11/07/2019

Sta. MARCIANA, UMA DAS NOVE IRMÃS (12 de Julho)


Santa Marciana, uma das nove irmãs Bracaenses, foi martirizada em Toledo, e sendo a última das nove, que deu a  avida em obséquio da Fé, não foi a última na glória de merecer, e conseguir, pela tolerância de esquisitos tormentos, a coroa luzidíssima de Mártir, e pelo incontaminado da pureza, a palma sempre frondeza de Virgem. 

10/07/2019

S. BENTO, S. JOÃO, e Sto. UDON (11 de Julho)


São Bento, Saõ João, e Santo Udon, foram Portugueses, viveram retirados do mundo, nas margens do rio Lima, em sítios naquele tempo de grande aspereza, e solidão; floresciam pelos anos de 800 e desde então os veneram os Fieis, e como a Santos lhe levantaram várias Ermidas na Província de Entre Douro e Minho, onde celebram neste dia [11 de Julho] com públicos cultos a sua memória. 

09/07/2019

CHEGA A LISBOA A NOVA DO DESCOBRIMENTO DA ÍNDIA ORIENTAL (10 de Julho)


No mesmo dia [10 de Julho], ano de 1499 entrou pelo Rio de Lisboa a nau de Nicolau Coelho, um dos três Capitães, que foram ao descobrimento da Índia, havendo dois anos, e dois dias, que haviam levado âncora do mesmo Rio. Vasco da Gama se deteve na Ilha terceira, por assistir a seu irmão Paulo da Gama, que vinha mortalmente enfermo, e ficou sepultado na mesma Ilha; foi grande o alvoroço, e alegria de toda a Côrte, e Reino, com a chegada de Nicolau Coelho, e depois muito mais com a de Vasco da Gama, como diremos em seu lugar. 

07/07/2019

PARTE VASCO DA GAMA AO DESCOBRIMENTO DA ÍNDIA (8 de Julho)

Neste dia [8 de Julho] em Sábado, ano de 1497 partiu Vasco da Gama da barra de Lisboa a descobrir, por mares nunca de antes navegados, a remotíssima região do Oriente; empresa, que os homeens mais Sábios reputavam impossível; mas vence a impossíveis um coração valeroso, e destemido! Com três navios, de que eram Capitães o mesmo Vasco da Gama, e seu irmão Paulo da Gama, e Nicolau Coelho, e cento e setenta companheiros, se deu princípio àquela tão incerta, como perigosa navegação. Concorreu na despedida, às praias de Belém grande número de nobreza, e povo. Ali foram infinitas as lágrimas dos que iam, e dos que ficavam, nascidas da saudade, e do temor, e dos vários, e tristes pensamentos, que naturalmente ocorriam em caso tão novo. Estremeceram-se os corações de uns, e outros, ao tempo que os marinheiros, despregando as velas, deram a sua costumada salva de Boa Viagem; os que ficavam em terra alongavam os olhos pelas ondas, em seguimento dos navegantes; estes, não os podiam apartar da amada Pátria, e uns, e outros estavam como atónitos, em profunda, e medrosa suspensão, até, que a distância separou as vistas, não assim os corações.

22/06/2019

S. JULIÃO, Mártir (23 de Junho)


São Julião, invicto Mártir, sacrificou a vida em defensa da Fé, sendo de dezoito anos, no de 270. Imperando Décio, na antiga Cidade de Flávio Brigada, Província dentre Douro e Minho. 

20/06/2019

Sto. INOCÊNCIO, Bispo e Confessor (21 de Junho)

Santo Inocêncio foi Bispo de Mérida, Metrópole da antiga Lusitânia, Varão de Candidíssimo espírito, como bem mostra o seu nome, e muito melhor o mostrou a sua incullpável vida. Passou neste dia [21 de Junho] à eterna, no an de 612. 

19/06/2019

PAULO CONCORDIENSE (20 de Junho)


Em Concórdia, Cidade da Antiga Lusitânia (hoje Beselga na Comarca de Torres novas) passou a melhor vida, o famoso Paulo Presbítero, chamado Concordiense, da pátria onde nascera. Foi Varão igualmente santo, e douto: o grande Padre São Jerónimo se correspondia com ele, e lhe dedicou a vida de S. Paulo, primeiro Ermitão, achando singular consonância, entre um,  e outro, nos nomes, e nas virtudes. Faleceu o nosso neste dia [20 de Junho], ano de 418. 

