07/06/2019

O Pe. MANOEL DE ELVAS (8 de Junho)


O Padre Manoel de Elvas, Cónego secular da Congregação de S. João Evangelista, nasceu em Lisboa, onde se graduou Doutor em ambos direitos, e voltando para Portugal se fez Sacerdote, e foi logo privado em uma grande Abadia no Arcebispado de Braga. Nela residia como perfeito pastor, porque assentava este caro sobre os dois sólidos fundamentos, que tinha de Letrado, e virtuoso. Acabou de cear uma noite com um irmão seu mais moço, que levara para a mesma residência; e depois recolhendo-se cada um para o seu aposento, alta noite acordou o Abade, e ouviu sentidas vozes de seu irmão. Levantou-se sobressaltado, achou as casas às escuras fora do costumado, tentou as portas, e janelas, e achou que tudo estava fechado: chamou pelo irmão, e não lhe respondeu, chamou os criados, ascenderam luz, e com elas entrou no aposento de seu irmão, e achou os vestidos junto da cama, mas o irmão não aparecia. Não houve parte, nem recanto nas casas altas, e inferiores, que senão visse: as portas, as janelas, os postigos tudo fechado por dentro, o tecto, e pavimento das casas sem rotura: tudo isto via com evidência; faltava, sendo os seus mesmos olhos testemunhas juntamente de que era impossível a saída, e de que havia saído. Em sendo dia, procurou-se pelo circuito da casa, e pelos lugares vizinhos, pela Província, pelo Reino todo, e ainda pelos estranhos, sem já mais se poder descobrir nem rastro, nem notícia de tal homem. Entendeu-se, que em corpo, e alma fora chamado a juízo, e levado por impulso, e braço superior. Foi tal o pasmo, e sentimento do Abade, que nunca mais o viram rir em sua vida. Tratou de renunciar a Abadia, repartiu em esmolas o que tinha, e sem dar conta a pessoa alguma da sua resolução, caminhou a pé para Vilar de Frades a pedir ser, como foi, admitido ao grémio da Congregação dos Cónegos seculares. Na observância dos seus Estatutos, na frequência do Coro, nos exercícios da humildade, e caridade, nenhum era, nem mais fervoroso, nem primeiro. Teve grande dom de lágrimas, e muito alta, e contínua oração, porque ainda quanto tratava com os homens, não se apartava de Deus. Foi insigne mestre de espírito, e ilustrava juntamente a  justos, e a pecadores. mostrando a estes o caminho da verdadeira penitência, àqueles o da maior perfeição. Estas heroicas virtudes atraíram a si, naqueles tempos, os olhos de toda a Congregação; a qual o colocou em diferentes Reitorias, e três vezes o elegeu Geral; e nestes cargos [como em lugar mais alto] se descobriu melhor o preço do seu talento. Sendo Reitor de Santo Eloy de Lisboa ordenou à instância do Cardeal Infante Dom Afonso, de quem era Confessor, o primeiro ofício das Horas Menores de Nossa Senhora, que se imprimiu neste Reino, como consta da primeira folha dele. Quando foi a primeira vez Geral, sucedeu furtarem da Casa de São Bento de Xabregas uma Cruz de ouro, que dera ElRei Dom Afonso V e fazendo as justiças esquisitas diligências por especial recomendação delRei Dom Manoel todas foram sem efeito; pelo que andavam tristíssimos todos os Cónegos, só o Padre Manoel de Elvas, que como Prelado devia ter a maior parte na dor, e no desvelo, dizia com muita paz, e segurança, que a Cruz havia de aparecer por intercessão de Santo António. Era ele devotíssimo deste grande Santo, advogado das coisas perdidas, em que também podem entrar as furtadas, e depois de dizer três Missas, invocando com muita fé, e devoção o seu patrocínio (guiado sem dúvida da luz superior) mandou um Cónego, que fosse correr, e examinar as estalagens da Vila de Setúbal; o qual assim o fez, e depois de se desvelar quanto pode na diligência, voltando já de Setúbal, desconfiado de achar o que buscava, lhe saiu um Religioso de São Francisco ao encontro, ao parecer de trinta anos, que lhe disse: Tornai, Padre, à estalagem donde saístes, que no vão de um tanho achareis o que buscais. Voltou logo à estalagem, e achou a Cruz no lugar advertido. Saiu a dar graças ao Religioso, e não o achou, nem notícia alguma dele. Teve-se por sem dúvida, que era Santo António, e as circunstâncias assim os mostravam com evidência. ElRei Dom Manoel, e toda a Côrte, tratavam ao Padre Manoel de Elvas com suma estimação, e como a homem, em que resplandecia igualmente a sabedoria, e a santidade. O mesmo Rei com frequência  o  mandava assistir, e votar no Conselho de estado, e ouvia as suas razões com grande atenção, porque sabia que falava sem respeito, sem amor, sem ódio, sem conveniência, e sem inveja; afectos, de que rara vez se acham despidos os Conselheiros. O mesmo Rei o nomeou Bispo da Guarda; e sendo esta eleição geralmente aplaudida de todos, só do eleito o não foi, porque  não aceitou aquela dignidade. Com quase noventa anos de idade, e cinquenta, e oito de Cónego secular, morreu santamente neste dia [8 de Junho] de 1538 em Santo Eloy de Lisboa, onde jaz sepultado com grande distinção.

