28/05/2018

Soror CLARA DE JESUS (29 de Maio)

No mesmo dia [29 de Maio], ano de 1607 no Religiosíssimo Convento da Madre de Deus de Xabregas, passou da vida temporal à eterna, a Madre Clara de JESUS, muito celebrada naqueles tempos pela inocência da sua vida, e pela suavidade da sua voz, a qual empregava nos louvores Divinos com grande frequência e com admirável ternura. Estando já nos braços da morte cantou suavíssimamente aquele Terceto de Santa Teresa:

Vivo sin vivir en mi,
y tan alta vida espero,
que muero, porque no muero.

E vendo, que já se achava muito enfraquecida, e a voz igualmente quebrada, disse com muita graça:

Acaba Sor Clara,
e acaba a sua fala.

Mas ainda cantou três vezes o verso do Salmo 50: Tibi soli peccavi; e com estas palavras na boca, os olhos no Céu, e o coração em seu amado Esposo, acabou ditosamente a vida.

27/05/2018

Fr. PEDRO DE MELGAR (28 de Maio)

Frei Pedro de Melgar, benemérito filho da Sagrada Religião dos Menores, foi Varão de vida inculpável, primeiro, e principal fundador da Santa Província da Piedade neste Reino, a primeira de Capuchos, que nele houve, donde saíram o Fundadores das outras, que florescem nas Espanhas e Índias. Os Escritores antigos da sua Ordem lhe dão o título de Beato. Faleceu santíssimamente neste dia [28 de Maio], no Convento do Bosque, junto á Vila de Borba, ano de 1516.

26/05/2018

PROSSEGUE-SE O MILAGRE DO DIA PRECEDENTE (27 de Maio)

No mesmo dia [27 de Maio], ano de 1663 estando na Ermida de N. Senhora da Piedade de Santarém as mesmas pessoas, que no dia precedente ali se acharam, e outras muitas, que concorreram de novo, rogando toas a Deus, por intercessão de sua Santíssima Mãe, para que se apiedasse deste Reino, e lhe desse victória de seus inimigos, tendo todas os olhos nas Soberanas Imagens da mesma Senhora, e de seu Filho morto, se viu patentemente, que a deste Senhor levantava o rosto para cima, e juntamente o corpo, em forma, que ficou muito mais levantado do que estava nos braços da Senhora, ficando os rostos de ambos tão chegados um ao outro, que dificultosamente havia lugar de caber pelo meio deles um dedo, sendo que dantes estavam desviados em forma, que cabia bem uma mão travessa. E outrossim se viu o sangue da mesma Sacrossanta Imagem de cor muito viva, e fresca, estando dantes denegrido, e encoberto.

25/05/2018

D. FRANCISCO XAVIER DE MENESES, Conde de Ericeira (26 de Maio)

Dom Francisco Xavier de Meneses, Conde da Ericeira, do Conselho de Sua Majestade, Deputado da Junta dos três Estados, Governador da Cidade de Évora, Director e Censor da Academia Real Portuguesa, que ainda felizmente vive, honra e perpetuamente honrará a República Literária, como em tudo filho único, e herdeiro do morgado das letras da casa de seu pai Dom Luiz de Meneses, de quem acima falamos. Querendo fazer comunicável a Universidade das suas belas letras e dirigir corações, tirando destas as especulações inúteis, instituiu no seu palácio um congresso de pessoas eruditas com o título de Academia Portuguesa, cujas Leis se compreendiam em vinte e dois preceitos. Neste dia [26 de Maio], ano de 1717 principiaram as assembleias desta Academia, e se continuaram todas as quartas-feiras de tarde até ser incorporada esta Academia na Real Portuguesa. Naquela, em cada um dos seus Congressos, havia sempre uma lição de Filosofia moral, outra de Filologia, assuntos para dissertações, Matemáticas, Físicas, Morais, e Críticas, e para versos, questões sobre a língua Portuguesa, e um extracto das notícias literárias da Europa. Assistiam às conferências os Senhores Cardeais, Núncios, Embaixadores, e as pessoas mais ilustres, e doutas da Corte.

