18/04/2019

A PRIMEIRA VITÓRIA DOS GUARARAPES (19 de Abril)


A poucas léguas de distância do Recife (Praça capital de Pernambuco) situou a natureza uns montes, ou serras, a que chamam guararapes, de tão desmedida elevação, que em algumas partes, levantam a cabeça sobre as nuvens: em partes se abrem em concavidades tão profundas, que a vista lhe não acha termo. Nas fraldas destes montes (que deram nome a duas ilustres vitórias) se dilata uma campina grande, onde, neste dia [19 de Abril], que era Domingo de Pascoela, ano de 1648 se avistaram dois exércitos (Holandês, e Português) pequenos em número, mas grandes pelo valor dos soldados, experiência, e perícia dos Generais. Contava o exército Holandês de sete mil e quatrocentos combatentes da mesma Nação, e da Francesa, Alemã, Húngara, Polaca, Inglesa, Sueca, todos soldados práticos, valerosos, e bem armados. Acrescia um bom corpo de Índios, e negros, seis peças de artilharias, e todas as munições, e armas, que servem em semelhantes casos. Os Generais deste exército, ou Cabos principais dele, eram Sigismundo Vanscoph, Henrique Hus, e o Coronel Brinch, os quais foram escolhidos para esta guerra, como homens aprovados nas de Flandres onde haviam militado com grande nome. O exército Português constava de dois mil e quinhentos soldados, em que entravam dois terços de Índios, e negros; dele era Mestre de Campo General Francisco Barreto de Menezes, e Cabos principais João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Dom António Filipe Camarão, e Henrique Dias. Bem se deixa ver entre um, e outro exército, a desigualdade do número, mas também era em ambos muito desigual, e diferente, a causa. Pelejavam os Católicos pela Fé, pela honra, pela liberdade, pela Pátria, pela fazenda, e em defesa das mulheres, e filhos. Pelejavam os hereges por usurpar o alheio, sem outro direito, mais que o das armas, acompanhado de infinitas exorbitâncias, e tiranias. Deram, pois, os instrumentos bélicos o final de acometer, e deram os Holandeses primeira, e segunda carga, mas a tempo, que pela distância não fez nos Portugueses dano considerável; estes, porém, chegando-se mais perto, empregaram com tanta felicidade os tiros dos seus mosquetes, que logo se viram no campo contrário grandes princípios de confusão, e desordem. e sem mais dilação, nem darem ímpeto, e valor, que em breve espaço romperam os esquadrões inimigos. Era mais duro, e horrível o combate em um alto, onde estes pugnavam por defender a sua artilharia: os nossos por ganhá-la, e ganhando-a com efeito, se aclamavam já vencedores, quando Segismundo, acudiu com mil soldados, que deixara de reserva, os quais até ali descansados, agora resolutos, puseram aos nossos em grande consternação. Cobraram outra vez  a artilharia, perdida por eles, e agora mal guardada pelos negros, e Índios do nosso exército, a cujo cargo estava, os quais, divertindo-se em despojar os mortos, se viram carregados com tanta pressa, e força, que sem dúvida pereceriam todos, a não serem socorridos de quinhentos infantes, que os nossos Cabos tinham também de reserva. Aqui se renovou o conflicto, e se pôs outra vez a fortuna indiferente, e quando já parecia, que inclinava para os contrários, então os nossos Genrais ansiosos de venderem a batalha, ou acabarem nela, se arrojaram no maior perigo como soldados particulares, e exortando aos seus, (mais que com palavras) com luzidíssimas provas de valor, assim carregaram aos inimigos, que depois de cinco horas de obstinadíssima peleja, os romperam, e derrotaram com morte de mil e duzentos, em que entraram cento  e oitenta Oficiais, e dois Coronéis, um deles Henrique Hus. Dos quais escaparam com vida, a poucos deixou de assinalar o nosso ferro; entre eles, foi Segismundo, ferido em uma perna, de que ficou coxeando em quanto viveu, para que a cada passo, se lembrasse da nossa vitória, e da sua infelicidade. Morreram dos nossos, oitenta e quatro: os feridos passaram de quinhentos: os despojos foram riquíssimos, em que entraram o estandarte da República de Holanda, e vinte e nove bandeiras; ficou prisioneiro o Coronel Kever, soldado de grande reputação. Foi esta vitória de relevantíssimas consequências para a restauração de Pernambuco, como pouco depois mostraram o tempo, e os sucessos.

17/04/2019

O Pe. BENTO FERNANDES (18 de Abril)

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O Padre Bento Fernandes, natural da Vila de Borba na Província do Alentejo, um dos grandes talentos, que ilustrram a sagrada Religião da Companhia de Jesus, foi expositor insigne do livro do Génesis, sobre o qual imprimiu três doutíssimos volumes, que andam nas palmas, e estimações dos sábios. Deixou pronto para a Imperensa outro volume sobre o Evangelho de São Lucas. Faleceu em São Roque com sessenta e sete anos de idade, no de 1630.