18/06/2019

O GRANDE PEDRO BARBOSA (19 de Junho)


O grande Pedro Barbosa, natural de Viana do Minho, famosíssimo Doutor em Leis, cuja Cadeira de Prima leu na Universidade de Coimbra muitos anos: foi Desembargador do Paço em tempo dos Reis Dom Sebastião, e Dom Henrique, e Chanceler mor do Reino: Felipe II o levou para Castela, e o fez Ministro do Conselho de Portugal naquela Côrte: compôs doutíssimos volumes sobre o Direito Civil: deles se lembra o Padre Teófilo Rainaldo nas suas Tábuas Cronológicas, como de insigne Jurisconsulto, e o foi dos maiores, que houve  na Cristandade, e lhe chamavam o segundo Papiniano. Faleceu em Lisboa neste dia [19 de Junho], ano de 1606. Jaz no Convento de S. Roque. 

17/06/2019

Fr. ANTÓNIO DA MADRE DE DEUS (18 de Junho)


Frei António da Madre de Deus, Religioso da Sagrada Ordem dos Eremitas de São Paulo, natural de Lisboa, Varão doutíssimo nas Divinas letras, famoso Prégador, e insigne Escriturário, e também excelente Jurista: Compôs três tomos com o título de Apis Libani; grandes no volume, maiores no espírito, porque são um rico tesouro de elegantes Conceitos, e de engenhosas agudezas. Morreu neste dia [18 de Junho], ano de 1696. 

16/06/2019

SÃO AVITO, Confessor (17 de Junho)

Santo Avito, Português, natural de Braga, ilustríssimo em sangue: foi mui douto nas línguas Latina, e Grega, e nas Sagradas Letras. Passou a Jerusalém, onde se achava, ao tempo da miraculosa Invenção do corpo do glorioso Protomártir Santo Estevão, cujo sucesso escreveu na língua Latina, e o participou às Igrejas da Cristandade. Teve com o Doutor Máximo São Jerónimo estreita correspondênia; a mesma com o Santo Paulo Osório, seu patrício. Sucedeu sua morte em Jerusalém neste dia [17 de Junho], pelos anos de 440.

