18/02/2019

O Beato Fr. ANTÓNIO DE SANTARÉM (19 de Fevereiro)

Igreja da Graça, Santarém (Portugal).
O Beato Frei António de Santarém, natural da ilustre Vila deste nome, sendo mancebo amou com terníssimos afectos a uma donzela, na qual, se era grande a formosura, ainda era maior o desvanecimento, e presunção, achaque, de que adoecem geralmente as que se pagam de si mesmas, na fé mal segura dos espelhos. Expressava-lhe o rendido amante os seus castos desejos, a fim de a merecer esposa, ao que ela com desdenhoso desenfado respondeu uma vez: "Que o seria, se ele primeiro se lavasse, muito bem lavado, nas águas do Rio Jordão". "Pois, senhora (lhe disse o rendido mancebo) se debaixo dessa condição me assegurais, que há de ser correspondido o meu amor, eu vos dou minha palavra de obedecer-vos". E ela (empenhada já no capricho de sustentar o que dissera) lhe tornou: "Pois eu a dou de ser vossa, se vos mostrares tão fino". Sem dilação partiu para Palestina, banhou-se naquele Rio, e trouxe uma redoma das suas águas, com atestações bastantes, em prova, de que havia feito aquela larga peregrinação, e peregrina fineza; a qual se rendeu a esquivez da donzela, e lhe deu a mão de esposa. Trocou-se, porém, dentro em poucos dias, aquele amoroso consórcio em triste separação, e lastimosa saudade: porque a morte lhe arrebatou dos olhos ao namorado mancebo a sua amada, deixando-lhe, entre imagens dores, profundos desenganos. 
Começou a cavar na inconstância das coisas desta vida, no frágil da beleza, no enganoso dos deleites, e gostos deste mundo, e na sombra vã das mentirosas aparências, que tanto cegam, e alucinam aos mortais: ponderava os extremos, e perigos, que fizera, e passara, pela posse de um bem tão caduco, que, como delicada flor, se murchou, e desapareceu tão facilmente: levantava os pensamentos ao Céu, e via, que só nele se gozavam as felicidades sem temor, os gostos sem sobressalto, e os verdadeiros bens, na excelência inefáveis, e na duração eternos, e rendido a tão poderosas inspirações, deixou a Pátria, e quanto nela lograva, e podia esperar, e passando-se a Castela recebeu em Toledo o hábito da sagrada Religião dos Menores, na qual começou a resplandecer com admiráveis exemplos, e progressos de santidade; passou depois a Portugal por ordem de seus Prelados, e se foi apurando cada vez mais nos realces da perfeição. Teve com os demónios contínuas batalhas, e uma mui célebre com um, que metido no corpo de certo pastor, obrava tais prodígios, que por eles lhe davam as gentes aclamações de Santos, e milagroso; mas o servo de Deus Fr. António conheceu, e descobriu o embuste, e mandando com imperiosa voz ao espírito maligno, que logo saísse daquele corpo, foram vistos manifestos sinais, de que o deixava, e constou a todos, que era tão sólida esta virtude, quão aparentes, e vãs aquelas chamadas maravilhas. Outra vez sabendo que havia metido em ferros na cadeia pública a certo homem, acusado de um grave delicto, foi a ela, e a um leve tacto das suas mãos, caíram despedaçados os grilhões, e se viram ambos em um instante no meio da praça, e com este prodígio deram por livre ao homem, e procedendo a justiça a novas averiguações, constou, que estava inocente; destes casos lhe sucederam muitos, acreditando o Senhor a sua exímia santidade de seu Servo, até que o levou para si, por meio de uma preciosa morte, neste dia [19 de Fevereiro], conforme o Martirológio da Religião Seráfica, e é contado entre os Santos Beatificados da mesma Religião [Ordem Religiosa].

S. Fr. ÁLVARO, Confessor (19 de Fevereiro)


São Frei Álvaro de Córdoba, Português, natural de Lisboa, recebeu o hábito da sagrada Religião dos Prégadores na Cidade do seu sobrenome, que por esse motivo lhe ficou, e por viver muitos anos, e finalmente morrer na mesma Cidade, onde tem públicos cultos, e venerações de Santo, há quase três séculos; acabou a carreira mortal gloriosamente neste dia [19 de Fevereiro], ano de 1420. No de 1741 o beatificou o Sumo Pontífice Benedicto XIV. 

