No mesmo dia [6 de Setembro], ano de 1640 nasceu em Vila Viçosa o Senhor Dom Manoel, filho dos Duques de Bargança, depois Reis de Portugal Dom João IV e D. Luisa. Morreu no mesmo dia. Jaz o Convento de Santo Agostinho da mesma Vila.
05/09/2018
04/09/2018
TRASLADAÇÃO DOS SANTOS MÁRTIRES VERÍSSIMO, MÁXIMA, E JÚLIA (5 de Setembro)
NESTE dia [5 de Setembro], ano de 1490 se fez em Lisboa, por ordem de ElRei Dom João II a Trasladação dos sagrados corpos dos gloriosos Mártires, naturais da mesma Cidade: Veríssimo, Máxima, e Júlia, do antigo Mosteiro, chamados Santos o velho, para o novo, e suntuosíssimo, que o mesmo Rei edificara, não longe do Vale de Xabregas, e a pouca distância do Tejo, em sítio sumamente delicioso, e alegre: Fez-se uma soleníssima Procissão com todas as Religiões [Ordens Religiosas], e Clero, e Cabido; e os Cónegos, e Dignidades levaram aos ombros as Sagradas Relíquias. Foram também tresladados no mesmo dia os ossos das Religiosas do Mosteiro velho, e em cofre particular os da Santa Comendadeira dona Sancha, como de pessoa digna de muito especial veneração. 03/09/2018
RODRIGO DE MOURA TELES, Arcebispo de Braga (4 de Setembro)
02/09/2018
LEVANTA elRei D.JOÃO I DE CASTELA O CERCO, QUE HAVIA POSTO SOBRE LISBOA (3 de Setembro)
Foi para Lisboa tão feliz, e alegre este dia, quanto haviam sido para a mesma Cidade, funestos, e tristes os que precederam por espaço de quase quatro meses, no ano de 1384. Nos fins de Maio do mesmo ano veio ElRei Dom João I de Castela sobre Lisboa, e a sitiou por mar, e terra. Por terra, com um poderoso, e luzido Exército de cinco mil lanças, mil ginetes, seis mil besteiros, e grande número de Infanteria. Por mar, com uma Armada de quarenta Naus, e três Galés, e muitos Navios menores: um, e outro poder, naval, terrestre, se foi engrossando cada vez mais do discurso do assédio. Com ElRei veio a Rainha dona Beatriz sua mulher, Dom Carlos, Infante de Navarra, e grande número de Senhores da primeira nobreza. Alojou a Corte naquela parte Ocidental à Cidade, onde hoje se vê a Igreja, chamada Santos o velho. Tomou o restante do Exército os postos convenientes, e fechou, e impediu em circuito a entrada a socorros, e bastimentos. Achava-se Lisboa com poucas prevenções; nos populares, ainda que unidos, e valorosos, faltava a disciplina; nos nobres, a união: os viveres eram poucos, a gente inumerável, e a maior parte inútil: os socorros estavam longe, e incertos: os inimigos à vista, e poderosos. Bastavam estas considerações a desmaiar mais destemido coração; mas era maior, que todos os perigos o ânimo sempre invencível do Mestre de Avis. A sua presença influia tão generosos brios nos Portugueses, que, não só temiam, mas desprezavam a soberba dos Castelhanos. Por muitas vezes entre uns, e outros houve grossas escaramuças naquele lugar, que delas se chama ainda, Campolide, e quase sempre inclinava a fortuna a favor dos sitiados, ficando com grande perda os agressores; donde veio, que ElRei de Castela se persuadiu a que lhe eram mais seguros os vagares do assédio, do que as pressas da expugnação, e que mais facilmente se haviam de render os Portugueses à fome, do que ao ferro. Discorria com bem fundada ideia, pelas notícias, que lhe chegavam por muitos desertores da extremidade, em que Lisboa se achava: Porque passados com trabalhos os primeiros meses, começou a ser tal a falta de mantimentos que eram sem número os que pereciam. Valeram-se das ervas mais agrestes, e das cousas mais imundas, e nocivas; entregando-se mais depressa à morte, pelos mesmos caminhos por onde lhe queriam fugir. Era grande a lástima ver os meninos pendentes dos braços das mães, estadas abraçadas com eles, sem meios, nem esperanças de poderem sustentar aquelas vidas, que amavam mais que as próprias. tudo eram lágrimas, gemidos, e clamores ao Céu, sem refúgio, ou remédio na terra. Este era o estado da Cidade, ou não era este, porque transcendem todo o encarecimento as misérias, e aflições, que os sitiados padeciam; mas com tão firme, e inalterável constância, que por elas pode competir este sítio com os mais apertados, e gloriosos, que defendeu o valor, e celebrou a fama. Porém haveria de ceder, enfim, o desejo dos defensores, se a mão de Deus, sempre propícia a este Reino, não acudira por meios não esperados. Caiu sobre o Exército, e Armada de Castela uma tão furiosa peste, que chegou a levar cada dia a cento e cinquenta, e a duzentas pessoas; logo passou a cortar sem respeito pelos grandes, e levou deles um grande número; até que sem atenção às Altezas (porque é muito mais alta a sua jurisdição) chegou a ferir a Rainha. A este golpe cedeu finalmente elRei, e mandou levantar o campo neste dia [3 de Setembro], em Sábado do ano referido.
