23/04/2018

DESCOBRE-SE O BRASIL (24 de Abril)


Corria o felicíssimo ano de 1500 (felicíssimo pelo caso que imos a referir) quando Pedralves Cabral, ilustre, e valeroso Cavaleiro, navegava de Portugal para a Índia numa poderosa Armada, e sobre quase um mês de navegação, (...), descobriu neste dia 24 de Abril (em que então caiu a segunda Oitava da Páscoa) uma nova terra, (...). Ao longe divisavam os venturosos navegantes altíssimas serras, repartidas em diferentes figuras, a que serviam as nuvens de faxa, que as cingia. A meia vista apareciam distintos, o verde dos arvoredos, o eminente dos montes, o espaçoso dos campos, por extremo alegres, e aprazíveis. Mais ao perto se viam claramente alvejar as formosas praias, e nelas em grande número as barras, e os rios, e aquelas com o seguro das suas bocas, estes com o estrondo das suas águas, quebradas nos penedos, parecia, que estavam chamando os novos hóspedes, para que fosse lograr de tanta delícia, e formosura. Certo já em que era verdadeira terra a que viam, se deram justamente os parabéns de tão importante (...) descobrimento, de que logo Pedralves Cabral mandou aviso a elRei Dom Manoel, em cujo tempo chegavam à Corte de Lisboa umas, e outras as novas felizes, e alegres; Posto que então senão considerou tão importante este descobrimento, quanto depois mostrou a experiência; é a América uma nova parte do Mundo, ou um novo Mundo à parte; Abraça quase dez mil léguas no já descoberto de Castela, e Portugal; ignorada por tanto séculos da experiência dos Pilotos, e do estudo dos sábios ainda se lhe não penetrou o interior, cortado daquelas admiráveis serranias, a que os Castelhanos chamaram Cordilheira, que por longíssimo curso dilatam a sua extensão, proporcionada a sua altura, espantosamente inacessível ao voo das mais ligeiras aves, e isenta dos vapores da terra, e das inclemências do ar, superior às suas, e aos ventos, e a todas as impressões meteorológicas; Na maior força deles, e delas, goza de Céu sereno, fazendo verdadeiro o fabuloso Olimpo. Os Pirenéus, e os Alpes são Pigmeus, à vista destes grandes corpos: Os que sobem a eles pisam nuvens do meio para cima, e quando chegam ao cume, parece-lhe, que andam as mesmas nuvens sobre a terra. Este grande corpo da América estende dilatadíssimos braços, um o rio das Amazonas ao norte, outro o rio da prata ao Sul, com que cinge, e abraça aquela vastíssima região, a que chamamos com muito próprio, e não menos pomposo nome, a Nova Lusitânia: A terra é um pintado mapa sempre verde, sem que já mais se desarme a tapeçaria, de que a vestiu a natureza, porque conservam todo o ano a folha dos seus arvoredos, e vê-se já levantada em oiteiros, já estendida em campinas, povoada de bosques, abundante de pastos, retalhada de fontes, e rios, sempre a mesma, e sempre varia. As suas águas são mais puras, e cristalinas, tanto as do mar, como as dos rios; em muita distância da praia se estão vendo no fundo distintas as conchas, e as áreas. As árvores são de tão desmedida estatura, que parece caminham com as pontas a romper as nuvens, a grossura a esta proporção. Não é menor nelas a utilidade, que a corpulência, antes são todas utilíssimas para os usos humanos; Tais são os Cedros, os Angelins, os quase Evanos, os Jaracandás, os Brazis, os Bálsamos, os Copaibás, os Cajus, e outras. As ervas, e as plantas, são infinitas na diferença, e admiráveis nas propriedades: Entre outras, é singular a erva, que chamam Viva: Em lhe tocando na ponta de um de seus ramos, logo toda ela, e todos eles, (como mostrando sentimento) se murcha, e encolhem de repente, até que, passada a primeira cólera, tornam em si, e se estendem, e dilatam os ramos, como dantes. Também é admirável a erva, chamada da Paixão, cuja flor representa a Cruz, as cinco Chagas, a Coluna, a Coroa, o molho dos açoutes, e os três cravos. Os frutos, por extremo saborosos, não são, (como nas outras terras) tributo anual, senão sucessivo, e perene, porque quando se vão sazoando uns, já vem nascendo outros. As flores, ainda que geralmente, cedem às da Europa em fragrância, excedem em formosura: Assim as aves, não são tão destras, nem tão suaves na música, mas são muito mais bem pintadas, e mais vistosas. Os gados são imensos, e