17/02/2019

PADRE MANOEL FERNANDES (18 de Fevereiro)

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O Padre Manoel Fernandes, da Companhia de JESUS, natural da Colónia Portuguesa de Tânger, foi Varão Apostólico, e famoso Missionário do Alentejo. O seu zelo lhe ocasionou a morte, e lhe deu a Coroa de Protomártir da Companhia Europeia. Estando de Missão na Cidade de Elvas, separou a certa mulher da má correspondência, em que vivia. A pessoa interessada procurou vingar-se, e foi esperar com outros dois rebuçados aos Padre no caminho de Évora, onde com sacos de areia o moeram em forma, que o deixaram por morto; moribundo foi conduzido ao Colégio de Évora, no qual morreu breve, e gloriosamente neste dia [18 de Fevereiro] de 1555. 

16/02/2019

DONA LEONOR DE NORONHA (17 de Fevereiro)

Dona Leonor de Noronha, filha de Dom Fernando de Menezes, segundo Marquês de Vila Real, e da Marquesa Dona Maria Freire. Foi senhora de excelentes prendas, em tudo iguais à grandeza do seu nascimento. Teve largas notícias das ciências, e compôs algumas obras, que deu ao prelo, merecedoras da luz, e do aplauso universal; como foram vários tratados, a modo de Homilias, sobre os mistérios do Santíssimo Sacramento, e da Paixão: outro tratado sobre a Oração do Padre nosso: outro da história de Jó: outro, que intitulou: Princípio da nossa redempção. Traduziu de latim em vulgar as Eneidas de Marco Antonio Sabelico. Nestes virtuosos exercícios, e no exercício das virtudes todas (em que foi insigne) gastou a vida, até que a trocou pela imortal, neste dia [17 de Fevereiro], ano de 1563. Deixando, na posteridade, gloriosa fama de Santa, e sábia. 

15/02/2019

O SANTO MILAGRE DE SANTARÉM (16 de Fevereiro)

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Em Santarém, na Freguesia de Santo Estevão, se celebra neste dia [16 de Fevereiro], a sagração do Templo onde depositou o Céu aquela estupenda maravilha, que por antonomásia se chama: O Santo Milagre. Foi o caso, que certa mulher daquele povo, persuadida de outra (infiel, e maga) se arrojou a furtar uma Partícula consagrada no acto da Comunhão, e saindo da Igreja foi advertido de algumas pessoas, de que da toalha, em que cobria a cabeça (nela envolvera a sacrossanta Partícula) lhe corria copioso sangue. Atônita na vista de um portento tão raro, caminhou para sua casa, e tão alta de conselho, como cheia de temor, escondeu, a toda a pressa, em uma arca aquelas patentes provas do seu delito, para com o benefício do tempo, e maior sossego de ânimo, tomar melhor resolução. Entrou a noite, mas não entrou na pobre casa, (Palácio então do Rei Supremo) porque da arca saíam luzidíssimos resplendores, que desterravam as trevas. A tanta luz não se pode mais ocultar o sucesso e, divulgado na Vila, foi inumerável o concurso de um, e outro Estado, secular, e Eclesiástico, e com Procissão soleníssima levaram aquele tesouro inestimável a Igreja de Santo Estevão, a que pertencia esta justa restituição, por se haver feito nela o sacrílego roubo. Persevera a sacrossanta Partícula incorrupta mais há de quatrocentos, e quarenta anos, e se venera dentro de uma miraculosa âmbula de cristal, em que se achou colocada. Ignora-se o como, mas percebe-se com evidência, que é obra superior a todos os esforços da natureza, e da arte. Expõem-se em certos dias do ano aos olhos de todos, e algumas vezes a pessoas particulares. Com razão se pode prezar muito este Reino, e a nobilíssima Vila de Santarém de haver Deus obrado nele, e nela, este prodigioso Milagre. A toalha com os sinais de sangue, (como se fora vertido de fresco) se guarda com grande decência, e veneração, no Convento de São Domingos da mesma Vila. Sucedeu esta portentosa maravilha pelos anos de 1247 reinando Dom Afonso III de Portugal. 