01/09/2018
HORRENDO TERREMOTO NA ILHA DE S. MIGUEL (2 de Setembro)
No mesmo dia [2 de Setembro], ano de 1630 em Segunda-feira, pelas nove horas da noite, teve princípio um horrível terremoto na Ilha de S. Miguel, com impulso tão veemente, que o Relógio da Cidade de Pontedelgada dava badaladas sucessivas, na forma com que se costuma tocar a fogo; o mesmo faziam os mais Sinos da cidade, a que se ajuntava o ruído das casas, e cousas, que nelas havia, que todas se abalavam, ou tremiam; com que de improviso se viram os moradores ocupados de um horror mortal, perdido o alento, e o acordo; continuaram os tremores, com poucos intervalos, até a uma hora depois da meia-noite, e então soou um medonho, e fortíssimo estampido, rebentando na Serra uma boca de ardentes, e furiosas chamas, que em um instante devoraram imenso número de árvores, grande cópia de gado, e dois lugares inteiros, e perto de duzentas pessoas. Passado este primeiro ímpeto, mas sem passar o temor de maiores danos, na Quarta-feira seguinte (a que com razão podemos chamar de Cinza) começou a chover tanta, e tanto se, intermissão, que em algumas partes subiu a dez, e a doze palmos de altura, e em outras a vinte, e trinta. Durou esta tristíssima inundação três dias, e três noites, fazendo tão dilatado giro, que se afirma chegara a sessenta léguas de distância. Na mesma Quarta-feira (a que também podemos chamar, com muita propriedade, de trevas) se escondeu a luz do dia em tão escura cerração, que não se viam os homens uns aos outros: tudo eram sombras, e assombros, tudo horrores, tudo lágrimas, tudo aflições mortais! Fizeram-se muitas procissões, grandes, e nunca vistas penitências, supondo aquele miserável povo, que era chegado o fim da sua vida. durou a consternação perto de onze dias, alterando-se neles o temor, e a esperança, conforme crescia, ou abrandava o abalo da terra, e o furor das chamas. 31/08/2018
A Rainha D. DULCE, MULHER delRei D. SANCHO I. (1 de Setembro)
DONA Dulce, Rainha de Portugal, mulher delRei Dom Sancho I filha de Dom Ramon Berenguer, Conde de Barcelona, Príncipe de Aragão, e de sua mulher Dona Petronilha, Rainha de Aragão. Morreu em Coimbra neste dia [1 de Setembro] de 1198. Jaz na Capela mór de Santa Cruz da mesma Cidade com ElRei seu marido. Não temos especiais memórias suas, mas se pelos frutos se conhece a bondade da árvore, não podia deixar de ser de santa vida, pois sabemos, que foi mãe de três filhas Santas, de três Rainhas, de três filhos Soberanos, como dizemos em outros lugares.
ANO HISTÓRICO - de SETEMBRO
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ANNO HISTORICO,
DIARIO PORTUGUEZ
ANNO HISTORICO,
DIARIO PORTUGUEZ
Índice de
SETEMBRO
Dias:
1 - I, II, III, IV.
2 - I, II, III.
5 - I, II, III, IV.
6 - I, II, III, IV, V.
7 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
8 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
9 - I, II, III.
10 - I, II, III, IV, V.
11 - I, II, III, IV.
12 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
13 - I, II, III, IV.
14 - I, II, III, IV, V.
15 - I, II, III, IV, V.
16 - I, II, III, IV, V.
17 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
18 - I, II, III, IV.
19 - I, II, III.
20 - I, II, III, IV, V, VI.
21 - I, II, III, IV, V, VI.
22 - I, II, III, IV, V, VI.
23 - I, II, III.
24 - I, II, III, IV.
25 - I, II, III.
26 - I, II, III.
27 - I, II, III, IV, V.
28 - I, II, III.
29 - I, II, III, IV, V, VI.
30 - I, II, III, IV, V.
19 - I, II, III.
20 - I, II, III, IV, V, VI.
