11/05/2018

BEATO D. NUNO ÁLVARES PEREIRA (12 de Maio)

Estátua do Beato Nuno Álvares Pereira junto ao Mosteiro dominicano de Sta. Maria da Vitória  (Portugal).
Dom Nuno Álvares Pereira, nobilíssimo heroi Português, e Atlante da Coroa Portuguesa: Famoso igualmente nas direções políticas, e nos casos militares: Nestes, foi tão singular e tão feliz, que o mesmo era entrar nas batalhas, que vencê-las, e entrou nelas com sucessiva repetição; sendo sempre inferior o seu Campo, superior o dos contrários, e por vezes mais duplicado: foi açoute dos Castelhanos, os quais tremiam até do seu nome: Depois quiseram impor o de ficções às suas proezas; mas nem então lhe puderam rebater os golpes da espada, nem depois escurecer os lustres da memória; elRei D. João I (que foi Rei afortunado, porque teve por Vassalo um D. Nuno Álvares) lhe deu grandes estados, e títulos, e entre outros o de Condestável de Portugal, que depois dele andou sempre nas pessoas Reais; também lhe dava o Reino do Algarve, que ele não aceitou, havendo-se com bizarria tão generosa, quanto fora generosa a oferta. Coroou as suas memoráveis façanhas com a maior de todas, desprezando as vaidades do mundo, e recolhendo-se ao Insigne Convento do Carmo de Lisboa, fundação sua, onde, vestindo o hábito de Donato, acabou a vida santíssimamente. Foi casado com Dona Leonor de Alvim, Senhora muito ilustre, de quem teve uma única filha a Senhora D. Brites Pereira, a qual casou com o Dom Afonso, filho delRei Dom João I que foi o primeiro Duque de Bragança, e por esta via ficou sendo Dom nuno Álvares, Progenitor de todos os Príncipes da Cristandade.
A Igreja de Santo Condestável em Lisboa (Portugal), na ocasião de sua inauguração em 1951.
O corpo de seu padroeiro repousa do interior da igreja. 

O Venerável PADRE ANTÓNIO DA CONCEIÇÃO (12 de Maio)


O Venerável Padre António da Conceição, chamado vulgarmente em Portugal, o Beato António, foi natural da Vila do Pombal, e filho da Congregação do Evangelista, e nela um resplandescente Sol da santidade: como tal, era buscado de toda a nobreza do Reino, e Estado Eclesiástico, e povo, e nele achavam todos, perenes, e admiráveis efeitos de intercessão para com Deus. Com sete tostões, que lhe deram de esmola de umas Missas, deu o princípio à suntuosíssima Igreja de São João Evangelista de Xabregas, e prosseguiu a obra com patentes socorros de providência superior; batendo com o bordão numa penha, saiu dela uma fonte, que ainda hoje por esta causa, se chama a fonte do Santo; e na água da mesma fonte, e terra da sua sepultura experimentam os fieis contínuas maravilhas. A causa da sua Beatificação chegou em Roma aos últimos termos de conseguir-se; mas suspenderam-se as diligências por motivos que não são do nosso assunto. Morreu santíssimamente neste dia [12 de Maio], ano de 1602 com 80 de idade e 50 de Religião.

SÃO CRISPÓLITO, Bispo e Mártir (12 de Maio)

Em Britonia, Cidade antiga da Província dentre o Douro e Minho, situada entre Viana e Ponte de Lima, padeceu martírio São Crispólito, Bispo da mesma Cidade: Depois de atrozes tormentos o serraram os algozes pelo meio, e assim dividido o corpo, voou inteiro, glorioso, e triunfante o espírito a gozar da Coroa imarcescível neste dia [12 de Maio], pelos ano de 316.

10/05/2018

COMETA NOTÁVEL (11 de Maio)

No mesmo dia [11 de Maio], ano de 1582 em Sexta-feira, apareceu um Cometa o Céu, que nascia sobre o monte de Santa Ana de Lisboa, com o pé numa estrela, e a ponta direita a Almada, a feição era de um ramo de palma muito comprido, durou até vinte e sete deste mês.