em muitas partes se matam, só para lhes aproveitarem as peles, de que se fazem grandes carregações. Mas as carregações maiores, e de maior preço, são as dos açúcares, e tabacos, drogas tão estimadas, de que tanto abunda o Mundo novo com inveja do antigo; Ainda este a tem maior às preciosas minas, de que aquele se vê enriquecido pelo Autor da natureza; Podemos dizer daquela terra com muita propriedade, que tem as entranhas de ouro, e os torrões de açúcar. Os ares são tão puros, que nunca deram entrada ao mal da peste, e observam um tal temperamento, que não se percebem as rigorosas diferenças de Verão, e do Inverno, este mais se conhece pela chuva, que pelo frio. Começa aquele em Setembro, este em Março. São iguais os dias, e as noites com brevíssimos crepúsculos. Na parte do céu, que lhe fica dominante, logram os olhos a bizarra vista, e benévola influência de luzidíssimas estrelas, entre as quais é admirável um Cruzeiro, que se compõem de quatro, e outra mais, que lhe forma o pé. Brasão, o mais nobre do hemisfério Antártico, guia segura dos navegantes, delícia, e enleio dos olhos. É habitada esta vastíssima Região de várias Nações de Índios em tanto número, que se podem comparar as folhas das árvores: São gente fera, e bruta, que vive ao som da natureza, quase se rasto de humanidade, sem arte, sem polícia alguma, mais parecem brutos em pé, que homens racionais. São de estatura proporcionada, a cor tira a vermelha, o cabelo corredio. Andam nus, e a sua maior gala consiste em muitos buracos, que fazem no rosto, em que costumam trazer pedrinhas de várias cores. Não cultivam a terra, e vivem do que caçam, e pescam, com que toda a sua riqueza consiste nos seus arcos, e flechas, em que são destríssimos à maravilha. Vagam de uns lugares a outros, não se detendo em algum mais, que em quanto nele acham, que comer. Andam umas nações com outras em contínuas guerras, e se comem uns aos outros, sendo a carne humana o seu mais apetecido manjar. Não tem fé, nem lei, nem Rei, e observou-se como cousa mui notável, que lhe faltam na sua linguagem (que não deixa de ser fecunda, e eloquente) as três primeiras letras desses nomes. Não conhecem, nem adoram Deidade alguma, tem somente uns escuros vestígios de uma excelência superior, a que chamam Tupá, que quer dizer estrondo espantoso. Também tem alguns vestígios da imortalidade d'alma, e de pena, e glória na outra vida. Os que se sujeitam à doutrina dos Europeus, e se fazem domésticos (como se mudaram de natureza) saem valorosos, e prontos para qualquer emprego, civil, ou militar. Não se sabe o princípio destas gentes, e tudo passa em opinião; Tem sua probabilidade, a que diz, que descendem das dez Tribos dos antigos Judeus, desterrados em tempo de Oseias, e mostram muitos dos seus costumes, porque usam da circuncisão, casam com as viúvas de seus irmãos, são dados a superstições, e são geralmente covardes, e mentirosos. Acresce uma rara circunstância, qual é chamarem Parecè a certa festa, que fazem cada ano, como os Judeus chamavam Pareceves, a outra que também faziam. Dilata-se a Nova Lusitânia por mil duzentas léguas de costa, estendidas para o Sertão a duzentas, trezentas, quatrocentas, e mais, não habitadas até agora de Europeus, posto que fecundas de gentilidade. Compreende quinze vastíssimas Províncias, a que os Portugueses chamam Capitanias, cada uma bastante a formar um Reino maior, que o maior da Europa. De todas damos notícia nos dias a que pertence. A este, pertence a do Porto Seguro, que foi a primeira, que descobriu Pedralves, e lhe deu o nome. Está situada esta Capitania, ou Província, e a sua povoação Capita em dezasseis graus de altura, e se dilata em cinquenta léguas de costa. ElRei Dom João III a deu a Pedro de Campos Tourinho, natural de Viana, o qual com numerosa família a foi povoar. Por sua morte ficou a uma filha sua, a quem a comprou o Duque de Aveiro, Dom João de Alencastre; Depois a deu Filipe IV (que então dominava em Portugal) a Dom Luiz de Alencastre, neto do mesmo Duque, com título de Marquesado. A terra é por extrema fresca, e abundante, vestida de frondosos arvoredos, regada de caudalosos rios; de suas matas se colhe a maior quantidade de pau-Brasil, e dos mais fino de toda a América. 