16/04/2019

O Venerável Fr. TOMÉ DE JESUS (17 de Abril)

O Venerável Frei Tomé de Jesus foi filho de Fernão Álvares de Andrade, Cavalheiro muito ilustre do tempo delRei Dom João III e do seu Conselho de Estado, e de sua mulher, Dona Isabel de Paiva, os quais tiveram três filhos, e uma filha; esta foi Dona Violante de Andrade, Condessa de Linhares, mulher do Conde, Dom Francisco de Noronha: os filhos foram Diogo de Paiva de Andrade, cujas letras, e virtudes, lhe granjearam singulares estimações do Concílio Tridentino: Frei Cosme da Apresentação, Eremita Augustiniano, Teólogo de grande nome; e o nosso Frei Tomé de Jesus. Nasceu este em Lisboa, e tomou o hábito da mesma Religião Eremítica [Ordem religiosa eremítica], na qual viveu em suma reputação de observante Religioso. Acompanhou a ElRei Dom Sebastião na infeliz jornada de África, onde ficou cativo, e padeceu imponderáveis mi´serias, e tribulações; mas essa mesma opressão do corpo lhe acrisolava o espírito. Preso em um masmorra, a muito escassa luz, e a espaços furtados, compôs o devotíssimo livro, que intitulou: Trabalhos de Jesus. Com tão soberano exemplar aos olhos, não perdoava a trabalho, nem a desvelo, em benefício dos miseráveis cativos. Pregava, confessava, dizia Missa, assistia, e servia a todos nas doenças,a todos consolava nas tribulações,  confortava na Fé, animava ao sofrimento, e paciência. Querendo a Condessa ,sua irmã tratar do resgate, lhe rebateu intento com estupenda, e inflexíveis resolução, antepondo a todos os respeitos, e conveniências desta vida, a caridade com os próximos. Nesta heroica empresa acabou santíssimamente em Marrocos, neste dia [17 de Abril]. em que caiu então a primeira Oitava da Páscoa, no ano de 1582 com cinquenta e três de idade, trinta e oito de Religião, quatro de cativeiro. Além do livro: Trabalhos de Jesus, reimpresso muitas vezes, e traduziu nas principais línguas da Europa, compôs outros, todos com igual espírito, com pena sempre igual.

15/04/2019

BATISMO DO SERENÍSSIMO SENHOR Infante, D. ANTÓNIO (16 de Abril)

O Infante D. António.
No mesmo dia [16 de Abril], em Sábado, ano de 1695 foi batizado por Luiz de Souza, Capelão mór, e Arcebispo de Lisboa, com luzidíssima pompa, Real, e majestosa ostentação, o Sereníssimo Infante, Dom Antónino, quarto filho dos senhores Reis, Dom Pedro II e Dona Maria Sofia: puseram-lhe os nomes, em memória de vários Santos, e de alguns de seus Augustíssimos ascendentes: Dom António, Francisco, José, Bento, Teodósio, Leopoldo, Henrique. Foram Padrinhos Dom Luiz, Duque de Buarcos, primogénito dos Duques do Cadaval, em nome do Imperador Leopoldo; e Dom Fr. José de Lencastro, Bispo Inquisidor Geral, em nome da Rainha de Inglaterra, Dona Catarina.

14/04/2019

D. JAIME, Cardeal (15 de Abril)

Capela do Crucifixo, na Basílica de San Miniato, Florença (Itália)

Dom Jaime, filho segundo dos Infante Dom Pedro, e Dona Isabel: neto por seu pai, dos Reis Dom João I e Dona Filipa, por sua mãe, dos Condes de Urgel Dom Jaime, e Dona Isabel. Foi Príncipe de candidíssimos costumes; fez nas letras não vulgares progressos. As turbulências do Reino, nos princípio do governo delRei Dom Afonso V o levaram a Flandes, onde, por intervenção de sua tia Dona Isabel, Duqueza de Borgonha, foi feito Bispo de Arras, e obteve outros benefícios. De Flandes passou a Itália, e foi recebido em Roma com singulares estimações, devidas ao seu Real sangue, e muito mais às excelentes prendas, e virtudes, de que era dotado: Calisto III o fez Cardeal do título de Santo Eustáquio, e afirma Eneas Silvio (depois Pio II), "que era tão superior a sua modéstia, a sua gravidade, o seu engenho, e que resplandescia tanto no amor das virtudes, e letras, que já lhe tardava a púrpura em tão tenra idade" (era então de vinte de dois anos). Sendo de vinte e cinco, e dez meses, lhe sobreveio uma enfermiade mortal, que todavia podia ter remédio (diziam os Médicos) se ofendesse a pureza: mas o castíssimo Príncipe antes quis morrer, que manchar-se. Morreu, em fim, mas não o terá a sua fama à vista de uma tão heroica, e portentosa resolução: sucedeu sua morte neste dia [15 de Abril], ano de 1459. Jaz em nobre sepultura, em Florença, no Convento de São Miniato.

