Diogo Martins da Costa de idade de vinte anos, natural da Praça de Mazagão, filho de Gaspar Álvares Faleiro, Cavaleiro Fidalgo e professo na Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Isabel Rodrigues da Costa; servia a ElRei nosso Senhor naquela Praça contra os inimigos da fé, com um cavalo seu. Foi cativo numa peleja, que houve entre os Portugueses e Mouros em 16 de Maio de 1719 no campo chamado do Facho das Lagens, ficando debaixo do cavalo que lhe mataram, não sendo possível nunca livrá-lo por mais diligências que os nossos fizeram; por serem os inimigos mais de quinhentos de cavalo, e outros tantos Infantes. Seu irmão Fernão Gonçalves da Costa, também Cavaleiro da Ordem de Cristo, no ano de 1723 lhe tinha ajustado o seu resgante, e indo Diogo Martins da Costa, que se achava cativo em Mequinez, pedir licença, e carta para Tituão a ElRei, este lhe perguntou: "és Mouro, ou Cristão?", e respondendo ele: "Cristão por graça de Deus"; e o rei lhe disse: "se te converteres à minha Lei, te deixarei com vida"; a que ele [então] repetiu, "que nenhuma cousa o obrigaria a deixar a Religião, que professava" sobre o que mandou o rei, que lhe dessem uma carabina e disparando-a não deu fogo; e pedindo outra lhe sucedeu o mesmo. Vendo Diogo Martins, que sem dúvida lhe tirava a vida a barbaridade daquele Príncipe, começou a pedir perdão dos seus pecados a Deus nosso Senhor, batendo muitas vezes nos peitos; e perguntando o rei aos seus, que era o que fazia aquele Cristão; e dizendo-lhe, que daquele modo pediam os Cristãos misericórdia a Deus, mandou que lhe dessem muita bofetada; mas não satisfeita a sua tirania com este género de tormento, mandou, que todos os da sua guarda lhe atirassem; o que logo executaram fazendo-lhe o corpo em pedaços. Depois do que todos os Príncipes da Côrte, que estavam com o rei, e os da sua guarda, arrancando os alfanges, lhos metiam o corpo para os banharem de sangue Cristão, e alimpando-os, tornavam a ensanguentar, fazendo disto acto de sua religiosidade. Esteve o cadáver exposto a esta barbaridade desde às nove horas da manhã até às três para quatro da tarde, em que foi levado para o Convento, que os Religiosos de São Francisco Recoletos tem na mesma Cidade de Mequinez, os quais o fizeram sepultar num sítio sagrado, que fica uma légua distante da Cidade, onde se costuma dar sepultura aos Religiosos e Cristãos. Sucedeu este caso neste dia [8 de Junho], ano de 1723.
07/06/2018
06/06/2018
FUNDAÇÃO DO MOSTEIRO DE PENHA DE CARMELITAS DESCALÇAS EM BRAGA (7 de Junho)
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| Pormenor da fachada do Convento em Braga (Portugal). |
05/06/2018
NASCE ElRei D. JOÃO III (6 de Junho)
No mesmo dia [6 de Junho], ano de 1592 nasceu no Paço da Alcaçova de Lisboa, o Príncipe Dom João, que depois III do nome foi Rei de Portugal, filho delRei D. Manoel, e de sua segunda mulher a Rainha D. Maria. Ao tempo do seu nascimento se desatou uma terrível tormenta de chuvas, relâmpagos, trovões e raios, qual nunca haviam visto os antigos.
04/06/2018
O SANTO INFANTE D. FERNANDO (5 de Junho)
03/06/2018
S. DACIANO, Mártir (4 de Junho)
São Daciano, insigne poeta, Filósofo e Jurisconsulto: nasceu em Mérida, cabeça da Lusitânia naqueles tempos. Passou a viver a Roma, onde logrou singulares estimações: o famoso Marcial o louvou mais de uma vez nos seus Epigramas, e coloca entre os Varões mais insignes daquela idade. O Santo Sumo Pontífice Evaristo [5.º Papa] o converteu à Fé, e por ela sacrificou constantemente a vida, e conseguiu a Coroa de martírio neste dia [4 de Junho] ano de 120.
02/06/2018
Sto. OVÍDIO, B. C. (3 de Junho)
Santo Ovídio, natural de Roma, da primeira nobreza daquela Cidade, convertido à Fé pelos sagrados Apóstolos São Pedro e São Paulo. Foi mandado a Espanha, e entrando em Portugal, foi pouco depois eleito prelado de Braga, o terceiro, naquela dignidade. Resplandeceram nele todas as virtudes, como em pontual imitador de tão soberanas ideias. É advogado dos ouvidos, em que tem feito maravilhas singulares. Jaz seu corpo na Catedral de Braga, com esta inscrição: Ossa Beati Ovidii Episcopi Bracharensis.
