelhano de Veneza.
Frei Gianeto de Salo.
Frei Francisco Mexia.
Frei Jerónimo Vaz.
Frei Nicolau Dias.

Todos estes foram também Prégadores, e Religiosos da Ordem da São Domingos, que escreveram milagres que acharam antigos, e outros de seu tempo.

Frei Henrique Gran. Alemão, da Ordem de São Domingos, homem de grande zelo na conservação das almas, escreveu o livro que se intitula, Speculum exemplorum, ajuntando muitos de diversos, e graves Autores, e outros casos que aconteceram em seus tempos, que foi no ano de 1419. Alguns a que não contenta senão o que seu juízo aprova, o acusam de que não teve muita eleição nos exemplos que escreveu: mas estes mesmos notam a São Gregório, e ao Santo Beda, da mesma falta os quais assim como se enganáram no juízo que deixam dos Santos, se pode dizer, que também se enganariam no que deixam deste Autor, e como não sinalem exemplo particular que reprovem, não temos que nos deter em sua defensão, senão aproveitarmos do bom que escreveu, que é tudo.

Pelberto de Themesuar, Doutor, e Lente da sagrada Escritura, e mui nomeado Prégador da Ordem do Seráfico Padre São Francisco, escreveu quatro tomos de sermões, um deles intitula, Pomerium sermonum de Beata Virgine, o qual semeou todo de mui cheirosas rosas de exemplos de nossa Senhora, alegando ordinariamente seus Autores, e entre eles o Sto. Anselmo no livro dos milagres, que até agora não tem chegado por cá. Deste Autor diz Frei Francisco Penigarola, nomeado Prégador de nossos tempos em Itália, num Tratado que fez do modo de prégar, página trinta e sete, que para ter matéria de prégar basta a Summa de S. Tomás, ou Rosário de Pelberto, que tudo diz, e com muita claridade, foi impresso no ano de 1521. Sempre fala doutamente, e muito a propósito para a salvação das almas: e no livro de nossa Senhora se mostra mui particular devoto seu, e zeloso de que todo o mundo o seja.

O Doutor João Herolt da Ordem de São Domingos, que por humildade se chamou, Discípulo, natural de Alemanha, homem mui douto, e Apostólico Prégador, escreveu sermões do tempo da Quaresma, e de Santos, e um Prontuário de exemplos de todas as matérias, e outro particular de milagres de nossa Senhora.

Neste Autor se vê um grande zelo de aproveitar as almas com suas prégações, movido a deixar os pecados, e seguir a virtude, e fazer devotos de nossa Senhora de modo que não perde como dizem tino, nem palavra que não seja encaminhada a este fim: e depois de o ler todo, me parece que ele só basta para um Prégador que quiser ser Apostólico. Foi impresso em Veneza no ano de 1598.

Cartas anuais de nossa Companhia [de Jesus], é um livro, no qual andam sumadas as cartas que segundo o que se costuma em nossa Religião, se escrevem as coisas de edificação, que aconteceram em diversas partes, onde os nossos andam.

Tudo o que nelas se escreve é com grande consideração, e boa eleição aprovado por pessoas graves, e doutas. Este livro tem a mesma autoridade, que a de um historiador grave, douto, e Religioso, e que escreveu o que lhe relatáram pessoas de fé, e que afirma que foram testemunhas de vista no que contam, escritas ao modo que São Gregório, Palladio, Sofrónio, e Cesario escreveram os seus diálogos, pondo neles os exemplos que aconteceram em seu tempo, e que pessoas dignas de fé lhe contaram. E como este acontecem outros semelhantes, e não haja Gregórios, nem Jerônimos que os escrevam, é bem que não se percam, nem esqueçam, e que os creiamos como cremos as histórias de outros, que tratam de matérias profanas, nas quais soe mais perigar a verdade.

(continuação, VII parte)

29/03/2017

HISTÓRIA DOS MILAGRES DO ROSÁRIO (III)

(continuação da II parte)

Em que tempo a Santíssima mãe de Deus começou a fazer milagres no mundo.

Quando Deus criou o mar, diz a divina Escritura, que as águas andavam sobre a terra, e que depois as ajuntou em um lugar a que chamou mar, que é uma profundidade, e abismo, que quase não tem fundo. Assim havemos de entender que todas as graças gratis datas, que andam derramadas por todos os Santos, e Anjos, ajuntou Deus na Virgem Maria. E porque entre estas há duas, que são fazer milagres, e dar saúde, S. Damasceno a chama mar, e abismo de milagres. Abyssus miraculorum. E André, Cresente a chama obradora de milagres, com poder que se não pode perder. Esta excelência confirmam todos os milagres, que em todos os tempos por sua intercessão Deus fez, mas quando hajam começado, agora o declararemos.

Que antes da Encarnação do filho de Deus, a Virgem fizesse milagres, nem as histórias o escrevem, nem se acha razão para o afirmar, nem naquele tempo parece acomodado para se fazerem, pois não eram necessários para confirmação da doutrina, nem manifestação de sua santidade, como disse S. Tomás, e o mesmo se pode dizer do tempo que correu desde a Encarnação, até à Ascensão de Cristo. E se porventura fez alguns, não os sabemos, mas depois da Ascensão de Cristo, até sua morte, enquanto vivia em carne mortal, mui verossímil é que fizesse muitos, e mui grandes, porque ainda que ela não tinha ofício de pregar, como os Apóstolos, e não os fizesse para confirmação de sua doutrina, todavia eram para grande bem e acrescentamento da Igreja, e para ser conhecida por Mãe de Deus, e desta opinião é Alberto Magno, e S. Antonino, e Ruperto: e Pelbarto diz que S. Hermano, e outros santos afirmam, que vivendo fez muitos milagres, curando muitos enfermos, e deitando demónios, e ressuscitando três mortos, e que a três presos que levavam a padecer chamando por ela, se quebraram as prisões, e os que queriam prender ficáram cegos: e entre todos estes se deve contar por mui principal o que a Rainha dos Anjos fez sendo trazida por eles à cidade de Saragoça, onde mandou ao Apóstolo Santiago, que nela se fizesse uma Igreja que ainda hoje se chama do Pilar em que ela, apareceu.

