31/07/2019

TRANSLADAÇÃO ÚLTIMA DOS SANTOS MM. CUJOS CORPOS SE VENERAM NO MOSTEIRO DE CHELAS (1 de Agosto)

Neste dia [1 de Agosto], ano de 1604 se trasladaram a última vez para o lugar onde hoje se veneram na Igreja do Mosteiro de Chelas junto a Lisboa, de Freiras Regrantes de Santo Agostinho, os corpos dos Santos Adrião, e Natália, e seus companheiros, e o de São Feliz, todos Mártires, e por todos vinte, e seis; assistindo o Metropolitano de Lisboa Dom Miguel de Castro, e sendo Prioresa Dona Joana da Coluna. 

30/07/2019

FERNÃO XIMENES DE ARAGÃO (31 de Julho)

Fernão Ximenes de Aragão, Arcediago de Santa Cristina em Braga, natural de Lisboa, filho de Tomás Ximenes, e de Dona Teresa sua mulher, os quais tiveram três filhos, todos do mesmo apelido Ximenes, António, Sebastião, e Fernão: o primeiro fundou em Lisboa o Seminário dos Irlandeses, o segundo passou a Itália, onde estudou Direito Civil, e chegou a ser do Conselho Supremo do Grão Duque de Florença, Presidente da Justiça no Tribunal do Crime, casado com Catarina de Médices, parenta mui chegada daquele Príncipe: o terceiro foi também homem de grande letras, e de singular virtude: imprimiu muito livros espirituais, que se imprimiram repetidas vezes, e em diversas línguas. Foi grande benfeitor da Misericórdia de Lisboa, e dele, como de tal, se faz menção na Relação, que aquela Santa Casa imprime cada ano com os nomes dos seus benfeitores. Faleceu Fernão Ximenes neste dia [31 de Julho], ano de 1604.

28/07/2019

D. TEOTÓNIO DE BRAGANÇA (29 de Julho)

Convento da Cartuxa fundada pelo D. Teotónio de Bragança. Em 1834 os treze monges e oito leigos que aí viviam "foram expulsos e os bens confiscados e vendidos ao desbarato". O mosteiro foi reconstruído em 1948, por Vasco Maria Eugénio de Almeida, que o devolveu à Ordem Cartusiana. 
Dom Teotónio de Bragança, último filho de Dom Jaime Duque de Bragança, e de sua segunda mulher Dona Joana de Mendonça, estudava na Universidade de Coimbra, assistindo no Convento de Santa Cruz com grande casa, e família, como pedia o sublime da sua qualidade. Sendo de dezoito anos entrou na Companhia de Jesus, e foi nela recebido pelo Padre Mestre Simão Rodrigues, o qual depois de alguns anos o mandou para Roma. Mas como a resolução de Dom Teotónio não fosse muito do agrado delRei Dom João III e menos de seu irmão o Duque Dom Teodósio, por conselho, e aprovação do Patriarca Santo Inácio, veio a largar a roupeta, mas nunca o espírito, nem o fervor da Companhia. O Duque seu irmão lhe deu uma Abadia em Traz-os-Montes; e depois passou a Tesoureiro mór da insigne Colegiada de  Guimarães; depois depois por renúncia do Cardeal Infante Dom Henrique, foi eleito Arcebispo de Évora; e não se podem reduzir a breve compêndio os grandes extremos, de caridade, de zelo, de vigilância, de beneficiência, que obrou naquela amplíssima Diocese. Consigo era parcíssimo, e no vestido, e na mesa, mais parecia Religioso, que Prelado. Rendia então aquela Mitra oitenta mil cruzados, e tudo despendia em esmolas, e em obras magníficas, que fez, e consagrou a Deus. Sucedendo no ano de 1580 haver peste em Évora, e nas terras circunvizinhas acudiu com ardente caridade ao remédio dos feridos, já em pessoa, confortando-os, e ministrando-lhe os Sacramentos, já mandando-lhe dar tudo o que lhe era necessário com liberal mão. Chegaram os enfermos piores ao número de dois mil, e a todos abrangeu com abundância maior, que a necessidade. O mesmo fez na fome de 1597 e na peste de 1599. Mas veio a ficar tão pobre, que se alumiava à mesa com a vela metida numa laranja. Não tendo mais que dois lençóis para a sua cama, mandou dar um para mortalha de um miserável. Destes exemplos se viram nele muitos, dignos por certo dos antigos Padres da primitiva Igreja. Conseguiu, com a autoridade Real de Filipe II que os Monges de Vilanova de Campos lhe dessem uma grande parte do braço de São Manços, primeiro Bispo de Évora, e engastada numa rica pirâmide a colocou com soleníssima procissão na sua Catedral em 12 de Abril de 1592. A mesma deu dois candeeiros de prata, e uma lâmpada do mesmo metal, de tal grandeza, que se lhe chama Montanha de prata. Acrescentou, e ornou o Palácio dos Arcebispos. Fez, e dotou com grande renda um hospital para pobres enfermos. Erigiu o Seminário de São Manços para Colegiais, na forma do Concílio Tridentino. Ordenou com santo zelo uma casa para se recolherem a vida honesta, e virtuosa, mulheres perdidas. Ajudou, e promoveu as fundações de muitos Conventos. Favoreceu todas as Comunidades Religiosas, e com singular afecto aos Padres Carmelitas Descalços, que em seu tempo entraram em Portugal, e teve grande correspondência com Santa Teresa de Jesus, como se vê das cartas da mesma Santa, e ele foi o primeiro, que lhe imprimiu parte das suas obras. Mas, a com que fez a sua memória perdurável, foi o famoso Mosteiro das Cartuxa, fundação sua, situado a pouca distância de Évora para a parte do Norte, uma das mais suntuosas fábricas de Portugal. Ele teve a glória de trazer a este Reino aquela exemplaríssima Religião. Dispendeu neste obra mais de duzentos mil cruzados. À caridade, e beneficiência, correspondia o zelo, e vigilância, com que atendeu sempre ao bem espiritual do rebanho, que lhe fora encomendado: já visitando-o frequentemente, já plantando virtudes, já arrancando vícios, e escândalos, já procurando o aumento da Fé, e abatimento dos inimigos dela. Esta empresa o levou à Côrte de Hespanha a falar a Filipe III a rebater certa pertenção dos Cristão novos. Naquela Côrte (que então estava em Valhadolid, o achou a morte, que teve feliz neste dia [29 de Julho], ano de 1602 com setenta de idade. Seu corpo foi conduzido para Évora, e sepultado no Convento de Santo António dos Capuchos, fóra dos muros da mesma Cidade, em sepultura rasa, que ele mesmo mandou fazer em vida.