VIRGEM BENDITA SEM PAR
VIRGEN BENDITA SIN PAR
por Pedro de Escobar (Porto, 1465 - Évora, 1535).
Virgen bendita sin par
de quien toda virtud mana
vos sois digna de loar.
Vos sagrada emperadora
deshicisteis el engaño
y remediasteis el daño
de la gente pecadora.
De los ángeles Señora
vos querais tal gracia dar
que no podamos pecar
contra aquel que carne humana
de vos le plugo tomar.
De vos canta Salomón
toda y en toda hermosura
entre las espinas rosa
saliste en perfección.
A vos el alto varón
se humille en devoción
que sois bendita sin par
de quien toda virtud mana
vos sois digna de loar.
01/06/2018
NAUFRÁGIO DA NAU S. GONÇALO (2 de Junho)
Rechaçada de uma furiosa tempestade, e reduzida ao último perigo de submergir-se, foi demandar a terra na altura do cabo da Boa Esperança a nau São Gonçalo, em que iam 230 pessoas, e de que Capitão Fernão Lobo de Meneses. Acertaram a surgir numa baía, a que chamaram Formosa, por ter de boca 3 léguas e de circunferência 5; lançaram ali ferro; neste dia [2 de Junho], ano de 1630 ainda que a nau se achava aberta por muitas partes, entraram em consideração, se toda via, a poderiam consertar; e sendo preciso esgotar-lhe muita água que trazia dentro em si, desceu a este fim um homem à arca da bomba, que necessitava alimpar-se, e não voltou: desceu segundo e terceiro, e vendo, que não voltavam, lançaram outro atado numa corda, o qual achando mortos os companheiros, fez sinal para que o alassem, e alado velozmente, apareceu em cima quase expirando: era a causa o fertum veementíssimo da pimenta molhada, que de repente lhe sufocava a respiração. Saíram em terra 100 pessoas, ficando na nau 130, perseverando na dúvida de a poderem reparar; mas esta foi a sua total ruína, porque, sobrevindo um horrendo furacão, a levou a umas penhas, onde se fez em pedaços, e quantos nela estavam. qual seria o palmo, e a dor dos que ficaram naquela praia, mais é para considerar-se que dizer-se. Dispostos, porém, a se valerem de todos os meios que podia servir ao seu remédio, trataram de recolher as coisas da nau, que o mar lhe arrojava; e com outras, que antecedentemente havia posto em salvo, e com as que lhe oferecia a terra, por extremo fértil naquele sítio, começaram a passar com alguma comodidade, e a fabricar duas pequenas embarcações, em que outra vez se entregassem ao arbítrio do mar: semearam sementes várias, para lhe lograrem os frutos, e os lograram em grande abundância: assim o peixe que colhiam com muita facilidade: também não lhes faltavam vacas e carneiros, que a troco de ferro, lhes davam os Cafres: falavam estes, não com vozes inteiras, senão com um certo modo de estalos; a sua maior fala é o excremento dos bois, de que se barram: observou-se entre outras particularidades, que na manhã de São João apareceram com coroas de várias ervas. É o país muito sadio, sem pedra alguma, levantado e estendido em montes e vales, e há neles densíssimos arvoredos e muita diversidade de plantas e frutas de excelente sabor e cheiro suavíssimo, há todo género de aves e brutos terrestres e marinhos que conhecemos e de outros não conhecidos. Prosseguiam os Portugueses (suprindo as indústrias a falta de muitos materiais) na fábrica das duas embarcações e finalmente as puseram no mar, divididos, porém, na intenção, porque uns queriam voltar à Índia, e outros prosseguir a jornada à Portugal: os primeiros conseguiram o intento: os segundos, sobre várias calamidades, vieram a perder-se na barra de Lisboa.
31/05/2018
D. PAIO GALVÃO, Cardeal (1 de Junho)
ANO HISTÓRICO - de JUNHO
(voltar ao índice Geral)
ANNO HISTORICO,
DIARIO PORTUGUEZ
Índice de
JUNHO
Dias:
- 1 - I, II, III, IV, V, V, VI.
- 2 - I, II, III.
- 3 - I, II, III, IV.
- 4 - I, II, III.
- 5 - I, II, III, IV.
- 6 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 7 - I, II, III, IV.