24/05/2018

VICTÓRIA RODRIGUES (25 de Maio)

NVila de Portimão do Reino do Algarve, faleceu neste dia [25 de Maio], ano de 1736 em idade de setenta e oito, Victória Rodrigues, mulher, que foi de Manoel Vaz, mareante, a qual havendo nascido em 19 de Maio de 1658 e casando em 6 de Setembro de 1677 viu noventa e um descendentes seus, nos graus de filhos, netos e bisnetos; porque havendo tido onze filhos, dos quais casaram nove, teve deles cinquenta e seis netos, de que só casaram seis, que produziram vinte e quatro bisnetos; e assim, no espaço de cinquenta e nove anos, que há desde o tempo em que casou, deixou vivos oitos filhos, trinta e nove netos, e vinte e quatro bisnetos, havendo-lhe falecidos dezessete netos e três filhos.

23/05/2018

Fr. JOÃO DE S. TOMÉ (24 de Maio)

Convento de N. Senhora da Graça (Lisboa - Portugal).
Frei João de S. Tomé, Eremita Augustiniano, Pregador e Confessor dos Reis D. João I e Dom Duarte: Varão famoso em letras; e por  elas chamado naqueles tempos o segundo [Santo] Agostinho. Foi um dos Teólogos, que ElRei D. Duarte mandou ao Concílio de Basileia, onde conseguiu merecidas estimações. Depois o mandou Eugénio IV a Constantinopla com o Cardeal Dom Antão Martins, convidar para o Concílio de Florença o Imperador de Constantinopla, negócio, que felizmente se conseguiu; Martinho V lhe deu o nome de Doutor insigne: leu muitos anos Filosofia e Teologia na Universidade de Lisboa com grande aplauso, e igual utilidade dos ouvintes. Faleceu neste dia em longa velhice no Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa, ano de 1442.

22/05/2018

DESCOBRE-SE NO BRASIL A PROVÍNCIA DO ESPÍRITO SANTO (23 de Maio)

Catedral Metropolitana de Vitória - E.S
Está situada na Nova Lusitânia a Província do Espírito Santo, em altura de 20 graus a Cidade do Sul da Cidade da Bahia, e se estende por duzentas  e quarenta léguas de Costa, entre as províncias de Bahia, e São Vicente.  A povoação capital, é de quinhentos vizinhos, e por se lhe dar princípio no ano de 1525 neste dia , em que então caiu na festa de Pentecostes, se chamou do Espírito Santo, e deu o nome a toda a Província . Também lhe chama a Vitória, por uma insigne, que alcançaram sessenta e oito portugueses de inumerável multidão de gentios. Está a cidade fundada em lugar eminente a um formoso Rio, com bom porto para navios ordinários, entre densos bosques, e altíssimos rochedos. Nestes, se entende, que tem escondido ricas minas de pedras preciosas; daqueles, se tira copioso bálsamo, medicinal, e frangantíssimo, sangrando os troncos de certas árvores em certos tempos.

[Nota no blogue: Dados do séc. XVIII.]

21/05/2018

SANTO ATO ou ATÃO (22 de Maio)

Santo Ato, que outros chamam Atão, foi Português (na mais provável opinião) natural de Beja: partiu deste Reino para Roma a visitar os lugares Sagrados daquela Cidade. Atraído da fama que corria por toda a parte, do rigor com que viviam os Monges da Congregação de Valle Umbrosa [Beneditinos, fundado por S. João Gualberto], os foi visitar, e entre eles recebeu o hábito no ano de 1125 onde aproveitou tanto no caminho da perfeição, que transferido para o Bispado de Parma, São Bernardo de Ubersio, Geral que era da mesma Ordem, foi eleito por seu sucessor o nosso Santo Português, oitavo na Série dos Gerais. No tempo do seu governo procedeu com admirável prudência, profunda humildade, e suavíssima mansidão. Edificou de novo muitos Mosteiros, e aperfeiçoou outros muitos. O Clero da cidade de Pistoria [Pistoia] o pediu a Inocêncio II para seu Bispo, e o Pontífice o obrigou por obediência a que aceitasse a Dignidade. Nela, nem mudou o hábito, nem os costumes da Religião: governou aquela Igreja vinte anos com insignes mostras de piedade; passou a logro da Coroa imortal neste dia [22 de Maio], ano de 1153. Na vida, e depois da morte resplandeceu em milagres.

