05/03/2019

O Beato REMISOL, Bispo e Confessor (6 de Março)


O Beato Remisol, Bispo de Viseu, grande defensor da Fé contra os hereges Arianos, que o desterraram da sua Igreja, e desterrado faleceu neste dia [6 de Março], tão cheio de merecimentos, como perseguido de tribulações.

04/03/2019

Sto. EUSÉBIO, E NOVE COMPANHEIROS MÁRTIRES (5 de Março)


Em Medelhim (uma das cinco Colónias, que em tempo dos Romanos, havia na Lusitânia) padeceram martírio, neste dia [5 de Março], ano de 134, Santo Eusébio, e nove companheiros, imperando Trajano.

03/03/2019

O Infante D. FERNANDO, filho delRei D. SANCHO I. (4 de Março)

O Infante Dom Fernando, filho II dos Reis de Portugal Dom Sancho I e Dona Dulce, foi um dos valerosos Capitães do seu tempo. Casou com Joana filha de Balduino, Imperador de Constantinopla, e senhora proprietária dos Estados de Flandes. Nas guerras (que então ardiam) entre França, e Inglaterra, se declarou contra França, e foi um dos primeiros Generais na batalha de Bovinas, na qual governava a ala direita, e Reginaldo, Conde de Bolonha, a esquerda; da parte contrária, se achava Felipe Augusto Rei de França, e o Duque de Borgonha: disputou-se a batalha com grande ardor, e ficou pelos Franceses a vitória, e o nosso Infante prisioneiro, havendo obrado tais proezas, que os seus mesmo inimigos as admiraram então, e escreveram depois. Foi levado a Paris, onde ElRei Felipe o teve em prisão muitos anos. Conseguiu liberdade em tempo de São Luís, por mediação da Rainha Dona Branca, mãe do mesmo Santo, ao qual não foi inútil esta generosidade: porque na rebelião, e guerras, que contra ele (sendo ainda menino) moveu Felipe, Conde de Bolonha, o nosso Infante saiu em sua defensa, com poderosa mão, e fez tantas hostilidades, nos estados do Conde, e lhe conquistou tantas Praças, que o constrangeu a reconhecer os seus erros, e a pedir perdão deles, rendido aos pés delRei. Teve depois guerra com Henrique, Duque de Barbante, e vindo a batalha, o venceu, e levou preso a Flandes. Passou, depois, a compor grandes turbulências, que ferviam no Condado de Namur, excitadas por Henrique de Luxemburg, onde ganhou muitas Praças por assalto, muitas por sítio, e assim reduziu à sujeição antiga todo aquele País. Não só foi famoso, e insigne nas operações da guerra, se não também nas direções do Estado, de que deu ilustríssimas provas em repetidas, e apertadas ocasiões. Faleceu em Noien neste dia [4 de Março], ano de 1233. Teve da Condessa sua mulher uma só filha, que durou pouco, e passaram os Estados de Flandes a outra irmã da mesma Condessa. Veja-se o que se diz no prólogo do segundo tomo núm. 8.

02/03/2019

RECESUINTO, Abade (3 de Março)


Recesuinto, Abade do Convento de São Martinho de Sande, na Diocese de Braga, Varão esclarecido da Ordem de São Bento em Portugal. Foi insigne Poeta, e Orador, como o testemunham as cartas, que escrevia a Santo Ildefonso, cheias de erudição, e piedade; e o elegante Poema, que compôs em louvor de Santa Engrácia, e seus dezoito companheiros. Passou neste dia [3 de Março] a melhor vida no ano de 668.

01/03/2019

S. LÚCIO, Bispo e Mártir, E SEUS COMPANHEIROS (2 de Março)


Padeceram martírio neste dia [2 de Março], São Lúcio, Bispo, e seus companheiros, Absolônio, Largo, Heráquio, e Primitivo, na Cidade de Britonia [Britânia], situada antigamente na Província de Entre Douro e Minho, imperando Nero, ano de 66.

28/02/2019

Sta. ANTONINA, Virgem e Mártir (1 de Março)

A imagem da N. Senhora da Boa Estrela esculpida na rocha, na Serra da Estrela, Covilhã (Portugal).
Santa Antonina, Virgem, e Mártir, nasceu em Portugal na antiga Vila de Cea [Seia]. Padeceu crudelíssimos tormentos em defensa da Fé, e ultimamente lançaram os tiranos na célebre lagoa, que há no mais alto cume da Serra da Estrela, que por este motivo (melhor que por outro algum) se se fez digna de tal nome, por dela nasceu para o Céu, neste dia [1 de Março], no ano de 300, uma nova, luzidíssima Estrela, não das que resplandecem no firmamento, mas, das que coroam o Empírio. 