22/04/2018

NASCE O INFANTE DOM AFONSO, FILHO DelRei D. MANOEL (23 de Abril)

No mesmo dia [23 de Abril], nasceu em Évora o Infante Dom Afonso, filho do felicíssimo Rei Dom Manoel, e da Rainha Dona Maria: dele dissemos no dia precedente.

SÃO FELIX, E SEUS COMPANHEIROS MÁRTIRES (23 de Abril)



Em Valença de Portugal, padeceram martírio no dia 23 de Abril pelos anos de 204, São Felix, e seus companheiros Fortunato, e Aquileo.

21/04/2018

JURAMENTO DA HESPANHA A D. MANUEL (22 de Abril)

No ano de 1498 partiram de Portugal para Castela ElRei D. Manuel, e sua primeira mulher a Rainha D. Isabel, e acompanhados dos principais Prelados, e senhores deste Reino, e foram recebidos naquele com grandes festas, e demonstrações de alegria, em todas as Cidades, e Vilas por onde passaram, até chegarem a Toledo. A meia légua de distância desta Cidade, os veio encontrar ElRei D. Fernando [El Católico], e tanto, que avistou a seu genro ElRei D. Manuel, o recebeu nos braços, com muito amor, e cortesia; e querendo-lhe sua filha beijar a mão, ele o não consentiu, e posta à sua mão esquerda, e ElRei D. Manuel à direita, caminharam os três a cavalo debaixo de um pálio até à Igreja Catedral; e feita oração, partiram para o Palácio, onde os esperava a Rainha D. Isabel [La Católica], a cuja vista ElRei D. Manuel apressou o passo, e a Rainha fez o mesmo, a ambos se fizeram tão profunda cortesia, que chegaram com os joelhos ao chão. A Rainha D. Isabel quis beijar a mão a sua mãe, mas ela lha não quis dar. Receberam os Reis de Castela a todos os Fidalgos Portugueses, com grandes demonstrações de agrado, e apreço, e singularmente ao senhor D. Jorge, filho DelRei D. João II a quem não quiseram dar a mão, e em tudo o trataram como a filho de quem era. Logo no Domingo seguinte, que caiu no dia 22 de Abril, do ano sobredito, saíram os Reis de Palácio para a Catedral, levando de rédea a pé a ElRei D. Manuel, o Duque de Medina Sidónia, da parte direita, e da esquerda o Conde de Feira; e à Rainha D. Isabel sua mulher, à mão direita o Condestável de Castela, e à esquerda o Duque de Alva. Disse Missa de Pontifical o Arcebispo de Toledo, D. Frei Francisco Ximenes de Cisneiros; Os Reis estiveram ambos em uma cortina da parte do Evangelho, e com eles o Senhor D. Jorge; as Rainhas ambas, em outra cortina da outra parte. Acabada a Missa, subiram a um Trono, onde estavam quatro cadeiras, e nas duas do meio se assentaram os nossos Reis, nas dos lados os de Castela. E feita uma prática breve, em que se declararam resumidas as conveniências, e interesses, que se seguiam a toda a Hespanha, de união de tantas Coroas; foram jurados os nossos Reis, por Príncipes herdeiros dos Reinos de Castela, Leão, e Aragão, e mais Reinos, e Estados, que lhe são sujeitos.

MORTE DO INFANTE CARDEAL (22 de Abril)