20/05/2018

CHEGA A LISBOA O FAMOSO DIOGO BOTELHO (21 de Maio)

"Vila de Dio" (Índia).
No primeiro de Setembro de 1535 partiu da Índia (como no mesmo dia dizemos) o valoroso Português Diogo Botelho, e vencidos imensos trabalhos, por mares também por imensos, superadas horríveis tempestades, e sofridas com admirável constância as fúrias e injúrias dos Elementos [naturais], numa embarcação de dezoito pés de comprido e seis de largo, sobre nove meses de viagem, cortando desde o Oriente até o Oceaso, chegou finalmente neste dia [21 de Maio], ano de 1536 com poucos companheiros a Portugal; enchendo o mesmo  Reino de admiração e alvoroço. Este, pela nova que trazia, de terem já os Portugueses Fortaleza em Dio; aquela, pela não imaginada ousadia dos que trouxeram a mesma nova. Estava ElRei D. João III em Almeirim, e mandou que a fusta em que viera Diogo Botelho, fosse levada lá para ver com os olhos, o que não acabava de crer, porque se fazia todos geralmente incrível. Depois lhe mandou pôr o fogo, por sugestão néscia de alguns ministros, que instavam, em que era inconveniente saber o mundo, que um lenho tão leve podia domar de pólo a pólo a fúria, e braveza do Oceano, como se fosse igualmente fácil conhecer os perigos e entrar neles. Não conseguiu Diogo Botelho (posto que ao princípio foi bem recebido) os prémios de que era merecedor por aquela grande façanha; que, enfim, não tem competente satisfação os serviços mais assinalados.

GLORIOSO MARTÍRIO DE S. MANÇOS (II parte)

(ver aqui a I parte)

Altar de S. Manços, bispo e mártir.
Quis Validio com prorrogar a vida, fazer mais cruel o martírio do Santo, e da maneira que estava, pondo-lhe uns grilhões nos pés, o mandou servir numa pedreira, donde se arrancava pedra para as obras públicas da Cidade, e as noites passava no cárcere com os pés metidos no tronco, comendo tão pouca cousa, que dificilmente bastava para viver, quado o não sustentara a graça daquele por quem padecia tantos trabalhos. Viam-no Cristãos e Gentios, uns com lástima, outros com gosto: uns para edificação, outros para escárnio: e todos para admiração de tanta constância e sofrimento: e como no meio de seus trabalhos não deixasse de pregar quanto podia a lei de Jesus Cristo e de converter muitos a seu conhecimento, foi avisado o Presidente que se não pusesse remédio, se batizaria o povo todo, por onde foi chamado o Santo segunda vez a juízo. "Se conheces (lhe disse Valídio vendo-o ante si) que a dilação da morte nasce de minha clemência e a vida conservada entre tantos trabalhos, da benignidade dos deuses, agradecer-lhe-ás a eles o benefício de te darem tempo pra os conhecer e aplacares sua indignação: honra-os com sacrifícios como fazem os  Príncipes do Império, e eu o farei a ti com os cargos e dignidades que couberem em tua pessoa, e quando não ser-me-há força abrandar com ferro  a força de tua contumácia." Lhe tornou o Santo: "A experiência passada e a prontidão para outra semelhante, bastavam para te mostrar o pouco que podem comigo temores de teus tormentos, e o gosto com que me vês buscar a morte, o pouco caso que posso fazer das honras e pretensões da vida. Assim que minha lei é a de Cristo, meu nome é ser de Cristão, minha confissão sempre uma [única], e minha determinação morrer por ela: e se no particular dos deuses queres saber o que sinto, é serem na verdade mortos e insensíveis, e só vivos nas aparências, e não terem mais de divinos, do que nos troncos das árvores, e as pedras dos rochedos." Lhe respondeu Valídio: "perdidos são os bens em que busca descanso nos males, e pois tanto os estimas, fartar-te-e-mos à vontade.Dito isto, o mandou estender no cavalete, e atado mui cruelmente, o fez açoutar com varas, revezando-se os algozes depois de muito cansados, e não farto do muito sangue que lhe via correr de todas as partes do corpo, com novos instrumentos o espedaçaram, e lhe abriram a carne até os ossos, sofrendo o Santo: cansando os algozes; e desesperando Validio de ver sua crueldade vencida de tanta paciência: e como estivesse consigo cuidando algum novo modo de martírio com que satisfazer sua indignação, e lastimar o Santo, ele que sentiu chegar-se a hora de seu trânsito, pelo muito sangue que já tinha derramado, pediu a Deus o recebesse em seu Reino, e ouvindo uma voz do Céu que o chamava a receber a Coroa e palma de triunfo, deu aquela venturosa alma a seu Criador, que muitos dos presentes viram sair, e voar ao Céu em figura de pomba branca, deixando o corpo chagado nas mãos do tirano, que lastimado de ver que lhe faltava sujeito em que executar sua fúria, o mandou tanto que foi noite enterrar num monturo, com os grilhões e cadeias que tinha na ocasião do martírio. E como o tempo a que o levaram foi oculto, e a perseguição fez ausentar os Católicos, perdeu-se a memória do lugar em que o Santo corpo jazia (...)."
(Segunda Parte da Monarchia Lusytana em que se continuam as história de Portugal, etc.)