06/06/2019

PRINCIPIA EM LISBOA UM CRUEL CONTÁGIO (7 de Junho)

No mesmo dia [7 de Junho], ano de 1569 se começou a sentir em Lisboa um terrível contágio, que logo se dilatou por todas as Províncias de Portugal, e durou quatro para cinco meses, mas em Lisboa foi muito maior o estrago: morriam cada dia quinhentas, seiscentas, setecentas pessoas, e no fim se achou, que por todas passaram de cinquenta mil. Cresceram as ervas pelas ruas a grande altura; não cabiam os mortos nas Igrejas, e foi preciso fazer-lhe covas pelos campos, e em cada uma sepultavam a cinquenta, e a mais. Talvez estavam os corpos amortalhados às portas das casas dois, e três dias, sem haver quem os levasse à sepultura. De um instante para outro caiam mortos os que estavam em pé, e amanheceriam sem vida, os que se deitaram sãos: andavam os homens atónitos, e com gestos de defuntos, tropeçando a cada passo com imagens da morte, e com ela mesma. Por falta da comunicação com as terras circunvizinhas, começaram a faltar mantimentos, sendo objeto lastimoso, ver os homens e mulheres, velhos, moços, meninos, desfazendo-se em lágrimas, e perecendo à fome; não cessou este horrível açoute, senão nos fins do mês de Outubro do mesmo ano. 

05/06/2019

MORRE A Infante D. MARIA, filha delRei D. AFONSO III (6 de Junho)

A Infanta D. Maria, terceira filha dos Reis Dom Afonso III e D. Brites, nasceu no dia da Apresentação de Nossa Senhora 21 de Novembro de 1264. Não tinha ainda perfeitos cinco anos, quando foi apresentada a Deus no Mosteiro das Donas, Cónegas de São João, junto ao de São João, junto ao de Santa Cruz de Coimbra. Criou-se na santa disciplina de sua tia a Senhora D. Constança Sanches, e no mesmo Mosteiro viveu, sem sair fora, e morreu neste dia [6 de Junho], ano de 1304. Jaz em Santa Cruz da mesma Cidade.