A 22 de Abril, ano de 1540, com trinta e um de idade morreu em Lisboa o Infante Cardeal, D. Afonso, filho dos Reis, D. Manuel, e D. Maria. O Papa Leão X lhe mandou o Capelo de Cardeal do título de Santa Luzia Inseptisolio, (título, que depois trocou pelo de S. Brás) tendo pouco mais de oito anos; coisa, de que não havia exemplo até então. Recebeu o Capelo nos Paços de Almeirim da mão do Bispo de Lamego, e Capelão mor, D. Fernando de Vasconcelos. Foi Prior mor da Santa Cruz de Coimbra, Abade de Alcobaça, Bispo de Targa, da Guarda, de Viseu, de Évora, e Arcebispo de Lisboa. Todas estas Igrejas administrou com grande exemplo, servindo-se para suplemento da sua presença de insignes Ministros. Era tão pontual nas obrigações pastorais, que assistia com grande frequência aos Ofícios Divinos no Coro: Administrava muitas vezes os Sacramentos, e levava o Santíssimo aos enfermos. Obrigou aos Párocos a que ensinassem, e ele por sua pessoa ensinava a Doutrina Cristã a seus Fregueses. Fez Sínodos em Évora, em que publicou as primeiras Constituições que teve. No que fez em Lisboa, introduziu nas Freguesias os livros dos Baptismos, Casamentos, e Óbitos, que até então não havia, e a seu exemplo os recebeu a Igreja Universal no Santo Concílio de Trento. Com os pobres era sumamente caritativo, e com todos generoso, e liberal [de liberalidade]. Era muito amigo da justiça, e do Culto Divino, e ornato das suas Igrejas, em que despendia uma grande parte das suas rendas. Foi protector dos homens letrados, que chamava das terras estranhas, e sustentava com grandes côngruas; e finalmente um modelo de perfeitos Prelados. Foi seu Mestre o insigne Aires Barbosa, natural de Aveiro, e saiu não vulgarmente douto: compôs em Latim a vida de seu décimo avô o Santo Rei D. Afonso Henriques, e outros tratados com sua elegância em proza e verso, dos quais se perderam muitos: Muitos ajuntou, e fez imprimir em avultado tomo o famoso André de Rezende.

Sta. SENHORINHA, Virgem (22 de Abril)


Santa Senhorinha foi filha dos Condes D. Hufo [Hugo], e Dona Tareja [Teresa], troncos da casa dos Souzas, família nobilíssima em Portugal. Por morte de sua mãe, sendo de mui tenros anos, a entregou o Conde seu pai a Sta. Godina, Abadessa do Mosteiro de S. João de Vieira [Minho], da Ordem do Patriarca S. Bento. Nesta escola de virtudes, foi instruída de tal modo no amor, e temor de Deus, e no rigor, e observância da vida monástica, que chegou gloriosamente ao ponto mais alto, e mais sábio da perfeição, desprezando com invencível constância as delícias, e vaidades do Mundo, para que seu pai a rogava, e persuadia, no estado de casada; Vestiu, e professou no mesmo Mosteiro de S. João o hábito Religioso, e por morte de Sta. Godina foi eleita Abadessa [aos 36 anos]. Naquela nova dignidade começou a merecer, e resplandecer de novo. Entrou em ardentíssimos desejos de dar a vida, em obsequio da Fé, e vendo, que lhe faltava ocasião de padecer às mãos dos infiéis, se resolveu a martirizar-se a si mesma, com tal extremo de rigor, que sua vida, até à morte, foi um perene, e incessante martírio. Concedeu-lhe o Senhor a graça de fazer milagres, o dom de profecia, o conhecimento de coisas ocultas. No dia, e hora, que a Alma de S. Rozendo voava para o Céu, a viu Santa Senhorinha, e assim o disse logo às suas Religiosas. A esta celestial visão se seguiu justamente a saudade, e desejo, assistida de Angélicos espíritos, que com vozes suavíssimas (ouvidas dos que se achavam presentes) a chamavam para os Divinos desposórios, consumou a carreira mortal neste dia, ano de 982 [22 de Abril]. Jaz seu sagrado corpo na Igreja Paroquial do seu nome (antigamente Mosteiro) onde é visitada sua sepultura de grande número de fiéis, que vão a ela pela experiência dos seus favores, que recebem de Deus por sua intercessão.

[nota: o local de nascimento foi provavelmente em Vieira do Minho. Senhorinha não era o nome de baptismo, mas sim epíteto carinhoso que lhe dava o pai, Conde - por isso Capitão Geral do seu Condado em Vieira do Minho - tendo ao seu governo Viseu. Sta. Senhorinha fez-se monja aos 15 anos; fez muitos milagres em vida. Os reis D. Sancho I e D. Pedro I foram grandes devotos seus, e na Idade Média o seu túmulo era grande centro de peregrinação.]

AGRADECIMENTO AOS LEITORES

Caros leitores,

a escolha dos artigos diários que tenho vindo a publicar ultimamente é muito do vosso agrado! Assim o demonstra o grande número de visitas destes últimos dias. Isso me dá grande alegria, porque as publicações são realmente de bom conteúdo, não são da moda de qualquer ambiente, nem chamativas, nem alimentam quem busca a provocação e indignação. Este número subiu mais de 5x, boa causa.

Como os brasileiros sabem pouco da sua cultura religiosa, que é lusitana, me sinto na obrigação de ajudar, dentro das minhas possibilidades, repondo informação. Lembremos que a árvore genealógica espiritual brasileira é lusa, vem dos tempos dos Apóstolos, passa o tempo dos Descobrimentos, evangelização do Brasil, e vai até D. João VI pelo menos. Mas também hoje em dia muitos portugueses estão esquecidos deste legado, e assim me vejo com o caminho mais livre para estas publicações.