21 - I, II, III, IV, V, VI.
22 - I, II, III, IV, V, VI.
23 - I, II, III.
24 - I, II, III, IV.
25 - I, II, III.
26 - I, II, III.
27 - I, II, III, IV, V.
28 - I, II, III.
29 - I, II, III, IV, V, VI.
30 - I, II, III, IV, V.
PROTESTO
"Em observância dos Decretos Apostólicos, em nome do Autor, e meu, declaro, que as pessoas, que viveram, e morreram com fama de santidade, e os milagres, e sucessos, que excederem as forças humanas, e se referem neste livro, sem estarem aprovadas pela Santa Sé Apostólica; não têm mais autoridade, ou certeza, que a que dão os Autores, que primeiro as escreveram; e em tudo me sujeito às determinações da S. I. R. - Lourenço Justiniano da Anunciação."
"Em observância dos Decretos Apostólicos, em nome do Autor, e meu, declaro, que as pessoas, que viveram, e morreram com fama de santidade, e os milagres, e sucessos, que excederem as forças humanas, e se referem neste livro, sem estarem aprovadas pela Santa Sé Apostólica; não têm mais autoridade, ou certeza, que a que dão os Autores, que primeiro as escreveram; e em tudo me sujeito às determinações da S. I. R. - Lourenço Justiniano da Anunciação."
30/08/2018
HENRIQUE DIAS (31 de Agosto)
Henrique Dias, Negro por nascimento, claríssimo por acções começou a servir nas guerras de Pernambuco, com um Terço dos da sua Nação, desde o tempo, em que Matias de Alburquerque governava aquela Província, e desde então começou a ser flagelo de Holandeses. Vez houve, em que lhe viram matar cinco por sua mão; de tal sorte o temiam, e aos seus Negros, que já para os da guerra os reputavam invencíveis. Em certa ocasião lhe passaram uma bala a mão esquerda, e logo a mandou cortar, por fazer a cura mais breve, dizendo: Que ficava mui contente com a direita, que lhe bastava para matar Holandeses em serviço do seu Rei; assaltou, e rendeu muitas Praças, e Fortalezas de grande consideração, e costumava chegar-se aos muros, e lançar o seu bastão dentro neles, e dizia aos seus Negros, que ou todos haviam de morrer com ele, ou haviam de resgatar a insígnia do seu Cargo. Defendeu outras Praças contra toda a esperança, até que desesperavam os invasores; militou desde os princípios desta guerra, e chegou ao fim logrando a glória de lhe deverem em grande parte aqueles povos a sua liberdade ElRei Dom João IV que então Reinava, lhe fez mercê do hábito de Cristo, que ele prometeu não pôr no peito, se não depois de expulsado o Holandês, e assim o cumpriu pontualmente. Faleceu neste dia [31 de Agosto], ano de 1661 deixando, apesar da cor, esclarecida fama. 29/08/2018
O Padre VICENTE DA RESSURREIÇÃO (30 de Agosto)
O Padre Vicente da Ressurreição, Cónego secular da Congregação de São João Evangelista, formado em Cânones, Doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra, Qualificador do Santo Ofício, Examinador das Ordens Militares, Protonorário Apostólico, Juiz da Legacia, Conservador das Religiões [Ordens Religiosas] de São Bento, de São Bernardo, da Trindade, de Belém, da Cartuxa, e de todas as confrarias de Nossa Senhora do Rosário, que então havia em Portugal: Foi dos primeiros discípulos do grande Soares [Francisco Suárez], o qual costumava dizer: Que daria por bem empregada a sua vinda a este Reino, ainda quando nele não colheram outro fruto, mais que o de ter um tal discípulo, como o Padre Vicente da Ressurreição. Era conhecidamente douto em Teologia, Cânones, Leis, Medicina, e Matemática. Tinha uma grande livraria, mas ainda era maior a sua memória; porque não se lhe apontava cousa alguma das que se continham no seus livros, que ele logo não prosseguisse a matéria com admirável formalidade, e apontando o Capítulo. Sem o seu conselho não obravam os Núncios, e de todos geralmente o Salomão Lusitano. Sendo Geral da sua Congregação do Evangelista, faleceu em S. Bento de Xabregas neste dia [30 de Agosto], ano de 1636.28/08/2018
MORTE GLORIOSA DE D. CRISTÓVÃO DA GAMA (29 de Agosto)
RECONHECE PORTUGAL AO VERDADEIRO PONTÍFICE URBANO VI (29 de Agosto)
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| Papa Urbano VI. |
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| Rei D. Fernando I de Portugal. |
27/08/2018
MORRE ElRei D. AFONSO V (28 de Agosto)
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