SÍNTESE BIOGRÁFICA DO Ven. Fr. ROQUE DO ESPÍRITO SANTO - por Diogo B. Machado

Emblema da Ordem da Santíssima Trindade para a Redenção dos Cativosna fachada da igreja de São Carlos nas Quatro Fontes (1638-1641) em Roma.
Frei Roque do Espírito Santo, era natural da Vila de Castelo Branco do Bispado da Guarda. Teve por pais a Francisco Martins da Costa, Doutor em Direito Civil pela Universidade de Paris e a Inês da Gaia sua primeira mulher [pois na viuvez casou-se uma segunda vez], e por meio irmãos a Bartolomeu da Fonseca Colegial do Colégio Real de S. Paulo, e Deputado do Conselho geral do Santo Ofício: Fr. Egídio da Apresentação, Eremita Augustiniano Catedrático de Véspera em Universidade de Coimbra, e ao Doutor Diogo da Fonseca do Conselho  supremo de Portugal em Castela.

Recebeu o hábito da ilustre Ordem da Santíssima Trindade do Convento de Santarém no ano de 1541, onde depois de estudar as ciências severas, que compreendeu com felicidade e ensinou com sutileza, subiu ao lugar de Provincial por quatro vezes, em cujo exercício reduziu a Religião [a Ordem Religiosa] à sua primitiva observância, e fundou o Colégio de Coimbra, e o Convento de Ceuta. Como o maior brasão do seu instituto seja resgatar os Cristãos do bárbaro cativeiro dos Mouros, se dedicou a este piedoso ministério com tão ardente zelo, que sendo eleito Comissário geral da Redenção libertou 3000 Cristãos que gemiam nas masmorras de África. Meditando ElRei D. Sebastião a jornada de África o dissuadido com forte instância para a não executar, como prevendo o trágico fim que fatalmente o esperava. Recebendo a notícia infausta da batalha de Alcacer pelo Cardeal D. Henrique lhe ordenou que partindo do Convento de Ceuta onde assitia fosse a Marrocos resgar o Duque de Bragança, e outros Fidalgos, cuja incumbência desempenhou com grande crédito da sua prudência. Rejeitou heroicamente as Mitras de Goa, Lamego, e Viseu, sendo o seu maior empenho obedecer, do que mandar.
Chegada a hora de passar para a eternidade, exortou os circunstantes que observassem exactamente o seu instituto, e pedindo-lhes, que cantassem o Credo, naquelas palavras Carnis resurrectionem & vitam aeternam, voou o seu espírito ao Impírio a 11 de Maio de 1590. Foi sepultado no pavimento da Capela mór, com grande concurso de pessoas de ambas as Hierarquias fazendo-lhe o ofício da sepultura o bispo de Targa Deão da Capela Real. Sobre a sepultura se lhe gravou este epitáfio:

Qui jacet hic clarus captivorum juste Redemptor
Exititit, ac hujus Religionis amor.
Ille reformato primus fuit ordine Praeful
Et morum pretio nomen in astra tulit.
Terrestres liquit tractus, renuitque Tyaras
Evolat ad superas vita soluta plagas

Passados 27 anos que  estava sepultado o seu cadável na Capela mór foi transferido por diligência do Pe. Fr. Rafael Dias, castelhano de nação, Visitador da Província que depois foi Bispo de Mondonhedo a um nicho aberto na parede do Claustro, junto da porta do Refeitório, e a 7 de junho de 1617 se lhe gravou a seguinte inscrição ainda que errada no mês da sua morte:

Venerabilis Pater Fr. Rochus à Spiritu Sancto,
Religionis splendor, virtutum exemplar,
Captivorum solatium, sapientia clarus.
Post multos exantlatos labores pro ipsis quorum plusquam triam militia redemit,
Regni Tyaris contempltis magna captivorum, & Religionis jactura,
maximo omnium desiderio feliciter obiit v. Idus Octobris anno 1590 & hic tumulatus jacet. ..."

(Bibliotheca Lusitana, v. III)

09/05/2018

NASCE O GRANDE PATRIARCA DA HOSPITALIDADE S. JOÃO DE DEUS (10 de Maio)

Neste dia [10 de Maio], ano de 1495, nasceu o grande Patriarca da Hospitalidade São João de Deus na Vila Montemor-o-Novo. Tomou o Céu por sua conta festejar o seu nascimento com luminárias de um extraordinário resplendor, que cobriu a sua pobre casa; hoje Igreja, e Convento da Religião [ordem religiosa] que fundou; com repiques dos sinos da Paróquia, sem serem movidos por impulso algum humano; e com revelações do que seria o nascido. O que foi, já dissemos noutro dia, e melhor o tem dito, e canonizado a Igreja, e o vemos, e veneramos nos altares.