No blog SANTO ZELO procuro publicar aquilo que anda em falta, principalmente. Ainda hoje um senhor opinava como se cada qual não tivesse a obrigação, primeiramente, de se preocupar com a sua Civilização; logo a nossa que anda tão desconhecida, e por isto necessitamos redobrar os esforços, e reconhecimento a sua grande importância. Por décadas e séculos ela tem sofrido ataques e ocultamentos, por parte de outras civilizações irmãs muito preocupadas em evidenciar-se. Não, não, caro senhor, aqui coloco em primeiro o que Deus manda, e apenas depois as coisas dos outros. Por outro lado, há muitos livros católicos bons, antigos, em língua portuguesa que são tantos, tantos, que provavelmente não terei tempo para outros de outras línguas e civilizações.

Portanto, nem é necessário lembrar que, se estes artigos são originalmente escritos antigos da Cristandade lusa são necessariamente tradicionalistas.

Sejam bem-vindos, caros leitores. Aqui publicarei estes belos artigos, diariamente.

Até amanhã, se Deus quiser.

20/04/2018

MANOEL DE CEA (21 de Abril)


No dia 21 de Abril do ano de 1733 faleceu com cento e dezesseis anos de idade Manoel de Cea, natural e morador da Azoia de baixo, termo da Vila de Santarém, o qual ainda depois de passar de cem anos, se exercitava na caça das perdizes.

MAURÍCIO, ANTIPAPA (21 de Abril)

Maurício, Arcebispo de Braga, é memorável nas histórias para confusão dos ambiciosos. Foi Francês de Nação, e Monge da Ordem de São Bento: Passou a Portugal, e foi eleito Arcebispo de Braga por morte de Giraldo. Várias pretensões o levaram duas vezes a Roma;  a primeira, pelos anos de 1112 e então assistiu, com grande reputação da sua pessoa, no Concílio Lateranense, que por aquele tempo se celebrava. A segunda, achou aquela Côrte fluctuando entre grandes perturbações pelas discórdias, que havia entre o Papa Pascoal II e o Imperador Henrique V. Este usando da força, e violência, colocou na primeira Cadeira a Maurício, o qual, cego de ambição aceitou a dignidade, e se fez chamar Gregório VIII. Depois, por vários casos, veio a ser deposto, e preso no cárcere de um convento da sua Ordem, onde faleceu neste dia, com grandes demonstrações de verdadeiro arrependimento, no ano de 1122.

19/04/2018

DOM GOMES FERREIRA (20 de Abril)


Dom Gomes Ferreira, irmão de Dom Álvaro Ferreira, Bispo de Coimbra, filhos ambos de Martim Ferreira, Fidalgo ilustre do tempo DelRei Dom João I. Estudou em Paris, e fez grandes progressos nas letras; passou a Roma, e mereceu a graça do Sumo Pontífice Eugénio IV, o qual proveu na opulenta Abadia de Santa Maria de Florença, e por morte do Doutíssimo Ambrósio, Camaldulense, o fez Geral daquela nobilíssima Congregação, e neste eminente cargo deu claras mostras de sólidas virtudes, e de talento singular: reduziu a Congregação ao primitivo fervor, aspereza, clausura, e silêncio, em que São Romualdo a fundara: Depois o mandou o mesmo Pontífice a este Reino por seu Legado a negócios de grande importância, e trouxe a concessão de singulares privilégios para os Reis de Portugal. Morreu santamente neste dia, ano de 1448 sendo Prior Comendatário do  Real Convento de Santa Cruz de Coimbra.

SÃO BAUDELIO (20 de Abril)




SÃO Baudelio, natural de Zamora, cidade da antiga Lusitânia, padeceu no dia 20 de Abril glorioso martírio em defensa da Fé, imperando Diocleciano.

18/04/2018

SÃO ATAULFO (19 de Abril)

Santiago de Compostela
São Ataulfo, filho do Conde Dom Gonçalo, Capitão, e senhor de muitas terras em Portugal, foi varão de sólida doutrina, e de vida inculpável. Suas virtudes, e letras o levantaram à dignidade de Bispo de Compostela. Morreu santíssimamente no dia 19 de Abril, pelos anos de 831. Jaz numa Igreja de seu nome na Vila de Grado em Galiza.