04/06/2019

O Ven. Pe. MANOEL DA CONSOLAÇÃO (5 de Junho)


O Venerável Padre Manoel da Consolação, natural de Vila do Conde, Cónego Secular da Congregação de São João Evangelista, faleceu em Vilar de Frades [Vila de Frades], neste dia [5 de Junho] do ano de 1538. Foi Varão insigne nas Virtudes da penitência, e da Caridade para com os pobres, e na da Oração mental para com Deus. Floresceu com a graça, e prerrogativa de fazer milagres, como dele descrevem os principais Historiadores Eclesiásticos deste Reino. Por ele costumava dizer o Venerável D.Frei Bartolomeu dos Mártires Arcebispo de Braga: Que Vilar [de Frades] era o Tesouro da Igreja escondido no campo, e o Padre Consolação a margarida preciosa

03/06/2019

Pe. BALTAZAR BARREIRA (4 de Junho)

Imagem relacionadaO Padre Baltazar Barreira da Companhia de JESUS, natural do Lugar de Sacavém junto a Lisboa, foi insigne operário Evangélico do Reino de Angola, e cooperou muito para a conservação daquele Estado; porque com as advertências, e avisos, que fez ao se Governador Paulo Dias de Novais; com o ânimo, e esforço espirituais com que afervorou, e fortaleceu aos nossos poucos defensores; e muito mais com as suas orações, se lhe atribuiu universalmente a estupenda, e milagrosa vitória, que em outra parte referimos [2 de Fevereiro]. Depois de ilustrar quatorze anos aquela Gentilidade, passou a alumiar também a de Cabo Verde, Guiné, e Serra Leoa; e em todas estas partes converteu, batizou a muitos Reis, e Régulos, e a inumeráveis Gentios. Edificou muitas Igrejas, e Casas de Oração, e reduziu a muitos Católicos a melhor vida. Com setenta e quatro anos de idade, e cinquenta, e seis da Companhia morreu santamente em Cabo Verde neste dia [4 de Junho], ano de 1612 onde foi sepultado com as maiores honras, e geral sentimento, e perda de todo aquele Estado. 

02/06/2019

NASCE O PRÍNCIPE D. JOÃO, filho delRei D. JOÃO III (3 de Junho)

Príncipe D. João Manoel
Neste dia [3 de Junho], ano de 1537 nasceu em Évora o Príncipe Dom João, filho delRei Dom III e da Rainha Dona Catarina. Dele já dissemos a 2 de Janeiro e a 30 de Março. 

30/05/2019

D. MENDO (31 de Maio)

Dom Mendo, Cónego Regular da Sagrada Congregação de Santa Cruz de Coimbra: Por suas grandes virtudes, e letras, passou a ser Prelado do Convento de Santo Isidoro de Leão, um dos mais insignes de toda Hespanha: Tal era a fama, que nela corria deste ilustre Português; cuja morte sucedeu neste dia: ignoramos o ano. 




28/05/2019

D. ARIAS Bispo de OVIEDO (29 de Maio)


Dom Arias, ilustre Português, Monge de São Bento, depois Bispo de Oviedo, Varão de grandes letras, e de esclarecidas virtudes: depois de governar a sua Igreja largos anos, dandos claras provas de prudência, e vigilância, se retirou outra vez aos Claustros da sua Religião, onde morreu santamente neste dia [29 de Maio], ano de 1100. 

27/05/2019

Dona ELENA DA SILVA (28 de Maio)

Colunas do Claustro do Mosteiro de Celas (Portugal).
Dona Elena da Silva, Religiosa do Mosteiro de Celas da Sagrada Ordem de Cister, junto a Coimbra, viveu, e morreu com tão ilustre fama de santidade, que os Autores da sua Religião [Ordem Religiosa] a põem no Catálogo dos Santos dela. Compôs um elegante, e dovotíssimo Poema da Paixão de Cristo. Foi seu felicíssimo trânsito neste dia [28 de Maio], ano de 1589.

