08/03/2019

ENTRAM EM ROMA OS AUGUSTÍSSIMOS IMPERADORES FREDERICO, e LEONOR, E RECEBEM A COROA DE FERRO, E BÊNÇÃOS NUPCIAIS DA MÃO DO PONTÍFICE (9 de Março)

D. Frederico do Sacro Império Romano-Germânico e D. Leonor de Portugal.
No mesmo dia [9 de Março], ano de 1452 entraram em Roma os Augustíssimos Imperadores Frederico, e Leonor, com a maior pompa, majestade, e ostentação, que jamais havia visto aquela gram Cidade em seus antigos triunfos. Precedia o Imperador no meio de dois Legados Apostólicos, acompanhado de infinitos Cavaleiros, e Monsenhores de uma, e outra Côrte, Imperial, e Pontifícia; seguia-se imediatamente assistida de Fidalgos, e Damas Portuguesas, a senhora Imperatriz, realçando os mais singulares extremos de modéstia, e formosura, de gala, e de riqueza. Em terceiro lugar, se ostentava com insignias Reais Ladislau Rei de Hungria, e de Boemia, com todos os grandes de um, e outro Reino; ocupava o quarto, finalmente como General do Império, Alerto Arquiduque  de Áustria, a quem seguiam em vistosas, e bem ordenadas fileiras as tropas do Exército Imperial. Entre alegres, e faustas aclamações do povo Romano, que concorreu em imensa multidão, chegaram os excelsos Príncipes ao Sacro Palácio, onde em hábitos Pontificais, sentado em majestoso trono, os esperava o Santíssimo Padre Nicolau V a cujos pés prostrados fizeram religiosamente a costumada adoração, e a seu exemplo, o Rei, e o Arquiduque, e toda aquela nobilíssima comitiva. O Pontífice, com razão, alvoroçado, e por extremo alegre, recebeu a todos com paternal afecto, e singulares demonstrações de benevolência, e logo por sua mão impôs em uma, e outra Augusta cabeça, a Coroa de ferro, como a Reis da Lombardia, cerimónia precisa para receberem a de ouro, como Imperadores de Roma. No mesmo dia, receberam da mão do Pontífice as bençãos nupciais, por estar já, muito de antes, celebrado o casamento em Lisboa, aonde Frederico mandara procuração.

07/03/2019

S. LEODICIZIO, Bispo e Confessor (8 de Março)


SANTO Leodicízio Juliano [ou Leodegísio Julião], foi dez anos Arcebispo de Braga, depois treze de Toledo: em uma, e outra Igreja, se mostrou Prelado muitas vezes insigne: insigne na caridade, porque as suas rendas era o sustento dos pobres, o dote das órfãs, o resgate dos cativos, e o remédio universal de todos os necessitados: a todos assistia, a todos amparava, vivendo mais para os seus, que para si: insigne na vigilância, de que deu claras provas em cinco Concílios Nacionais, a que presidiu, um em Braga, e quatro em Toledo, dos quais saíram decretos utilíssimos ao bem comum das Igrejas de Hespanha: insigne na sabedoria, como mostrou em muitos livros, que compôs, em que disputou, com aparada pena matérias gravíssimas, tocantes à Religião: Compôs também muitas Homilias, Hinos, e Epitáfios em louvor de vários Santos, e dos Arcebispos seus predecessores: uma, e outra Igreja, a de Braga, e a de Toledo, celebra com religiosos cultos a sua festa neste dia [8 de Março], que foi de seu glorioso trânsito, ano de 690.

06/03/2019

A RAINHA Dona MARIA, mulher de D. MANOEL I. (7 de Março)

A Rainha D. Maria. Pormenor, vitral da Igreja Sta. Maria da Vitória do Mosteiro da Batalha (Portugal).
No mesmo dia [7 de Março], ano de 1517 faleceu em Lisboa, no Palácio da Ribeira, a Rainha Dona Maria, segunda mulher delRei Dom Manoel, filha dos Reis Católicos, com trinta e cinco anos de idade. Foi Princesa de muitas virtudes, singular, na da esmola, em que gastava a maior parte das suas rendas. Era muito contínua em orar, e meditar: Cozia, e lavrava com as suas Damas, e moças da Câmera, consagrando os frutos deste seu trabalho ao culto dos Altares. Era por extremo compassiva com aquelas pessoas, que de abundância caiam em pobreza. Pedindo-lhe uma viúva, que quisesse interceder com ElRei, para que lhe perdoasse a metade de uma dívida, que seu marido ficara devendo à fazenda Real, alegando, que só assim poderia amparar duas filhas, lhe respondeu a Rainha: "E não seria melhor, que ElRei meu senhor vos perdoasse a dívida toda? Ora confiai em Deus que assim se fará"; e com efeito assim se fez, por sua intercessão. Não cessava em repetir semelhantes súplicas a favor dos pobres, dos presos, dos cativos; e achando uma vez ElRei triste, e carregado, (que os Reis não são isentos das paixões de homens) e vendo, que lhe dizia, como agastado: "Senhora, não fiz já tantas cousas, que me pedistes?", a Rainha, com admirável serenidade, e discretíssima prontidão, lhe tornou, dizendo esta sentença de ouro: "Senhor, os Reis nunca hão de cansar de fazer bem". Criou seus filhos sem mimo, e por isso saíram todos, tão perfeitos, e generosos Príncipes, como viu, e admirou Europa. Edificou o Convento de Berlengas de Religiosos Jerónimos, que depois se mudou para Valbemfeito [Vale Benfeito]. Foi sepultada no Mosteiro da Madre de Deus de Xabregas, e tresladada depois para o de Belém.