15/06/2019

D. PEDRO MASCARENHAS (16 de Junho)


Dom Pedro Mascarenhas, um dos grandes heróis deste nobilíssimo apelido, foi filho de Fernão Mascarenhas, Capitão dos Cinetes, e General das Galés, Estribeiro mor delRei Dom João III. Serviu de menino à Rainha Dona Leonor mulher delRei Dom João II. Depois passou a África a empregar os brios de mancebo, na guerra contra os Mouros. ElRei Dom Manoel o fez, pouco depois, General das Galés, que então corriam a Costa, e guardavam o Estreito; nelas acompanhou a Senhora Infante Dona Brites na jornada de Saboia. Achou-se na conquista de Tunes com o Infante Dom Luiz. Foi por Embaixador delRei Dom João III ao Imperador Carlos V e fazendo jornada por França lhe mandou o seu Rei por um Gentil homem da sua câmara cinco mil dobras de ouro; e não as aceitando, lhe disse o Gentil homem que as levava: "Senhor, não me atrevo a aparecer com elas perante ElRei meu senhor?" E Dom Pedro lhe respondeu: "Pois, senhor, tomai-as para vós". Na função da embaixada se houve em Alemanha com tão prudentes atenções, que o Imperador se lhe afeiçoou por extremo, e lhe chegou a expressar, que seria muito do seu agrado, se quisesse ser Aio de seu filho, o Príncipe Dom Filipe; ao que o generoso Português respondeu estas memoráveis palavras: "Senhor, na minha terra não costumam mudar de amo os homens da minha qualidade". Por este tempo lhe chegou notícia, de que era nascido em Portugal, o Príncipe D. Manoel, filho delRei Dom João III e logo rompeu em grandes demonstrações de aplauso, e magnificência nunca vista. Deu um banquete ao imperador, com tantos realces de grandeza, e profusão, que até foi precioso o fogo, e o fumo da cozinha: porque toda a lenha, que nela ardeu,  e com que se guisaram os manjares, foi de canela fina de Ceilão. ElRei lhe encomendou segunda embaixada, que fez a Roma, com igual esplendor, e luzimento. Na volta, trouxe consigo a S. Francisco Xavier, e nele uma nova admiração do Ocaso, um novo Sol do Oriente. Não havia emprego grande, que ElRei não fiasse de Dom Pedro; fê-lo seu Estribeiro mór, e Mordomo mor do Príncipe Dom João seu filho; e parecendo-lhe, que o Estado da Índia necessitava de um homem tão grande, o nomeou Vice-Rei, e procurando escusar-se, por se achar com mais de setenta anos de idade, lhe disse o Infante Dom Luiz: "Desenganai-vos, Dom Pedro, que um de nós esta vez há de ir à Índia, ou vós, ou eu, se vós não fores irei eu". Depois de resistir quanto pôde, sujeitou-se como fiel vassalo às resoluções Reais. Quando se embarcou, ElRei o acompanhou até a praia, e o Infante Dom Luiz, e a maior parte da Fidalguia até bordo. Foi felicíssimo o seu governo, posto que breve; em seu tempo deu, e tirou Coroas, e conservou, entre os Príncipes da Ásia, o nome, e domínio Português, em suma reputação. Foi muito amante da Justiça, e se prezava de repartir os prémios com igualdade, sem atenção a respeitos particulares. Mandou fazer rol de todos os ofícios, e empregos,  que estavam vagos, e fez por edital, e lançar bando, que todos os que tinham servido acudissem com seus papeis para serem despachados, como fez logo, sem dar cargo, nem ofício a algum criado seu. Requerendo-lhe certo soldado (de mais valias, que valor) que o despachasse, por se achava com três anos de serviço, lhe respondeu: "Ando agora despachando os que tem vinte, e os que tem dezanove, como chegar aos de três, então me lembrareis de vós". Visitando as presos, foi trazido perante ele um homem com um grilhão nos pés: perguntou-lhe porque estava preso com tanto rigor, respondeu, que por dever a ElRei certa quanta de dinheiro; mas que os Ministros da fazenda Real lhe não queriam descontar outra maior, que ElRei  lhe devia a ele, e querem que eu pague a ElRei com ouro, pagando-me a mim com ferro. Inteirado o Vice-Rei, de que falava verdade, se voltou para o Veador da fazenda, dizendo: "Aquele grilhão, eu, e vós, é o que merecemos, pois somos oficiais delRei, e não queremos pagar as suas dívidas". E  logo mandou, que se ajustasse a conta do preso, descontando-lhe quanto ElRei lhe devia. Por este modo se portava em todos os negócios, sempre com grande prudência, e rectidão, e com igual discrição, e aviso. Faleceu em Goa neste dia [16 de Junho], ano de 1555 com os gloriosos epítetos de valeroso Cavaleiro, prudente Capitão, bizarro Embaixador, singular Aio, justo Vice-Rei, bom Cristão. Foram seus ossos trasladados para o Convento de S. Francisco da Vila de Alcácer do Sal, onde havia escolhido sepultura para si, e para os sucessores do Morgado da Palma, que ele instituiu, e por sua morte por a seu sobrinho, o famoso D. João Mascarenhas.

14/06/2019

ROUBO SACRÍLEGO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO EM COIMBRA (15 de Junho)

Igreja do Corpo de Deus, posteriormente Igreja N. Sra. da Vitória, Coimbra (Portugal)  
Na Sé de Coimbra, se fez neste dia [15 de Junho], ano de 1361 o sacrílego roubo do cofre, com cinco Partículas consagradas, que se enterraram em lugar indecente, donde foram tiradas, e levadas pelo Bispo D. Vasco. Clero, e cidade em soleníssima procissão, para o Sacrário da mesma Catedral, e em desagravo da Majestade  Divina, foi erecta, no mesmo lugar indecente, a Igreja do Corpo de Deus da mesma Cidade.


Sobre o assunto, ler artigo ASCENDENS: SACRILÉGIO DE COIMBRA (ano de 1362), etc. etc....