26/05/2019

Dona TERESA AFONSO (27 de Maio)


Dona Teresa Afonso, filha do Conde Dom Afonso das Astúrias, mulher do ínclito herói Egas Moniz: nos estados de donzela, e casada resplandesceu em virtudes, e boas obras com vantagem conhecida às Senhoras mais ilustres daquele tempo. No de viúva, se excedeu a si mesma: edificou o nobre Mosteiro de Salfeda, da Ordem de Cister, onde jaz. Foi sua morte neste dia [27 de Maio], anode 1171.

15/05/2019

Fr. ELIAS DO VALLE (16 de Maio)


O Venerável Frei Elias do Valle, Português, foi Religioso da Santíssima Trindade no Convento de Cervo frigido em França, discípulo e companheiro do Patriarca São João da Mata, com o qual passou a Hespanha, e pelo mesmo mandado fundar na Cidade de Toledo o Convento da Santíssima Trindade, que é um dos melhores daquela Cidade, do qual foi seu primeiro Ministro Frei Elias do Vale, que depois de o ver acabado com grandeza, e perfeição, e enriquecido com rendas, privilégios, e sujeitos exemplares, morreu santamente neste dia [16 de Maio] de 1230. 

14/05/2019

O Príncipe D. TEODÓSIO (15 de Maio)

