21/04/2018

Sta. SENHORINHA, Virgem (22 de Abril)


Santa Senhorinha foi filha dos Condes D. Hufo [Hugo], e Dona Tareja [Teresa], troncos da casa dos Souzas, família nobilíssima em Portugal. Por morte de sua mãe, sendo de mui tenros anos, a entregou o Conde seu pai a Sta. Godina, Abadessa do Mosteiro de S. João de Vieira [Minho], da Ordem do Patriarca S. Bento. Nesta escola de virtudes, foi instruída de tal modo no amor, e temor de Deus, e no rigor, e observância da vida monástica, que chegou gloriosamente ao ponto mais alto, e mais sábio da perfeição, desprezando com invencível constância as delícias, e vaidades do Mundo, para que seu pai a rogava, e persuadia, no estado de casada; Vestiu, e professou no mesmo Mosteiro de S. João o hábito Religioso, e por morte de Sta. Godina foi eleita Abadessa [aos 36 anos]. Naquela nova dignidade começou a merecer, e resplandecer de novo. Entrou em ardentíssimos desejos de dar a vida, em obsequio da Fé, e vendo, que lhe faltava ocasião de padecer às mãos dos infiéis, se resolveu a martirizar-se a si mesma, com tal extremo de rigor, que sua vida, até à morte, foi um perene, e incessante martírio. Concedeu-lhe o Senhor a graça de fazer milagres, o dom de profecia, o conhecimento de coisas ocultas. No dia, e hora, que a Alma de S. Rozendo voava para o Céu, a viu Santa Senhorinha, e assim o disse logo às suas Religiosas. A esta celestial visão se seguiu justamente a saudade, e desejo, assistida de Angélicos espíritos, que com vozes suavíssimas (ouvidas dos que se achavam presentes) a chamavam para os Divinos desposórios, consumou a carreira mortal neste dia, ano de 982 [22 de Abril]. Jaz seu sagrado corpo na Igreja Paroquial do seu nome (antigamente Mosteiro) onde é visitada sua sepultura de grande número de fiéis, que vão a ela pela experiência dos seus favores, que recebem de Deus por sua intercessão.

[nota: o local de nascimento foi provavelmente em Vieira do Minho. Senhorinha não era o nome de baptismo, mas sim epíteto carinhoso que lhe dava o pai, Conde - por isso Capitão Geral do seu Condado em Vieira do Minho - tendo ao seu governo Viseu. Sta. Senhorinha fez-se monja aos 15 anos; fez muitos milagres em vida. Os reis D. Sancho I e D. Pedro I foram grandes devotos seus, e na Idade Média o seu túmulo era grande centro de peregrinação.]

AGRADECIMENTO AOS LEITORES

Caros leitores,

a escolha dos artigos diários que tenho vindo a publicar ultimamente é muito do vosso agrado! Assim o demonstra o grande número de visitas destes últimos dias. Isso me dá grande alegria, porque as publicações são realmente de bom conteúdo, não são da moda de qualquer ambiente, nem chamativas, nem alimentam quem busca a provocação e indignação. Este número subiu mais de 5x, boa causa.

Como os brasileiros sabem pouco da sua cultura religiosa, que é lusitana, me sinto na obrigação de ajudar, dentro das minhas possibilidades, repondo informação. Lembremos que a árvore genealógica espiritual brasileira é lusa, vem dos tempos dos Apóstolos, passa o tempo dos Descobrimentos, evangelização do Brasil, e vai até D. João VI pelo menos. Mas também hoje em dia muitos portugueses estão esquecidos deste legado, e assim me vejo com o caminho mais livre para estas publicações.

No blog SANTO ZELO procuro publicar aquilo que anda em falta, principalmente. Ainda hoje um senhor opinava como se cada qual não tivesse a obrigação, primeiramente, de se preocupar com a sua Civilização; logo a nossa que anda tão desconhecida, e por isto necessitamos redobrar os esforços, e reconhecimento a sua grande importância. Por décadas e séculos ela tem sofrido ataques e ocultamentos, por parte de outras civilizações irmãs muito preocupadas em evidenciar-se. Não, não, caro senhor, aqui coloco em primeiro o que Deus manda, e apenas depois as coisas dos outros. Por outro lado, há muitos livros católicos bons, antigos, em língua portuguesa que são tantos, tantos, que provavelmente não terei tempo para outros de outras línguas e civilizações.