27/07/2019

JURA A UNIVERSIDADE DE COIMBRA DEFENDER A CONCEIÇÃO IMACULADA (28 de Julho)

Neste dia [28 de Julho], ano de 1646. Num Sábado, congregada em claustro pleno a insigne Universidade de Coimbra, se obrigaram os professores de todas as faculdades, debaixo de solene juramento, a seguir, e defender a piedosa sentença da imaculada Conceição da Mãe de Deus; e se assentou, que dali por diante seriam obrigados a fazer o mesmo juramento todos os que quisessem incorporar naquela Universidade: era Reitor dela Manoel de Saldanha, que morreu depois Bispo eleito de Coimbra.

26/07/2019

CONQUISTA ANTÓNIO CORREIA A ILHA E CIDADE DE BAHAREM (27 de Julho)


Um mapa do ano de 1745, por Bellin, da região
histórica de Baharem
A Ilha, chamada Baharem [Bahrein, Barém], está situada no mar Pérsico, cento e dez léguas distante da Cidade de Urmuz; tem trinta de circuito, e é um fértil, e rica, e nela se faz a pescaria do aljôfar, e pérolas, as melhores, e mais finas de todo o Oriente: era dos Reis de Urmuz, Vassalos da Coroa Portuguesa; mas um Rei vizinho, chamado Mocrim, se levantou com ela, e a mandou fortificar, e abastecer de maneira, que se deu por seguro de todo o poder dos seus inimigos. Acharam-se obrigados os Portugueses a desfazerem esta violência, e reporem a Ilha no estado antigo; foi esta empresa António Correia, nobre Capitão, e de assinalado valor, e levou pouco mais de duzentos homens; com doze mil o esperava Mocrim, de diferentes Nações, Arábios, Persas, e Rumes. Disputou-se o desembarque dos nossos com ardentíssimo furor, mas postos em terra, por baixo de horrendo perigos de água, e incêndios de fogo, investiram a Fortaleza; os inimigos a defendiam com grande esforço, e com lanças de trinta palmos faziam grande estrago nos Portugueses. Aqui disseram a António Correia, que seu irmã Aires Correia ficava morto, e respondeu: "Avante, amigos, dexai-o, que morreu em seu ofício"; e dando novamente Santiago nos infiéis, começaram estes a ceder, e fraquejar, e sendo retirado pelos Cabos principais, que o seguiam, caiu o ânimo aos outros, e se renderam todos à mercê do vencedor. Foi este feito tão ilustre, e tão célebre, e de tanta glória para aquele famoso Capitão, que desde aquele tempo ajuntou ao apelido de Correia o de Baharem, que se continuou em sua nobre descendência.