13/04/2019

O Beato JOÃO, Confessor (14 de Abril)


O Beato João, Monge Cisterciense, discípulo de São Bernardo, e mandado pelo mesmo Santo a Portugal, deu neste Reino claríssimas provas de virtudes, e disciplina Monástica. foi seu glorioso trânsito neste dia [14 de Abril]: jaz no Mosteiro de S. João de Tarouca.

12/04/2019

PROSSEGUE-SE O CERCO DE MAZAGÃO (13 de Abril)


Sobre trinta dias de fortíssimos combates, que os Mouros repetiam contra a Fortaleza de Mazagão, havendo levantado uma trincheira terraplanada, e tão eminente, que vinha a entrestar com os muros da mesma Fortaleza, os começaram a minar, para os arruinarem de todo; sendo sentida dos Portugueses esta perigosa operação, fizeram logo suas contraminas, uma das quais, desembocando na dos inimigos, eu lugar a que uns, e outros travassem um horrendo conflicto, em que houve muito mortos, e feridos de parte a parte. Mas, depois de larga resistência, ficaram os nossos dominando aquele campo tenebroso, e prontamente deram fogo a suas das suas minas, as quais rebentaram com tanta fúrias, e tanto a tempo, que produziram uma fatal desrtuição em grande número de Turcos, e Mouros, dos mais lustrosos, e destemidos, e com uma, e outra, experiência, acabaram de persuadir-se, a que, nem em cima, nem debaixo da terra estavam seguros do valor, e vingança dos Portugueses, para os quais foi este dia tão alegre, como triste para os inimigos, que já persistiam naquela opugnação com mais porfia, que esperança de algum bom sucesso. Achava-se já na Fortaleza o Governador Álvaro de Carvalho, e já a Rainha Dona Catarina (que então governava o Reino) havia mandado repetidos, e numerosos socorros de gente, munições, e vitualhas, e já os defensores passavam de dois mil e seiscentos, soldados dos velhos, e exercitados nas guerras da África, e da Índia, em que entrava um grande número de nobres, que à porfia concorreram a esta famosíssima empresa. 

11/04/2019

NASCE O Infante D. LUIZ, filho delRei D. PEDRO I. (12 de Abril)

No mesmo dia [12 de Abril], ano de 1340, nasceu o Infante Dom Luiz, filho primogénito dos Infantes, Dom Pedro, depois Rei I. do nome, e Dona Constança. Morreu menino.

10/04/2019

AJUSTAM-SE PAZES ENTRE PORTUGAL, E FRANÇA (11 de Abril)

No mesmo dia [11 de Abril], ano de 1713 no Congresso Geral de Utrecht, se concluiu e assinou um tratado de firme paz, amizade perpétua, e livre comércio entre Portugal, e França, pelos Ministros Plenipotenciários, da parte de Portugal o Conde de Tarouca, e Dom Luiz da Cunha; e da parte de França o Marechal de Huxeles, e Mons. Mesnager. A 28 de Junho do mesmo ano se publicou em Lisboa com solenidade costumada.

09/04/2019

LUCENCIO, Abade e Bispo (10 de Abril)

Órgão do Mosteiro de Lorvão
LUCENCIO, Monge, e discípulo do grande Patriarca São Bento, e o primeiro, que da sua Religião entrou em Portugal, fundou o insigne Mosteiro de Lorvão, onde foi o primeiro Abade, e depois Bispo de Coimbra; Resplandesceu em letra, e virtudes: assistiu em vários Concílios, celebrados em Hespanha, nos quais, e em todo o discurso da vida, propugnou com singular fervor a veraddeira Fé contra a heresia dos Arianos. Faleceu santamente neste dia [10 de Abril], ano de 580. Do mesmo mosteiro de Lorvão, diremos em outra parte [20 de Maio].

08/04/2019

Pe. Fr. FILIPPE DIAS (9 de Abril)


O Padre Frei Filippe Dias, Português, da sagrada Ordem de São Francisco, professo em Castela na Província de Santiago: Estudou em Salamanca, e sobre excelente letrado, saiu famosíssimo Prégador. Naquele tempos, ninguém o igualou na inteligência dos textos, na lição dos Santos Padres, na profundidade da Doutrina, no vasto da erudição, e sobretudo, no fervor, e eficácia do espírito; prégou, no espaço de mais de quarenta anos, por várias Províncias da Europa, e converteu infinitas almas com os seus Sermões, e ainda hoje está prégando, e convertendo com os seus Sermonários: os primeiros, que com este nome saíram à luz. Deixou impressos oito. Faleceu neste dia [9 de Abril] com fama de santidade, no ano de 1600. 

07/04/2019

Fr. ÁLVARO DE CASTRO (8 de Abril)

Frei Álvaro de Castro, irmão de Dona Inês de Castro, sendo da primeira Nobreza de Castela, e Portugal, meteu debaixo dos pés todas as vaidades da terra, e vestiu o hábito da esclarecida Religião da Santíssima Trindade, onde floresceu em virtudes, e retirado ao seu Convento de Cinta, viveu trinta e sete anos recluso em um Ermida, em perenes exercícios de penitência, e oração: faleceu ditosamente neste dia [8 de Abril], ano de 1456.