ANO HISTÓRICO - de MARÇO

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ANNO HISTORICO,
DIARIO PORTUGUEZ


Índice de
MARÇO

Dias:

- 1 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X.
- 2 - I, II, III, IV, V, VI.
- 3 - I, II, III, IV, V.
- 4 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 5 - I, II, III, IV, V.
- 6 - I, II, III, IV, V, VI.
- 7 - I, II, III, IV, V, VI.
- 8 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 9 - I, II, III, IV, V, VI.
- 10 - I, II, III, IV.
- 11 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 12 - I, II, III, IV.
- 13 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 14 - I, II, III, IV, V, VI.
- 15 - III, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 16 - I, II, III, IV, V.
- 17 - I, II, III, IV.
- 18 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 19 - I, II, III, IV, V.
- 20 - I, II, III, IV, V, VI.
- 21 - I, II, III, IV, V.
- 22 - I, II, III, IV, V, VI.
- 23 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 24 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 25 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X..
- 26 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 27 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 28 - I, II, III, IV, V.
- 29 - I, II, III.
- 30 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X.
- 31 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
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PROTESTO


"Em observância dos Decretos Apostólicos, em nome do Autor, e meu, declaro, que as pessoas, que viveram, e morreram com fama de santidade, e os milagres, e sucessos, que excederem as forças humanas, e se referem neste livro, sem estarem aprovadas pela Santa Sé Apostólica; não têm mais autoridade, ou certeza, que a que dão os Autores, que primeiro as escreveram; e em tudo me sujeito às determinações da S. I. R. - Lourenço Justiniano da Anunciação."

27/02/2019

A Infante DONA SANCHA, filha de D. RAIMUNDO DE BORGONHA (28 de Fevereiro)

Pormenor do retábulo do altar-mór da Basílica de S. Isidoro de Leão.
A Infante Dona Sancha, filha de Dom Raimundo de Borgonha, e de Dona Urraca, filha de Dom Afonso VI Rei de Leão, e I de Castela, nasceu em Coimbra pelos anos de 1094 em que seus pais eram Condes daquela ilustre Cidade. Foi Princesa de esclarecidas virtudes. Pisadas as pompas, desprezadas as delícias, se empregou toda no amor, e serviço do Esposo Celestial. Visitou em pessoa os mais célebres santuários, não só de Hespanha, mas de França, Itália, e Palestina. Voltando a Portugal, prosseguiu no curso glorioso de acções heroicas. Erigiu sumptuosos Templos, em cujo ornato, e no socorro dos pobres, gastou muitas riquezas. Faleceu neste dia [28 de Fevereiro], ano de 1159. Jaz no Real Convento de Santo Isidoro de Leão, e seu epitáfio lhe dá os títulos de Espelho de Hespanha, Honra do Orbe, Glória do Reino, Cume da Justiça, Auge da Piedade. Louvores mui dignos das suas excelentes virtudes, e acções.
Basílica de S. Isidoro de Leão

26/02/2019

FUNDA-SE O MOSTEIRO DE ODIVELAS (27 de Fevereiro)

Túmulo do Rei D. Dinis no Mosteiro de Odivelas.

No mesmo dia [27 de Fevereiro], ano de 1295 lançou a primeira pedra ao nobilíssimo edifício do Real Mosteiro de Odivelas, de Religiosas de São Bernardo, assistindo naquele acto o Bispo de Lisboa, Dom João Martins de Soalhães, e o Cabido da Sé, e toda a Nobreza, que então se achava na Corte; cresceu a obra do Mosteiro com a pressa, e com a magnificência, que pediam o empenho, e a liberalidade de tão grande Rei. Está situado no vale de Odivelas, de que tomou o nome, e é uma das mais ilustres fábricas de Portugal. A Igreja é sumptuosíssima: compõem-se de três naves, e é tão comprida, que, dividida em duas partes, uma lhe serve de Coro com três ordens de cadeiras, capaz de duzentas Religiosas; a outra lhe serve de Igreja. Nela se celebram os Ofícios Divinos com singular pompa, e majestade, e com tanta melodia, e tão suave consonância de instrumentos, e vozes, que se representa, ser aquele Coro, um dos nove de Anjos; a Igreja se vê enriquecida com preciosos ornamentos, e os Altares cobertos de prata, e uma grande Custódia, toda de ouro esmaltada, e guarnecida de pedras preciosas, peça, que excede todo o valor. Fez ElRei Dom Dinis grandes doações a este Mosteiro, com a obrigação, de que as Religiosas dele, guardassem clausura perpétua, que até então as Religiosas não guardavam. Jazem neste Mosteiro, seu fundador ElRei Dom Dinis, em magnífica sepultura para a parte da Epístola: Seu neto o Infante Dom João, filho delRei Dom Afonso IV que está na Capela de São Pedro, para a mesma parte. Dona Maria, filha bastarda delRei Dom Dinis, Religiosa professa no mesma Convento, cuja sepultura se vê na parede do claustro, que respondo à Capela de São João Baptista: a senhora Dona Felipa, filha do Infante Dom Pedro, e da Infante Dona Isabel de Aragão, e neta delRei Dom João I vê-se a sua sepultura na Sacristia; no mesmo esteve também sepultada quinze meses, a Rainha Dona Felipa, mulher delRei Dom João I.