Príncipe D. Teodósio
No mesmo dia, ano de 1653 com dezanove de idade, três meses, e sete dias, passou do Reino temporal ao eterno o Príncipe Dom Teodósio, filho dos Senhores Reis Dom João IV e D. Luiza. Foi jurado Príncipe herdeiro deste Reinos nas primeiras Côrtes, celebradas em Lisboa, depois da feliz Aclamação. ElRei seu pai, poucos tempos adiante, o nomeou Príncipe do Brasil, e foi o primeiro, que logrou este título, que depois se prosseguiu nos Primogénitos de Portugal, como nos de Castela, o de Príncipe das Astúrias; de Gales, nos de Grã-Bretanha; de Delfins, nos de rança. Desde menino começou o Príncipe (então Duque de Barcelo) a ser nas prendas da natureza, e no dotes da graça, um prodígio, não só singular, mas a toda a luz, admirável. De muito tenra idade já sabia de memória, e repetia nas línguas, Portuguesa, e Latina, os Mistérios da Fé, as Ladainhas dos Santos, e de nossa Senhora, o Credo da Missa, o Prefácio comum, e o Evangelho de São João, com outras Orações da Igreja, somente de as ouvir aos Sacerdotes. Já então eram as suas palavras mui medidas, as suas acções mui reguladas, as suas devoções contínuas, e fervorosas. Com os anos cresceu nas prendas, e virtudes, as mais próprias de um Varão muito reformado, e proveito. Assim vigiava na pontual observância dos preceitos divinos, que se afirma dele, que morreu com a graça batismal. Não só evitava os pecados graves, mas também dos leves, fazia rigoroso exame, e os sujeitava logo às chaves da Igreja no Sacramento da Confissão, que frequentava quase todos os dias; o da Comunhão, todos os Domingos, e dias Santos, e de maior solenidade, e em muitos particulares da sua da Mãe de Deus, e da Virgem Mártir, e Doutora Santa Catarina. Sonhou em uma ocasião, que via seu avô o Duque Dom Teodósio, e que este lhe dizia, que fosse muito devoto de S. João Evangelista, de quem ele o fora sempre: abraçou o Príncipe aquela sonha advertência com tantas veras, que este Santo era o singular emprego da sua devoção, e todos os anos celebrava a sua festa com soleníssimo aparato, e era chamada a festa do Príncipe. Ao amor das virtudes ajuntou o das ciências. Teve agudíssimo engenho, memória felicíssima, e contínua aplicação aos livros; partes, que bastaram a formar nele em pouco tempo um talento superior. Aprendeu a ler, e a escrever, antes de lhe darem mestre, só por um A. B. C. que lhe fez uma sua Aia, para lhe dar a conhecer as letras. Aprendeu no discurso de dois anos a língua Latina, e depois pelo uso, a falava com muita elegância, e facilidade. Teve largas notícias da Grega, e da Hebreia. Chegou a ser tão perito na Filosofia, e Teologia, que admirava (sem ser lisonja) aos homens mais doutos daquele tempo. Com muitos, e por muitas vezes entrava em questões altíssimas e já argumentando, já defendendo, era, não só admiração, mas inveja dos que melhor o faziam nas escolas. Até da Medicina, Direito Civil, e Canónico,  teve luzes não vulgares. Nas artes liberais, e ainda em muitas das mecânicas, foi insigne. Assim mesmo foi mui destro, e airoso no manejo da Cavalaria, e igualmente prático no jogo das armas. Sabia com eminência formar Exércitos, e delinear fortificações. Compôs na língua Latina livros mui eruditos, e curiosos de várias matérias. Um, que se intitula: "Aureum Seaculum", outro: "Macariopolis", nome Grego, que vale o mesmo que "Cidade Santa", outro: "História Universal do mundo", outro: "História do Reino de Suécia", outro: "De Sacramento Altaris", e dedicou, e mandou estes dois últimos à Rainha daquele Reino, com que teve estreita correspondência. Esta foi a esclarecidíssima Cristina, que depois com memorável exemplo, e nunca assaz admirada resolução, pôs aos pés do Vigário de Cristo o Cetro, e a Coroa. Sobre Religioso, e sábio, foi o nosso Príncipe excelentíssimo político, aprendeu esta grande arte, e a mais dificultosa, na lição das histórias, e muito mais no dictames de um alto juízo, e de uma excelente compreensão, e madura prudência, de que o Céu o dotara em tão verdes anos. De treze votava já no Concelho de Estado, e o seu voto era geralmente o melhor. Naquela ocasião fatal, em que os Príncipes Palatinos se refugiaram no Porto de Lisboa, fugindo da Armada Inglesa, que os seguia, requerendo o General Inglês, que lhe fossem entregues, houve grande debate, ente os Concelheiros, sobre a resolução, que se devia tomar em tão perigosa emergência. Mas o Príncipe tirou a dúvida, expedindo em discreto papel muitas razoes cheias e generosidade, e bizarria verdadeira Real, em que se esforçava a persuadir, (e persuadiu com efeito) que se devia antepor a observância da hospitalidade a todas as conveniências, e temores, que se representavam naquele caso. Vendo, que os negócios procediam lentamente, em grane dano (segundo parecia) da conservação do Reino, resolveu passar à campanha, onde foi recebido com extraordinário aplauso, e alvoroço, e começou a dispor as cousas com grande circunspecção, e perícia militar; revestiram-se os Soldados de novos brios, e prometiam ilustres operações; mas as ocorrências daqueles tempos, e os dictames de profundas razões de Estado, o fizeram voltar brevemente à Côrte, onde começou a exercitar o Supremo Império sobre todas as armas da Monarquia. Neste emprego achou mais trabalho, que satisfação, porque o ardor, em que se inflamava, era de campiar na testa do seu exercito, e segurar a defensa dos Países próprios, na invasão dos alheios. Já a este tempo o começava a combater uma prolixa, e perigosa enfermidade, com grande dor, e mágoa excessiva delRei, e de todo o Reino. ElRei o amava, e venerava mais que a filho: umas vezes lhe chamava Pai: outras, irmão mais velho: outras, o seu Salomão. Os Vassalos reconheciam na sua Real Pessoa cifradas as delícias, e as esperanças de Portugal. Sabia o Príncipe acariciar, e render os afectos, e corações de todos: para todos era afável, para todos liberal, para todos benéfico, generoso, brando, compassivo; mas todas estas prendas tão excelsas, e prerrogativas tão altas, cortou a morte em flor, no verdor dos anos, na primavera da vida. Dispôs-se para morrer, como se costumam dispor os Santos, e morreu como um deles, entre suavíssimos colóquios com Deus, e actos finíssimos de verdadeiro amor, e resignação. foi enterrado com Majestosa pompa no Real Templo de Belém, deixando perpetuamente gravadas nos bronzes da fama, e nos corações dos Portugueses, uma gloriosa memória, uma eterna saudade.