O outro tempo que é da gloriosa Assunção, todo está cheio de milagres, porque assim como em todos os quatro tempos do ano, Deus manda Sol orvalho, e chuva para fertilizar a terra, assim em todos os tempos Deus manda à terra contínuos milagres obrados por intercessão de N. Senhora, para com eles se encher a Igreja de bens temporais, e espirituais. Quando começaram os que ela quis obrar por virtude do Rosário, os autores que deles escreveram o dizem, e no discurso desta história o veremos, que foi o tempo em que o Padre S. Domingos renovou esta santíssima devoção, como já na primeira parte dissemos. Mas quanto crédito se lhes deva dar, agora o declaremos.

(continuação, parte IV)

28/03/2017

SENSIBILIZAÇÃO PARA O TERÇO - PROPOSTA ACEITE


Rezar, louvar, ensinar, e propagar o Santo Rosário é mais que necessário, tanto pela honra que lhe é devido, quanto pela sua altíssima eficácia, se rezada da maneira correcta. E foi deste modo que ao longo dos séculos tem feito aqueles que querem salvar a sua alma e a dos outros. Propagar, pois, estes feitos e efeitos é para nós esperança. 

Por isto, sob proposta do blog FIDELISSIMUS e alargamento do ASCENDENS, a este ofício me uno, e desejo que os leitores do SANTO ZELO vão acompanhando as transcrições já iniciadas da obra "História dos Milagres do Rosário da Virgem Nossa Senhora", feitas por ocasião do centenário da aparição de Nossa Senhora de Fátima. Curioso é que esta mesma obra em 2017 completa o seu quadringentenário de publicação!

E enfim, quando me for indicada a parte que devo fazer, farei. Obrigada por dizerem que é para os blogs portugueses, e incluírem o SANTO ZELO.

Graves expectativas...

"Rezai o Terço todos os dias", pediu Nossa Senhora em Fátima.

(Aqui está a primeira publicação para início da leitura)

27/03/2017

SANTINHOS (I)

Amigos do SANTO ZELO,
 
o blog ASCENDENS em 2008 abriu uma secção (outro blog) destinado apenas a publicar digitalizações da sua coleção de santinhos. Este espaço é o primeiro do género, está encerrado faz anos. Que pena. Mas, foi então que apareceu a ideia do SANTO ZELO fazer a postagem da coleção ASCENDENS.
 
Que maravilha!
 
Alguns santinhos são muito interessantes, e outros muito belos; e estão em alta definição. Alguns são verdadeiros documentos da Fé. Obrigada blog ASCENDENS.

(para ampliar, aperte a foto)
 
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24/03/2017

A GLÓRIA DOS MÁRTIRES

Martírio de S. Pedro de Verona
"Indo um santo Monge à Alexandria, encontrou na selva outro monge (de quem tinha grande conceito de santidade) feito em pedaços por um leão. Com grande dor e lástima enterrou o defunto.

Mais adiante, entrou na Cidade, e viu um enterro soleníssimo; e perguntando pelo defunto, disseram-lhe o nome; tratava-se de um cidadão daquela cidade, que ele conhecia como muito vicioso e ganancioso.
Com santa ira e zelo ardente voltou-se para Deus, e disse-lhe: "Senhor, não passarei daqui até que me digais porque motivo a este homem vicioso permitis um enterro tão solene, morrendo ele em sua cama com todo o sossego e paz; e àquele santo homem as feras despedaçaram, e apenas por estes braços foi enterrado numa cova do deserto!"

E então, disse-lhe um anjo: "A razão é, porque este homem tinha algumas coisas boas, e ficam pagas com estas honras populares, o restante será pena; mas, o Monge, por algumas coisas imperfeitas que tinha, pagou-as com a morte, com o qual foi gozar diretamente da Glória. E tu, não questiones novamente, pois adora os mistérios do Senhor".

Eu confesso reparar pouco no modo de como morrer, quanto à materialidade do corpo, e muitíssimo quanto à disposição da alma. Os maiores Santos morreram despedaçados, crucificados, escarpiados, queimados, afogados; mas estes foram Mártires: mas dos Confessores, dos Simeões Stilitas, a um deles um raio matou. O Beato Jordão, varão santíssimo, Superior Geral dos Dominicanos, afogou-se num rio, sendo muito verossímil que, num e noutro, fosse água e fogo o meio agradável para chegar ao eterno refrigério, sem passar pelo Purgatório. O que importa é a disposição da Alma: e se esta é boa, faça Deus o que entender do corpo. Na Ladainha, quando se pede a Deus que nos livre da má morte, à subitanea, junta-se a improvisa, porque se ela não for improvisa, nem incauta, senão que a Alma esteja bem disposta; pouco importa que seja subitanea, e repentina." (Luz a los vivos y escarmiento en los muertos. Madrid, ano 1668, p. 64)