Portanto, nem é necessário lembrar que, se estes artigos são originalmente escritos antigos da Cristandade lusa são necessariamente tradicionalistas.

Sejam bem-vindos, caros leitores. Aqui publicarei estes belos artigos, diariamente.

Até amanhã, se Deus quiser.

20/04/2018

MANOEL DE CEA (21 de Abril)


No dia 21 de Abril do ano de 1733 faleceu com cento e dezesseis anos de idade Manoel de Cea, natural e morador da Azoia de baixo, termo da Vila de Santarém, o qual ainda depois de passar de cem anos, se exercitava na caça das perdizes.

MAURÍCIO, ANTIPAPA (21 de Abril)

Maurício, Arcebispo de Braga, é memorável nas histórias para confusão dos ambiciosos. Foi Francês de Nação, e Monge da Ordem de São Bento: Passou a Portugal, e foi eleito Arcebispo de Braga por morte de Giraldo. Várias pretensões o levaram duas vezes a Roma;  a primeira, pelos anos de 1112 e então assistiu, com grande reputação da sua pessoa, no Concílio Lateranense, que por aquele tempo se celebrava. A segunda, achou aquela Côrte fluctuando entre grandes perturbações pelas discórdias, que havia entre o Papa Pascoal II e o Imperador Henrique V. Este usando da força, e violência, colocou na primeira Cadeira a Maurício, o qual, cego de ambição aceitou a dignidade, e se fez chamar Gregório VIII. Depois, por vários casos, veio a ser deposto, e preso no cárcere de um convento da sua Ordem, onde faleceu neste dia, com grandes demonstrações de verdadeiro arrependimento, no ano de 1122.

19/04/2018

DOM GOMES FERREIRA (20 de Abril)


Dom Gomes Ferreira, irmão de Dom Álvaro Ferreira, Bispo de Coimbra, filhos ambos de Martim Ferreira, Fidalgo ilustre do tempo DelRei Dom João I. Estudou em Paris, e fez grandes progressos nas letras; passou a Roma, e mereceu a graça do Sumo Pontífice Eugénio IV, o qual proveu na opulenta Abadia de Santa Maria de Florença, e por morte do Doutíssimo Ambrósio, Camaldulense, o fez Geral daquela nobilíssima Congregação, e neste eminente cargo deu claras mostras de sólidas virtudes, e de talento singular: reduziu a Congregação ao primitivo fervor, aspereza, clausura, e silêncio, em que São Romualdo a fundara: Depois o mandou o mesmo Pontífice a este Reino por seu Legado a negócios de grande importância, e trouxe a concessão de singulares privilégios para os Reis de Portugal. Morreu santamente neste dia, ano de 1448 sendo Prior Comendatário do  Real Convento de Santa Cruz de Coimbra.

SÃO BAUDELIO (20 de Abril)




SÃO Baudelio, natural de Zamora, cidade da antiga Lusitânia, padeceu no dia 20 de Abril glorioso martírio em defensa da Fé, imperando Diocleciano.

18/04/2018

SÃO ATAULFO (19 de Abril)

Santiago de Compostela
São Ataulfo, filho do Conde Dom Gonçalo, Capitão, e senhor de muitas terras em Portugal, foi varão de sólida doutrina, e de vida inculpável. Suas virtudes, e letras o levantaram à dignidade de Bispo de Compostela. Morreu santíssimamente no dia 19 de Abril, pelos anos de 831. Jaz numa Igreja de seu nome na Vila de Grado em Galiza.

LUIZ DA COSTA DE FARIA (19 de Abril)

Luiz da Costa de Faria, natural da Vila de Arganil, depois de servir alguns lugares de letras, foi desembargador da Casa da Suplicação, Procurador Fiscal da Junto dos três Estados, Juiz da Chancelaria, e dos Contos do Reino. Serviu estas ocupações, e outras, que lhe foram cometidas, não só com grande inteireza, e zelo da justiça, mas com muita piedade, e caridade, de sorte, que era geralmente chamado o Ministro Santo. Era grande esmoler; nunca deixava de ter recolhimento de Oração, nem ainda nos dias de maiores ocupações. Fundou o Convento de Santo António de Vila Cova; da Província da Conceição, Bispado de Coimbra, para onde se retirou nos últimos anos a esperar a morte, prevenindo-se com muitos actos de penitência, e piedade, até que faleceu no dia 19 de Abril, ano de 1730 com oitenta e dois de idade.