25/02/2019

DOM Fr. JOÃO DE PORTUGAL (26 de Fevereiro)

Coro da Sé de Viseu (Portugal).
Dom Frei João de Portugal, filho dos segundos Condes do Vimioso, Dom Afonso de Portugal, e Dona Luiza de Gusmão. Sobre cinquenta anos de perfeitíssimo Religioso, na Sagrada Ordem de São Domingos, foi promovido à Mitra de Viseu, onde prosseguiu, com ilustre fama de perfeitísssimo Prelado. Foi igualmente Santo, e Douto, e como tal, compôs quatro tomos: Da graça creada, e outro, que intitulou: Casamento Cristão; outro de Louvores de nossa Senhora, e outros tratados, que se conservam impressos, e manuscritos. Faleceu em longa, e venerável velhice, neste dia [26 de Fevereiro], ano de 1629.

24/02/2019

DOM PEDRO FERNANDES SARDINHA (25 de Fevereiro)

Resultado de imagem para Dom Pedro Fernandes Sardinha
Dom Pedro Fernandes Sardinha, Varão singular em letras e virtudes, foi o primeiro Bispo do Brasil, e no ano de 1552 passou àquelas partes, e deu na Bahia a primeira forma à Igreja Catedral. Trabalhou com zelo ardente na cultura daquele vastíssimo, e bárbaro rebanho, e não menos na boa direção dos Portugueses, esquecidos até ali, pela maior parte, das obrigações de Cristãos, por falta de doutrina, e de Pastor. Para remédio de alguns males, em que havia maior obstinação, tratou de voltar ao Reino, onde esperava facilitar na piedade delRei os meios mais oportunos ao bem de tantas almas. Navegando na altura de dez graus Austrais, junto ao Rio de São Francisco, sobre furiosa tormenta naufragou a sua Nau, salvando-se ele, e mais de noventa pessoas, para correrem maior tormenta na crueldade, e voracidade dos Índios. Acudiram em grande número, os daquela terra, chamados Caétes, e mostrando primeiro compaixão, investiram com desumano ímpeto aos míseros naufragantes, tão extremamente debilitados, que sem resistência se lhe entregaram, e foram logos despedaçados, e comidos. Correu a mesma fortuna o Bispo, esperando a morte com os joelhos em terra, as mãos, e os olhos levantados ao Céu. Afirma-se, que o campo, onde caiu morto, não se adornara mais da verdura natural, e ordinária. Foi sua morte neste dia [25 de Fevereiro], no ano referido.

23/02/2019

NAUFRAGA A NAU NOSSA SENHORA. DA BARCA (24 de Fevereiro)

Igreja de S. Francisco, Cochim (Índia).
Nos fins de Janeiro do ano de 1559 partiu de Cochim para Portugal, a Nau nossa Senhora da Barca, de que era Capitão Dom Luiz Fernandes de Vasconcelos, na qual vinham quase trezentas pessoas; na altura da Ilha de São Lourenço, acharam os ventos tão rijos, e dos mares tão grossos, e cruzados, que começou a Nau, a fazer água por muitas partes, e por mais diligências, que se fizeram, não largando as bombas de dias, nem de noite, acudindo a esta fadiga, até os Fidalgos, e pessoas principais, negando-se ao descanso, e ao sustento, nada bastou, para que se aliviasse o peso, que os oprimia, e tragava por instantes. Neste último perigo, mandou Dom Luiz lançar o batel ao mar, e nele recolheu até sessenta pessoas, carga excessiva para vaso de tão pequeno porte. Havia-se apartado já o batel da Nau, mas o Capitão o mandou chegar a ela, para recolher ao Padre Frei Fernando de Castro da sagrada Religião dos Menores, Varão de virtude singular, como bem mostrou neste caso: porque, com heroica, e estupenda resolução, disse: Que antes queria perder a vida, do que desamparar tantas almas, que ficava confessando, e consolando como melhor podia; fizeram-se logo os do batel noutra volta, deixando aos da Nau entre prantos, e gemidos, que seriam os ares, e indo ainda à vista dela, a viram ir a pique submergindo-se, em um ponto, aquela grande máquina, e tudo o que ia ela. Sucedeu este lastimosíssimo naufrágio neste dia [24 de Fevereiro], do ano que acima dissemos. Os dos batel, se salvaram finalmente à custa de insuportáveis fomes, e sedes, e por entre imensos trabalhos, e perigos.