No mesmo dia [14 de Junho], ano de 1449 se levantou em Coimbra uma horrenda tempestade, qual nunca haviam visto os antigos. Era uma hora depois do meio-dia, quando se enlutou o ar, cobrindo-se de tão espessas trevas, como na noite mais escura; serviam de todas as partes os relâmpagos, soavam temerosamente os trovões, caiam furiosos os coriscos e raios, arrasando muitos e fortes edifícios. A chuva era imensa, e com ela caiam pedras de grandeza estranha. Na horta de Santa Cruz chegou a água a altura de dez braças: as ruas pareciam rios caudalosos, o Mondego parecia um mar: as perdas, que causou esta horrível tempestade, foram iguais à fúria dela.
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