11/05/2019

A PRINCESA Sta. JOANA (12 de Maio)

Princesa Sta. Joana
No mesmo dia, ano de 1490 passou da vida transitória para a que não tem fim, a Princesa Santa Joana, filha dos Reis Dom Afonso I e D. Isabel: joia, a mais preciosa da Coroa Real Portuguesa, espelho claríssimo das heroicas virtudes, esclarecida cópia de inestimáveis perfeições: dotou-a o Céu de uma beleza tão rara, que excedia toda a comparação; vendo Luís XI de França um retrato seu, se diz, que posto de joelhos deu graças a Deus, por haver produzido uma criatura tão bela, e que logo deliberou pedi-la para esposa do Delfim seu filho; era porém altamente superior a beleza e formorusa da sua alma; desde os primeiros anos, esquecida dos divertimentos daquela idade, e com madureza da última, se deu a todos os exercícios da perfeição; rezava todos os dias o Ofício Divino, e o de nossa Senhora. Gastava também todos os dias muitas horas na Oração mental, acompanhada de lágrimas, e suspiros, que eram prova evidente, dos ardores, e afectos, em que se lhe desfazia o coração. Debaixo das ricas galas, a que a obrigava o estilo da Côrte, trazia uma áspera camisa de grossa estamenha, e um áspero Cilício: tomava repetidas disciplinas, e com tanta veemência, que chegava a derramar copioso sangue. Todas estas obras fazia com grande recato, que é a gala do merecimento, mas muitas vezes, não podiam fugir a tantos olhos, e tão vigilantes, de que sempre os Palácios costumam abundar. Tomou por empresa a Coroa de espinhos de seu Divino Esposo (a quem logo desde os primeiros anos consagrou a sua pureza) e por aquela Corca rejeitou a Imperial de Alemanha, e as Reais de França, e Inglaterra. Recolhida no muito virtuoso Convento de JESUS de Aveiro, viveu vestida no hábito de São Domingos quase dezoito anos, fazendo uma vida angélica, e puríssima, coroada com uma morte digna de tal vida, neste dia [12 de Maio] de 1490. Jaz sepultada no mesmo Convento. As muitas maravilhas, que Deus obrou, e ainda obra, por sua intercessão, lhe deram o título de Princesa Santa, que conservou desde que faleceu. O Papa Inocêncio XII a declarou Bem-aventurada, e lhe confirmo o culto imemorial em 4 de Abril de 1693.

10/05/2019

O VENERÁVEL Fr. ROQUE DO ESPÍRITO SANTO (11 de Maio)


O Venerável Frei Roque do Espírito Santo, natural da Vila de Castelo-Branco, Religioso da Sagrada Ordem da Santíssima Trindade, insigne em virtudes, e obras maravilhosas; viveu muitos anos em África, ocupado nas redenções dos Cativos, e participando das suas tribulações, em que os consolava, e socorria com portentosa Caridade: Resgatou mais de quatro mil: Os mesmos Mouros o veneravam profundamente, porque reconheciam nele um espírito mais que humano; por vezes se contentaram com a sua Correa, em penhor de grandes somas, que lhe ficava devendo, a que sempre satisfez com pontualidade, à custa da sua diligência, fructuosa sempre, pelo singular conceito, e estimação, que os Príncipes, e grandes de Portugal faziam das suas virtudes. Morreu santíssimamente neste dia [11 de Maio], ano de 1590. Foi sepultado com grande veneração, e universais aclamações de Santo no seu Convento de Lisboa.