08/05/2018

DESBARATA FERNÃO LOPES DE ANDRADE UMA PODEROSA ARMADA SOBRE MALACA (9 de Maio)

Pouco depois de conquistada a Cidade de Malaca pelo Grande Afonso de Albuquerque, se animou um poderoso Gentio de Nação Jào, chamado Pate Unuz, com intento de lançar dela aos Portugueses, e enchendo de expectação os Príncipe vizinhos, pôs no mar uma Armada de noventa velas, guarnecidas de grossa artilharia, grande cópia de munições, e doze mil Combatentes; era então General daquele mar Fernão Lopes de Andrade, ilustre Capitão, o qual apercebendo dezessete velas com trezentos e cinquenta Portugueses, e alguns naturais da terra, saiu a encontrar os inimigos. É desta uma das relações em que sai a público a verdade, com temor de ser tida por ficção: Encontraram-se as duas Armadas, e travando-se em duríssima peleja, que durou muitas horas, veio, finalmente, a declarar-se a vitória pelos Portugueses, postos os Jàos em vergonhosa fugida, ficando grande parte das suas velas, ou na mão dos vencedores, ou metidas a pique, ou entregues ao fogo: Encheu esta vitória (sucedida neste dia [9 de Maio], ano de 1512) de admiração, e terror às Nações confinantes, as quais fundaram de novo na experiência do nosso valor o conhecimento da sua debilidade.

DOM ANTÓNIO FILIPE CAMARÃO (9 de Maio)

Dom António Filipe Camarão, de Nação Índio, e entre os Índios, nobre por nascimento, e nobilíssimo por acções, agregando a si muitos de seus naturais, veio socorrer e servir aos Portugueses nas guerras de Pernambuco, onde militou dezenove anos, sempre com grande nome, e merecida fama de prudente, e valoroso Capitão. Era universalmente  estimado, e se fazia estimar, pela gravidade, juízo, e valor, com que se sabia haver em todas as ocasiões militares, e civis: Pelejou vezes sem número com os Holandeses, e outras tantas vezes os venceu. foi Mestre de Campo de um Terço de Índios, e os trazia tão obedientes, e bem disciplinados, que podiam ser exemplo aos das Nações mais cultas, e mais destras. ElRei D. Filipe IV (em cujo tempo já servia com grande reputação) lhe deu o hábito de Cristo, e licença para usar de Dom, e o posto de Capitão General dos Índios do Brasil. Foi não menos religioso, que soldado: Nunca entrou em batalha, sem primeiro se prevenir com os Sacramentos: ouvia todos os dias Missa, e todos os dias rezava o Ofício de N. Senhora; faleceu neste dia [9 de Maio] com grandes mostras de piedade, ano de 1648.

A SENHORA D. MARIA PRINCESA DE PARMA (8 de Maio)