D. VASCO Arcebispo de Toledo (7 de Março)


DOM Vasco, Arcebispo de Toledo, da primeira nobreza de Castela, donde foi desterrado, e despojado da sua Igreja, a impérios delRei Dom Pedro o cruel, por lhe afeiar o injusto repudio, que havia dado a sua legítima mulher, a Rainha Dona Branca de Bourbon: Achou justa proteção em Dom Pedro Rei de Portugal, primeiro do nome, o qual lhe entregou o governo do Bispado de Coimbra, onde viveu alguns anos, e morreu no de 1462 neste dia [7 de Março], com fama de Santo, e valeroso Prelado.

05/03/2019

O Beato REMISOL, Bispo e Confessor (6 de Março)


O Beato Remisol, Bispo de Viseu, grande defensor da Fé contra os hereges Arianos, que o desterraram da sua Igreja, e desterrado faleceu neste dia [6 de Março], tão cheio de merecimentos, como perseguido de tribulações.

04/03/2019

Sto. EUSÉBIO, E NOVE COMPANHEIROS MÁRTIRES (5 de Março)


Em Medelhim (uma das cinco Colónias, que em tempo dos Romanos, havia na Lusitânia) padeceram martírio, neste dia [5 de Março], ano de 134, Santo Eusébio, e nove companheiros, imperando Trajano.

03/03/2019

O Infante D. FERNANDO, filho delRei D. SANCHO I. (4 de Março)

O Infante Dom Fernando, filho II dos Reis de Portugal Dom Sancho I e Dona Dulce, foi um dos valerosos Capitães do seu tempo. Casou com Joana filha de Balduino, Imperador de Constantinopla, e senhora proprietária dos Estados de Flandes. Nas guerras (que então ardiam) entre França, e Inglaterra, se declarou contra França, e foi um dos primeiros Generais na batalha de Bovinas, na qual governava a ala direita, e Reginaldo, Conde de Bolonha, a esquerda; da parte contrária, se achava Felipe Augusto Rei de França, e o Duque de Borgonha: disputou-se a batalha com grande ardor, e ficou pelos Franceses a vitória, e o nosso Infante prisioneiro, havendo obrado tais proezas, que os seus mesmo inimigos as admiraram então, e escreveram depois. Foi levado a Paris, onde ElRei Felipe o teve em prisão muitos anos. Conseguiu liberdade em tempo de São Luís, por mediação da Rainha Dona Branca, mãe do mesmo Santo, ao qual não foi inútil esta generosidade: porque na rebelião, e guerras, que contra ele (sendo ainda menino) moveu Felipe, Conde de Bolonha, o nosso Infante saiu em sua defensa, com poderosa mão, e fez tantas hostilidades, nos estados do Conde, e lhe conquistou tantas Praças, que o constrangeu a reconhecer os seus erros, e a pedir perdão deles, rendido aos pés delRei. Teve depois guerra com Henrique, Duque de Barbante, e vindo a batalha, o venceu, e levou preso a Flandes. Passou, depois, a compor grandes turbulências, que ferviam no Condado de Namur, excitadas por Henrique de Luxemburg, onde ganhou muitas Praças por assalto, muitas por sítio, e assim reduziu à sujeição antiga todo aquele País. Não só foi famoso, e insigne nas operações da guerra, se não também nas direções do Estado, de que deu ilustríssimas provas em repetidas, e apertadas ocasiões. Faleceu em Noien neste dia [4 de Março], ano de 1233. Teve da Condessa sua mulher uma só filha, que durou pouco, e passaram os Estados de Flandes a outra irmã da mesma Condessa. Veja-se o que se diz no prólogo do segundo tomo núm. 8.