17/04/2018

MANUEL PIMENTEL DE SOUSA (18 de Abril)


Manuel Pimentel de Sousa, Cosmógrafo mór do Reino, Mestre de Geografia do Príncipe nosso senhor, e do senhor Infante D. António, foi muito erudito, como se pode ver dos escritos, que deixou, e livros, que compôs da Cosmografia, e navegação, impressos em Lisboa, onde faleceu no dia 18 de Abril, ano de 1719. (biografia)

CONVENTO DE Sta. CLARA, SANTARÉM - Incêndio (18 de Abril)

Igreja do Mosteiro de Sta. Clara - Santarém
A 18 de Abril de 1669, em Quinta-feira maior da Semana Santa, no Convento de Sta. Clara da Vila de Santarém, estando as Religiosas no Coro, ouvindo o Sermão da Paixão, se pegou tão grande fogo, que reduziu a cinzas todos os dormitórios, oficinas, e o Coro. Recolheram-se as Religiosas no Convento das Donas de São Domingos, onde assistiram enquanto o seu se pôs capaz para a sua habitação. Uma moça doida, recolhida na mesma Clausura, por quatro parte pôs fogo ao Convento.

Fr. JOÃO DE ARAGÃO (18 de Abril)

Frei João de Aragão, Português, Religioso de São Francisco, Confessor da Rainha D. Beatriz, mulher DelRei D. Afonso IV de Portugal, foi Embaixador a ElRei de Aragão, e depois de ajustar a liga, e mais negócios da sua Embaixada, passou ao Principado de Bosna, onde reduziu a muitos Maniqueus, convencendo-os, e atraindo-os à verdadeira crença da Santa Igreja Romana com a grande eficácia da sua pregação, e de prodígios, que obrou por este seu servo a Omnipotente, e piedosa mão de Deus. Um eles foi meter-se este Varão Apostólico em uma fogueira, sem se queimar nem um só fio do seu hábito. Pelos anos de 1340 faleceu, e ficou seu corpo no mesmo Principado com grande veneração.

D. PEDRO DE MENEZES MARTIRIZADO EM CEUTA (18 de Abril)

Ceuta
No ano de 1553, dia 18 de Abril, sendo Capitão de Ceuta D. Pedro de Menezes, filho de D. António de Noronha, primeiro Conde de Linhares, saiu da mesma Cidade ao campo, desafiado pelo Alcaide de Tetuão a tantos por tantos. Diziam-lhe alguns Cavaleiros, que não se fiasse do Mouro: Porque sem dúvida lhe tinha armado alguma traição; Porém D. Pedro fez capricho de sair, e encontrando-se com o Alcaide, no tempo, e lugar aprazado, e vendo, que era igual o número de combatentes, travou a batalha, com denodado valor; Mas dentro em breve espaço se viu cercado de grande número de Cavaleiros, e Infantaria. Então voltando-se para o seu Adail, Diogo Nabo, lhe perguntou: "Que faria?" Ao que ele respondeu estas palavras "Aqui, senhor, já que vossa senhoria assim o quis, não há que fazer, se não morrer com honra". Conformou-se D. Pedro prontamente com aquele parecer tão brioso, como preciso, e investiu aos infiéis, como quem queria vender cara a vida: O mesmo fizeram os mais Portugueses; Pelejou-se muitas horas com incrível ardor, até que oprimidos os nossos da multidão, ficaram mortos no campo mais de trezentos, entre os quais entrou o mesmo D. Pedro, e seu sobrinho, D. António de Noronha, segundo Conde de Linhares. Era este D. António aquele ilustre Cavaleiro, de quem o grande Camões fala com grande saudade, e merecidos elogios, por suas excelentes partes, em muitos dos seus poemas.