- 8 - I, II, III, IV, V, VI.
- 9 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 10 - I, II, III, IV.
- 11 - I, II, III, IV, V, VI.
- 12 - I, II, III.
- 13 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 14 - I, II, III, IV, V.
- 15 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 16 - I, II, III.
- 17 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 18 - I, II, III.
- 19 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 20 - I, II, III, IV, V, VI.
- 21 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 22 - I, II, III, IV.
- 23 - I, II, III, IV, V.
- 24 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI.
- 25 - I, II, III, IV.
- 26 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 27 - I, II, III, IV.
- 28 - I, II, III, IV.
- 29 - I, II, III, IV, V, VI.
- 30 - I, II, III, IV.
- 2 - I, II, III.
- 3 - I, II, III, IV.
- 4 - I, II, III.
- 5 - I, II, III, IV.
- 6 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 7 - I, II, III, IV.
- 8 - I, II, III, IV, V, VI.
- 9 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 10 - I, II, III, IV.
- 11 - I, II, III, IV, V, VI.
- 12 - I, II, III.
- 13 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 14 - I, II, III, IV, V.
- 15 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 16 - I, II, III.
- 17 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 18 - I, II, III.
- 19 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 20 - I, II, III, IV, V, VI.
- 21 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 22 - I, II, III, IV.
- 23 - I, II, III, IV, V.
- 24 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI.
- 25 - I, II, III, IV.
- 26 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 27 - I, II, III, IV.
- 28 - I, II, III, IV.
- 29 - I, II, III, IV, V, VI.
- 30 - I, II, III, IV.
PROTESTO
"Em observância dos Decretos Apostólicos, em nome do Autor, e meu, declaro, que as pessoas, que viveram, e morreram com fama de santidade, e os milagres, e sucessos, que excederem as forças humanas, e se referem neste livro, sem estarem aprovadas pela Santa Sé Apostólica; não têm mais autoridade, ou certeza, que a que dão os Autores, que primeiro as escreveram; e em tudo me sujeito às determinações da S. I. R. - Lourenço Justiniano da Anunciação."
"Em observância dos Decretos Apostólicos, em nome do Autor, e meu, declaro, que as pessoas, que viveram, e morreram com fama de santidade, e os milagres, e sucessos, que excederem as forças humanas, e se referem neste livro, sem estarem aprovadas pela Santa Sé Apostólica; não têm mais autoridade, ou certeza, que a que dão os Autores, que primeiro as escreveram; e em tudo me sujeito às determinações da S. I. R. - Lourenço Justiniano da Anunciação."
30/05/2018
NASCE ElRei D. MANOEL (31 de Maio)
No mesmo dia [31 de Maio], em Quinta-feira, ano de 1469 nasceu em Alcochete o felicíssimo Rei D. Manoel: esteve a Infante D. Brites sua mãe em grande tribulação ao tempo do parto: este se dificultava, as dores cresciam, os remédios saiam infrutuosos. Celebrava-se no mesmo dia a festa do Corpo de Deus, e no ponto, em que chegou o Senhor na Procissão às portas da casa, onde o Infante se achava, lutando com os perigos da morte, começou de novo a viver, e a ser mãe de um filho que ditosamente saiu a luz, o qual, se soubera falar, podia dizer com grande propriedade ao mesmo Senhor, o que antigamente lhe dizia David: In te projectus jum ex utero: Saí do ventre de minha mãe a prostrar-me em vossa presença. Nos outros nascimentos, se diz, que influem as Estrelas, neste, influiu o Sol, e Sol Divino; é sempre dúvida, que esta soberana influência promete no recém-nascido Infante um famosíssimo Rei; virá tempo, que o logre Portugal, e o admire o Mundo.
29/05/2018
LARGA AFONSO D'ALBUQUERQUE A CIDADE DE GOA (30 de Maio)
Neste dia [30 de Maio] largou Afonso de Albuquerque a Cidade e Ilha de Goa, por não se achar com poder de a defender do Hidalcão, e se recolheu com o precioso da Cidade, e com todos os Portugueses na Armada, na qual se defendeu valorosamente de todo o poder do inimigo, e lhe tomou a Vila e Fortaleza de Pangim, aproveitando-se das suas munições de guerra e mantimentos, de que muito necessitava; e sem aceitar as pazes que o Idalcão lhe oferecia, se fez à vela para Cananòr a refazer-se, e a esperar mais oportuna ocasião para vir outras vez sobre Goa, como veio, e a tomou gloriosamente, como noutro lugar diremos.
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