18/05/2018

VALOROSO SEBASTIÃO DE SOUTO (19 de Maio)

No mesmo dia [19 de Maio], ano de 1638 morreu na Bahia o valoroso Sebastião Souto, cujo nome era terror dos Holandeses, morreu de um mosquetasso pelos peitos, que recebeu no conflicto do dia (ou noite) antecedente. Era natural de Quintaens [Quintiães] termo da Vila de Barcelos; deixou geral sentimento a perda de um tal homem, em que até então contenderam sem ventagem o valor, e a fortuna. Era incansável nas operações bélicas, repetia prontíssimo as entradas contra os inimigos, sempre com sucessos felizes. Com poder limitado, e volante os trazia, sem cessar, inquietos, e temerosos. Foi excessivo o número dos que a mãos do seu valor, e indústria perderam, ou a vida, ou a liberdade.

17/05/2018

CHEGA VASCO DA GAMA À ÍNDIA (18 de Maio)

No mesmo dia [18 de Maio], ano de 1498 avistou Vasco da Gama as Serras eminentes à Cidade de Calicut [Calecute], e lançou ferro no porto da mesma Cidade, Côrte do Zamorim, Rei ou Imperador do Malavar; havendo atravessado o grande Golo de setecentas léguas, desde a Costa de África, até aquela remotíssima região, a que propriamente chamamos Índia, situada entre os dois celebrados Rios Ganges, e Indo, a qual deste tomou o nome, cujos habitadores são os nossos Antípodas; e então foi, quando os Portugueses deram a conhecer  o Mundo ao Mundo,  o qual até ali não se conhecia inteiramente a si mesmo.  Então foi, quando fizeram patente, e comprovada uma verdade, que até ali se reputava ficção, então foi, quando lançaram ferro, onde não haviam achado fundo os homens mais sábios. Lactânio Firmano e Santo Agostinho, em muitos partes, negam haver Antípodas: São Gregório Nazianzeno, aprovando a opinião de Pindaro, famoso Poeta Grego, dizia, que não era navegável o Oceano além das Colunas de Hércules, que é o Estreito de Gibaltar. Aristóteles com a sua escola, afirmava, que a Zona tórrida não era habitável, e o mesmo diz Plínio, e Virgílio nas Georgicas, e no Livro sétimo das Eneidas, e Ovidio, no primeiro dos seus Metamorfózeos, e todos os que escreveram sobre esta matéria, foram do mesmo sentimento. Estava antigamente tão assentada esta opinião, que pelos anos de 925 foi preso em Roma Virgílio Bispo Celiburgense, por defender a contrário, e foi castigado com graves penas, e constrangido a dizer-se em público, chegou enfim, neste dia o famosíssimo Português Vasco da Gama com as proas dos seus navios aonde não haviam chegado homens tão grandes, nem ainda com a imaginação.