14/02/2019

Padre FRANCISCO ANTÓNIO (15 de Fevereiro)


Padre Francisco António, natural de Lisboa, em idade de vinte, e três anos, sendo já Catedrático  de Direito Civil na Universidade de Coimbra, entrou na Companhia de Jesus no ano de 1558. Foi mandado a Sardenha com o Padre Baltazar de Pina, para fundarem o Colégio de Fasser. Trabalhou muito naquela Ilha. Em Roma foi Mestre de Noviços; foi Confessor do Santo Mártir Edmundo Campiano. Em Alemanha era o Confessor de Santo Estanislau Kostka a quem com seus conselhos dirigiu para a Companhia, e para a Bem-aventurança. Trabalhou muito em Alemanha na conservação da Santa Fé Católica Romana. A Senhora Dona Maria de Áustria usou muito dos conselhos deste Padre, e por espaço de trinta e seis anos o teve por seu Director, e Prégador. Com a mesma Senhora veio para Madrid, e a serviu até a morte. Ilustrou o Catecismo do Padre Edmundo Augerio, notando inteiros os lugares dos Santos Padres, que traz para refutar aos Calvinistas. Verteu em Castelhano as Sentenças do Papa Xisto, e os livros de Dorotheo, Nilo, e Usaías Abades. Compôs também um livro, Avisos para os Soldados; mais outro do Sacrifício da Missa. Estas obras se imprimiram em Madrid; donde se recolheu para morrer no Colégio do seu noviciado de Coimbra, onde faleceu santamente neste dia [15 de Fevereiro] de 1610. 

13/02/2019

CORRE GRANDE PERIGO A CIDADE DE COCHIM (14 de Fevereiro)

Túmulo de Vasco da Gama, na Igreja do Forte de Cochim (Índia).

Foi neste dia [14 de Fevereiro], pelos anos de 1550 memorável na Índia, porque na noite dele, investiram a Cidade de Cochim oito mil Nayres, feitos Amoucos, isto é, resolutos por voto que fazem aos seus Ídolos, de morrer matando. Começaram a executar grandes crueldades, e cortar, sem distinção, por tudo o que encontravam. Saíram-lhe mil e quinhentos Portugueses, que se ajuntaram a toda  pressa, e travou-se um obstinadíssimo combate. Os Amoucos pelejavam como feras, e sem atenção alguma ao perigo próprio, só tratavam da ofensa, e da vingança. Os Portugueses, que se viam reduzidos a um de dois extremos, sem meio, quais eram, ou vencer, ou morrer, obravam maravilhas estupendas; até que, finalmente, romperam, e derrotaram aos inimigos com morte de dois mil, e os feridos, em muito maior número. Mas não custou pouco a vitória, porque morreram cinquenta Portugueses, e também foi grande o número dos feridos.

12/02/2019

Padre D. RAFAEL BLUTEAU (13 de Fevereiro)

O Padre Dom Rafael Bluteau nasceu em Londres; estudou letras humanas em Paris; professou o Instituo de São Caetano em Florença; aprendeu ciências maiores em Verona, e Roma; foi prégador da Rainha de Inglaterra Henriqueta Maria, e Confessor do Arcebispo de Thebas. No ano de 1668 veio para Lisboa, onde foi Prepósito da Casa da Divina providência, Qualificador de Santo Ofício, e floresceu nos púlpitos, e nas Academias das belas letras da mesma Corte, e um dos primeiros Académicos da Academia Real da História Portuguesa. Este Reino lhe deve a última obra do Vocabulário Português Latino, e outras muitas composições sagradas, e profanas, impressas em quatorze tomos, todos grandes em volume, substância, doutrina, e eloquência. Em Lisboa, com noventa, e cinco anos de idade, dois meses, e nove dias, faleceu neste dia [13 de Fevereiro] de 1734.