09/05/2019

ROUBA-SE O SANTÍSSIMO EM ODIVELAS (10 de Maio)

Neste dia [10 de Maio], ano de 1671 que caiu na Dominga infra oitava da Ascensão, sucedeu o desacato do Senhor Sacramentado na Igreja Paroquial de Odivelas do termo de Lisboa, pelo qual se fizeram grande, e devidas demonstrações de sentimento em todo o Reino. Por conta da Nobreza da Corte de Portugal, corre ainda o desagravo que todos os anos se faz ao mesmo Senhor neste dia com grandes cultos, e adorações.

08/05/2019

Fr. LUIZ DA CRUZ (9 de Maio)


Frei Luiz da Cruz nosso Português, natural de Bragança, Religioso Menor da Província de São Gabriel em Castela. Foi varão doutíssimo, e claríssimo escritor: deu à estampa várias obras cheias de singular doutrina, e vasta erudição: subiu na sua Ordem aos mais eminentes lugares, e destinado para o suprema da mesma, acabou seus dias neste em que estamos, na Cidade de Saragoça de Aragão, ano de 1633. 

07/05/2019

ELEIÇÃO do SUMO PONTÍFICE INOCÊNCIO XIII (8 de Maio)

No mesmo dia [8 de Maio] ano de 1721 foi declarado Sumo Pontífice com satisfação de todos os Cardeais e de todas as Côrtes Católicas, o Cardeal Miguel Angelo Conti, Núncio Apostólico que havia sido muitos anos neste Reino, donde obteve a Púrpura, e era Protector do mesmo Reino na Cúria Romana. Pelo que, foi celebrada a sua exaltação Pontifícia em Lisboa com três dias de repiques, e luminárias, e com muitos aplausos Académicos. Tomou o nome de Inocêncio XIII e conservou o de Protector de Portugal. Morreu em 7 de Março de 1724 com 68 anos, 9 meses, e 21 dias de idade, havendo governado 2 anos, e 10 meses a Igreja Católica. 

06/05/2019

Pe. BALTAZAR ÁLVARES (7 de Maio)

Baltazar Álvares, natural de Chaves, da Companhia de Jesus, Doutor egrégio na Sagrada Teologia, Lente de Prima, e Cancelário da Universidade de Évora, compôs um Tratado de Anima separata, que se imprimiu no Curso Conimbricense, e a grande Obra do Expurgatório Lusitano dos livros proibidos desde Lutero até o seu tempo, impresso por ordem, e autoridade do ilustríssimo D. Fernão Martins Mascarenhas Bispo Inquisidor Geral dos Reinos de Portugal. Expediu também alguns volume spóstumos do grande Soares Granatense. Morreu em Coimbra neste dia [7 de Maio], ano de 1618.

05/05/2019

IDÁCIO, Bispo C. (6 de Maio)

Sé de Lamego
Idácio, Português, Bispo de Lamego, depois Arcebispo de Braga, Prelado insigne, e Escritor famoso: por sua rara humildade se chamava, e assinava o Pecador; mas as suas sngulares virtudes, e grandes letras o faziam conhecido, e estimado em toda a Igreja, e S. Leão Papa I do nome o tratava com grande familiaridade, e públicas estimações, e o nomeou Presidente no Sínodo de Celenas, onde foram confutados os erros de Prisciliano, e comprovadas com irregrafáveis fundamentos as verdades da Fé, pela qual o Santo Bispo padeceu grandes tribulações. Compôs uma Cronologia, que começa desde o primeiro ano do Consulado de Teodósio, e contém tudo o que sucedeu no mundo no espaço de cento e vinte anos. Compôs também os Fastos Consulares desde Aureliano Augusto, até a morte de Honório. Cheio de virtudes, e boas obras, passou neste dia [6 de Maio] a lograr o prémio delas, ano de 494.

04/05/2019

S. SILVANO, Mártir (5 de Maio)

São Silvano, também como o do dia precedente, da Ilustríssima família dos Silvas em Portugal, passou a Roma, onde padeceu neste dia [5 de Maio] cruel martírio, imperando Maximino, na sexta perseguição da Igreja Católica.