D. Maria de Portugal
(by António Moro - 1550)
A Princesa D. Maria filha mais velha dos Infantes D. Duarte, e D. Isabel, foi dotada de singulares virtudes, e excelentes prendas: Falava a língua Latina com expedição, e elegância admirável; da Grega teve muitas notícias, assim da Filosofia, e Matemática, e de outras Ciências; na lição da Sagrada Escriptura, se empregava com aplicação particular, e dela, e dos Santos Padres colheu muitas sentenças de que usava na prática, e com que se a fervorava no amor de Deus, e das virtudes, e ascendia o mesmo amor, nos corações dos que a ouviam. Passava muitas horas do dia em Oração mental, muitas na vocal, e muitas em tecer, ou coser para ornato dos Templos, ou para abrigo dos pobres. Foi honestíssima em palavras, e acções, e dizia: Que da virtude da honestidade, mais que de outra alguma se deviam prezar, e gloriar as mulheres; por esta causa se furtava (quanto lhe era possível) aos actos públicos, e muito mais aos livros em que achava a menor sombra de indecência. Jamais quis dar o braço a algum dos Cortesões que a serviam: Estilo que sempre teve mais melindre, que de necessidade. Desposada com o Príncipe Alexandre Farnezio, terceiro Duque de Parma, e de Placência, Alferes mór da Igreja, e famosíssimos Governador de Flandes. E conduzida a Flandes (como em outros lugares dizemos) partiu para Itália, onde foi recebida com grandes festas, e maiores admirações das suas estremadas virtudes; com o exemplo delas reformou a Cidade de Parma, e especialmente o Palácio; fez arrancar muitos abusos que havia, e introduziu vários exercícios de devoção; e piedade: Teve dois filhos e uma filha, que foram das suas Orações: Rainuncio, sucessor da Casa, e, Odoardo Cardeal de Santo Eustáquio, Bispo Tusculano, e Margarida Duquesa de Mantua,... foi Freira em Placência. Aplicou-se com vigilantíssimo cuidado em os criar no amor e temor Santo de Deus e, amando-os, mais que a sua própria vida, dizia com muitas veras: Que antes os queria ver mortos, do que caídos em alguma culpa grave: Dito, que aprendeu da Rainha D. Branca mãe de S. Luís [IX]. O príncipe seu marido a venerava, não só como a Santa, mas como a poderosa protectora; na célebre batalha de Lepanto entrou com ímpeto juvenil numa galé de Turcos, e esteve em grande perigo de perder a vida, ou a liberdade; e estranhado-lhe seu tio D. João de Áustria aquele extremo valor, que tocava em temerário, lhe respondeu: Que lhe ficava em casa o seguro de todos os perigos, aludindo às Orações da Princesa sua mulher. No tempo que o Príncipe andou nas guerras (que foi largo) governou os Estados de Parma, e Placência, com suma inteireza, e igualdade: Era negócio de admiração o grande juízo, e acerto, com que resolvia os pontos de maior dificuldade, nas coisas e causas de uma e outra justiça, a que dá os castigos, e a que distribui os prêmios; razão, porque de todos era singularmente amada; e tida em suma veneração.
Correspondeu aos progressos de tão santa vida uma preciosa morte, na qual deu singularíssimas provas de constância, de paciência, de resignação, de desprezo das cousas temporais, e de apreço, e ânsia das eternas. Morreu neste dia [8 de Maio] ano de 1577 em Parma, onde até hoje se conservam vivas a memória, e a saudade desta esclarecida Princesa. Compôs um Directório espiritual, cheio de sentenças dos Santos Padres, e de altíssimas ponderações, que lhe foi achado depois de sua morte entre as suas joias de maior preço, e por ele regulou sempre as suas acções. Escreveu a vida desta Senhora o Padre Sebastião de Moraes da Companhia [de Jesus], seu Confessor, que depois foi o primeiro Bispo do Japão.

07/05/2018

JURA-SE EM COIMBRA O MISTÉRIO DA CONCEIÇÃO (8 de Maio)


No mesmo dia [8 de Maio], ano de 1639 foi jurado o Mistério da Conceição da Virgem MARIA N. Senhora pelo Sínodo celebrado na Cidade de Coimbra, sendo Bispo Dom João Mendes de Távora.

DESCOBRE-SE A ILHA DE S. MIGUEL (8 de Maio)


No mesmo dia [8 de Maio], ano de 1444 foi descoberta a Ilha de São Miguel, assim chamada em razão da feita que hoje celebra a Igreja ao Arcanjo do mesmo nome. Foi descoberta por Frei Gonçalo Velho, Comendador de Almourol da Ordem de Cristo, mandado pelo Infante Dom Henriques. Dista de Lisboa duzentas e oitenta léguas, tem de comprimento dezoito, de largo sete. É fresca de bons ares, e cristalinas águas. Há nela dez Conventos, trinta e duas Paróquias, cinco Vilas e uma Cidade, que chamam Pontedelgada com uma famosa Fortaleza.

[Nota do blogue: Dados do séc. XVIII.]

O Beato Fr. BERNARDO DE MORLANS (8 de Maio)

O BEATO Frei Bernardo da Ordem dos Pregadores, Religioso de grande Santidade, a quem Cristo Senhor nosso falou por meio de uma imagem sua, em que se representa menino (a qual se venera ainda hoje no Convento da mesma Ordem em Santarém) e o convidou para o banquete da Glória, e juntamente a dois venturosos discípulos seus de pouca idade, aos quais ensinava as boas Letras, e muito melhor os bons costumes. Todos três foram achados mortos ao pé do Altar da Santa Imagem em dia da Ascensão no fim daquela hora em que se representa o mesmo mistério, na qual o mesmo Senhor lhe predissera, que os havia de levar para si. Sucedeu este maravilhoso caso neste dia [8 de Maio], em que então caiu aquela solenidade, ano de 1277.

[Vista 360° do Convento de Cristo: Clicar aqui]