11/02/2019

Fr. LUIZ DA CRUZ (12 de Fevereiro)


Frei Luiz da Cruz, natural do lugar da Charneca junto à cidade de Lisboa, Leigo da Ordem de São Francisco no Convento da Cidade de Málaca nos Estados da Índia Oriental, onde floresceu em virtudes, e grandes milagres, de que a Santa Sé Apostólica mandou fazer processo, e se trata da sua Canonização. Faleceu neste dia [12 de Fevereiro] do ano de 1622 com sessenta, e sete de idade. No de 1625 sendo alparca sua lançada ao mar por uma corda, e com grande fé dos navegantes, serenou uma formidável tempestade, em que se davam já por perdidos. Em benefício dos mesmos, parou o Sol três horas pela invocação deste servo de Deus. Também foram autenticados estes prodígios, e outros muitos.

10/02/2019

O Beato Fr. PEDRO DA GUARDA (11 de Fevereiro)

Convento de São Bernardino (Madeira - Portugal).
O Beato Fr. Pedro da Guarda, natural da Cidade deste nome, Religioso leigo da sagrada Religião dos Menores, Varão de simplicidade santa, e de heroica santidade: obrou em vida grandes maravilhas, e depois da sua morte as experimentam. A piedade dos mesmos Fieis lhe rende, mais há de dois séculos, venerações de Santo, e como de tal são estimadas as suas Relíquias, e os seus retratos. Sucedeu sua ditosa morte neste dia no Convento de S. Bernardino da Ilha da Madeira, ano de 1505 com setenta de idade, e quarenta de Religião. 

09/02/2019

D. PAIO PERES CORREA (10 de Fevereiro)

DOM Paio Peres Correa, Português, de quem já dissemos a nove de Janeiro, nasceu de nobilíssimo sangue na Cidade de Évora, seus pais se chamavam Pero Pires Correa, e Dona Dordea Pires de Aguilar. Foi Mestre da Ordem de San-Tiago em toda Hespanha, Capitão excelente, e grande, sem controvérsia, entre os maiores. Foi igualmente famoso em vitórias, e conquistas. Redimiu muitas Praças em Portugal, e Castela do jugo dos Mouros. No cerco, e expugnação de Sevilha, obrou proezas dignas de imortal nome. Na batalha de Lerena, vendo, que entrava a noite a favor dos infiéis, que começavam a ser vencidos, implorou, e conseguiu do Céu, que se dilatasse o dia, quanto bastou a rompê-los inteiramente. Na mesma ocasião, padecendo os seus grande falta de água, batendo com a lança em um penhasco, remediou copiosamente aquela falta; renovando, na primeira acção, a memória de Josué; a de Moisés, na segunda. Era Hespanha pequena Esfera ao seu valor, passou a Constantinopla em socorro de Balduíno, e mereceu com acções gloriosas os aplausos Imperiais, os favores Pontifícios. Voltando a Portugal faleceu neste dia [10 de Fevereiro], ano de 1275 em santa velhice, coroado, não menos de virtudes heroicas, que de gloriosos triunfos. Na Sé de Évora se faz neste dia um aniversário por sua alma.