02/03/2019

RECESUINTO, Abade (3 de Março)


Recesuinto, Abade do Convento de São Martinho de Sande, na Diocese de Braga, Varão esclarecido da Ordem de São Bento em Portugal. Foi insigne Poeta, e Orador, como o testemunham as cartas, que escrevia a Santo Ildefonso, cheias de erudição, e piedade; e o elegante Poema, que compôs em louvor de Santa Engrácia, e seus dezoito companheiros. Passou neste dia [3 de Março] a melhor vida no ano de 668.

01/03/2019

S. LÚCIO, Bispo e Mártir, E SEUS COMPANHEIROS (2 de Março)


Padeceram martírio neste dia [2 de Março], São Lúcio, Bispo, e seus companheiros, Absolônio, Largo, Heráquio, e Primitivo, na Cidade de Britonia [Britânia], situada antigamente na Província de Entre Douro e Minho, imperando Nero, ano de 66.

28/02/2019

Sta. ANTONINA, Virgem e Mártir (1 de Março)

A imagem da N. Senhora da Boa Estrela esculpida na rocha, na Serra da Estrela, Covilhã (Portugal).
Santa Antonina, Virgem, e Mártir, nasceu em Portugal na antiga Vila de Cea [Seia]. Padeceu crudelíssimos tormentos em defensa da Fé, e ultimamente lançaram os tiranos na célebre lagoa, que há no mais alto cume da Serra da Estrela, que por este motivo (melhor que por outro algum) se se fez digna de tal nome, por dela nasceu para o Céu, neste dia [1 de Março], no ano de 300, uma nova, luzidíssima Estrela, não das que resplandecem no firmamento, mas, das que coroam o Empírio. 

ANO HISTÓRICO - de MARÇO

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ANNO HISTORICO,
DIARIO PORTUGUEZ


Índice de
MARÇO

Dias:

- 1 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X.
- 2 - I, II, III, IV, V, VI.
- 3 - I, II, III, IV, V.
- 4 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 5 - I, II, III, IV, V.
- 6 - I, II, III, IV, V, VI.
- 7 - I, II, III, IV, V, VI.
- 8 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 9 - I, II, III, IV, V, VI.
- 10 - I, II, III, IV.
- 11 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 12 - I, II, III, IV.
- 13 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 14 - I, II, III, IV, V, VI.
- 15 - III, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 16 - I, II, III, IV, V.
- 17 - I, II, III, IV.
- 18 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 19 - I, II, III, IV, V.
- 20 - I, II, III, IV, V, VI.
- 21 - I, II, III, IV, V.
- 22 - I, II, III, IV, V, VI.
- 23 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 24 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 25 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X..
- 26 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 27 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 28 - I, II, III, IV, V.
- 29 - I, II, III.
- 30 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X.
- 31 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
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PROTESTO


"Em observância dos Decretos Apostólicos, em nome do Autor, e meu, declaro, que as pessoas, que viveram, e morreram com fama de santidade, e os milagres, e sucessos, que excederem as forças humanas, e se referem neste livro, sem estarem aprovadas pela Santa Sé Apostólica; não têm mais autoridade, ou certeza, que a que dão os Autores, que primeiro as escreveram; e em tudo me sujeito às determinações da S. I. R. - Lourenço Justiniano da Anunciação."

27/02/2019

A Infante DONA SANCHA, filha de D. RAIMUNDO DE BORGONHA (28 de Fevereiro)

Pormenor do retábulo do altar-mór da Basílica de S. Isidoro de Leão.
A Infante Dona Sancha, filha de Dom Raimundo de Borgonha, e de Dona Urraca, filha de Dom Afonso VI Rei de Leão, e I de Castela, nasceu em Coimbra pelos anos de 1094 em que seus pais eram Condes daquela ilustre Cidade. Foi Princesa de esclarecidas virtudes. Pisadas as pompas, desprezadas as delícias, se empregou toda no amor, e serviço do Esposo Celestial. Visitou em pessoa os mais célebres santuários, não só de Hespanha, mas de França, Itália, e Palestina. Voltando a Portugal, prosseguiu no curso glorioso de acções heroicas. Erigiu sumptuosos Templos, em cujo ornato, e no socorro dos pobres, gastou muitas riquezas. Faleceu neste dia [28 de Fevereiro], ano de 1159. Jaz no Real Convento de Santo Isidoro de Leão, e seu epitáfio lhe dá os títulos de Espelho de Hespanha, Honra do Orbe, Glória do Reino, Cume da Justiça, Auge da Piedade. Louvores mui dignos das suas excelentes virtudes, e acções.
Basílica de S. Isidoro de Leão