08/02/2019

D. MARIA DE GUADALUPE, E CARDENAS (9 de Fevereiro)

Dona Maria de Guadalupe Lancastro e Cardenas, filha dos Duques de Aveiro, e Torres Noves, Dom Jorge de Lencastro, e Dona Maria de Cardenas, Duquesa de Maqueda; nasceu em Portugal a onze de Janeiro de 1630. No Reinado de ElRei Dom João IV passou à Côrte de Madrid, onde casou com o Duque de Arcos, e se distinguiu, e brilhou muito com os dotes especiosos da sua formosura, e discrição; e muito mais com as preciosas luzes das grandes virtudes espirituais, e morais com que se adornava. Teve bom conhecimento das línguas Latina, Italiana, Francesa, Inglesa, e muita agudeza, graça, e prontidão em ditos, e respostas. 
Na viva guerra, que naquele tempo havia entre Portugal, e Castela, a convidaram para ver uma Comédia, onde se fez um Entremoz Castelhano, em que tratavam mal de palavras, e obras a um Português. Uma das senhoras Castelhanas voltando-se para a nossa Portuguesa, com alegria lhe disse: "Mire Vossa Excelência, como se tratam acá los Portugueses", e a nossa Duquesa lhe respondeu com semblante grave: "Lo que hacen aqui los Españoles a los Portugueses, es burlas; pelo lo que hacen los Portugueses a los Espanholes en la campaña de Alentejo, es deveras". 
Foi naturalmente discreta, varonil, liberal, pia, e muito esmoler. Pelos livros da sua Contadoria se liquidou, que em vinte anos distribuiu com esmolas, e obras pias um milhão, e quinhentos, e trinta e seis mil, setecentos, e trinta, e noventa reais; não entrando nesta conta quarenta mil ducados, que deu para a Missão de África, que não permitiu, que fossem lançados em despesa, porque os satisfez das suas joias. Em seus Estados propagou a devoção do Rosário, que se cantava pelas ruas, e mandava perdões, e estandartes com muitas grosas de contas para os Curas repartirem pelos meninos; e estabeleceu renda para anualmente se distribuir pelos pobres da Vila de Torrijos do Estado de Maqueda, fazendo também imprimir muitos livrinhos da Doutrina Cristã, que se repartiam em semelhantes dias pelos meninos, com o sustento aos pobres, ara de melhor vontade acudirem aos divinos louvores. Os ornamentos preciosos, e mais ornatos dos Altares de todas as Igrejas dos seus Estados, e de outras da sua devoção, corriam por conta da sua despesa, e dos trabalho, e merecimento das suas mãos, e criadas. Aumentou mais quatro Curas às Igrejas de Alpujarras do seu padroado, e estado, consignando-lhes rendas, e pediu ao Arcebispo de Granada a confirmação, deixando a seus sucessores libre o encargo de elegerem os Curas, dando-se os lugares a concurso, e oposição, para que as ovelhas tivessem mais, e melhores pastores. Foi devotíssima da Rainha dos Anjos com o título de Guadalupe, e mandou, em sinal da sua escravidão, gravar em seus braços a imagem da Senhora. Debaixo dos pés desta milagrosa imagem, que é um dos maiores Santuário de Hespanha, mandou colocar uma carta de perpétua escravidão da própria letra, e sangue, em seu nome, e de seus filhos Dom João Duque de Arcos, e de Maqueda; Dom Gabriel Duque de Banhos, e aos presente Duque de Aveiro; e Dona Isabel Duquesa de Alvas. Todos os anos rendia a vassalagem da sua escravidão, mandando à Igreja de Guadalupe quatro peregrinos, que vestia, e preparava de todo o necessário para o caminho, com uma especial esmola para oferecerem em seu nome, e de seus filhos, no dia da Natividade da Senhora; e deixou renda para o mesmo dia, em todos os anos,  um dos Monges  do Mosteiro daquele Santuário oferecer, e pagar o mesmo feudo. 
Antes de morrer fundou renda para os Missionário da China, Japão, e Malavar; e sempre foi na Côrte de Madrid, bem-feitora de todos os Missionários, e procuradora dos requerimentos, e despachos das Missões. No testamento com que faleceu, deixou uma herdade no termo de Lisboa para sustento dos Missionários, que passavam ao Oriente. Deixou cinquenta pesos todos os anos sobre as casas em que vivera, para sustentar-se no Império da China um Missionário da Companhia de JESUS; declarando por última vontade, que passaria o Estado de Maqueda a esta Religião para administrar as rendas em benefício das Missões da Índia. Também deixou ao Hospital de Elche um moinho de três pedras para sustento dos pobres da Vila. Fez uma doação para rodas as Quintas-feiras, e outras festas do ano, se acenderem cinco tochas de cera na Igreja do Sacramento da Vila de Torrijos; e renda separada para limpeza da Capela, e do Altar, de Ornamentos, Corporais, e toalhas. Consignou a renda de um juro de setecentos, cinquenta mil maravedis para reparos, e ornamentos das Igrejas do Estado de Maquela, declarando, que todo o seu rendimento aplicara em utilidade, e serviço das Igrejas. Com estas, e outras muitas excelentes obras, e virtudes; com os Sacramentos da Igreja; com repetidos, e fervorosos actos de Fé, Esperança, e Caridade, faleceu preciosamente num Sábado neste dia [9 de Fevereiro] do ano de 1715 na Côrte de Madrid, com oitenta e cinco anos de idade. Jaz sepultada na Capela Mór do Mosteiro de Guadalupe, aos pés da milagrosa imagem da Senhora.