13/04/2019

O Beato JOÃO, Confessor (14 de Abril)


O Beato João, Monge Cisterciense, discípulo de São Bernardo, e mandado pelo mesmo Santo a Portugal, deu neste Reino claríssimas provas de virtudes, e disciplina Monástica. foi seu glorioso trânsito neste dia [14 de Abril]: jaz no Mosteiro de S. João de Tarouca.

12/04/2019

PROSSEGUE-SE O CERCO DE MAZAGÃO (13 de Abril)


Sobre trinta dias de fortíssimos combates, que os Mouros repetiam contra a Fortaleza de Mazagão, havendo levantado uma trincheira terraplanada, e tão eminente, que vinha a entrestar com os muros da mesma Fortaleza, os começaram a minar, para os arruinarem de todo; sendo sentida dos Portugueses esta perigosa operação, fizeram logo suas contraminas, uma das quais, desembocando na dos inimigos, eu lugar a que uns, e outros travassem um horrendo conflicto, em que houve muito mortos, e feridos de parte a parte. Mas, depois de larga resistência, ficaram os nossos dominando aquele campo tenebroso, e prontamente deram fogo a suas das suas minas, as quais rebentaram com tanta fúrias, e tanto a tempo, que produziram uma fatal desrtuição em grande número de Turcos, e Mouros, dos mais lustrosos, e destemidos, e com uma, e outra, experiência, acabaram de persuadir-se, a que, nem em cima, nem debaixo da terra estavam seguros do valor, e vingança dos Portugueses, para os quais foi este dia tão alegre, como triste para os inimigos, que já persistiam naquela opugnação com mais porfia, que esperança de algum bom sucesso. Achava-se já na Fortaleza o Governador Álvaro de Carvalho, e já a Rainha Dona Catarina (que então governava o Reino) havia mandado repetidos, e numerosos socorros de gente, munições, e vitualhas, e já os defensores passavam de dois mil e seiscentos, soldados dos velhos, e exercitados nas guerras da África, e da Índia, em que entrava um grande número de nobres, que à porfia concorreram a esta famosíssima empresa. 

11/04/2019

NASCE O Infante D. LUIZ, filho delRei D. PEDRO I. (12 de Abril)

No mesmo dia [12 de Abril], ano de 1340, nasceu o Infante Dom Luiz, filho primogénito dos Infantes, Dom Pedro, depois Rei I. do nome, e Dona Constança. Morreu menino.

10/04/2019

AJUSTAM-SE PAZES ENTRE PORTUGAL, E FRANÇA (11 de Abril)

No mesmo dia [11 de Abril], ano de 1713 no Congresso Geral de Utrecht, se concluiu e assinou um tratado de firme paz, amizade perpétua, e livre comércio entre Portugal, e França, pelos Ministros Plenipotenciários, da parte de Portugal o Conde de Tarouca, e Dom Luiz da Cunha; e da parte de França o Marechal de Huxeles, e Mons. Mesnager. A 28 de Junho do mesmo ano se publicou em Lisboa com solenidade costumada.

09/04/2019

LUCENCIO, Abade e Bispo (10 de Abril)

Órgão do Mosteiro de Lorvão
LUCENCIO, Monge, e discípulo do grande Patriarca São Bento, e o primeiro, que da sua Religião entrou em Portugal, fundou o insigne Mosteiro de Lorvão, onde foi o primeiro Abade, e depois Bispo de Coimbra; Resplandesceu em letra, e virtudes: assistiu em vários Concílios, celebrados em Hespanha, nos quais, e em todo o discurso da vida, propugnou com singular fervor a veraddeira Fé contra a heresia dos Arianos. Faleceu santamente neste dia [10 de Abril], ano de 580. Do mesmo mosteiro de Lorvão, diremos em outra parte [20 de Maio].

08/04/2019

Pe. Fr. FILIPPE DIAS (9 de Abril)


O Padre Frei Filippe Dias, Português, da sagrada Ordem de São Francisco, professo em Castela na Província de Santiago: Estudou em Salamanca, e sobre excelente letrado, saiu famosíssimo Prégador. Naquele tempos, ninguém o igualou na inteligência dos textos, na lição dos Santos Padres, na profundidade da Doutrina, no vasto da erudição, e sobretudo, no fervor, e eficácia do espírito; prégou, no espaço de mais de quarenta anos, por várias Províncias da Europa, e converteu infinitas almas com os seus Sermões, e ainda hoje está prégando, e convertendo com os seus Sermonários: os primeiros, que com este nome saíram à luz. Deixou impressos oito. Faleceu neste dia [9 de Abril] com fama de santidade, no ano de 1600. 

07/04/2019

Fr. ÁLVARO DE CASTRO (8 de Abril)

Frei Álvaro de Castro, irmão de Dona Inês de Castro, sendo da primeira Nobreza de Castela, e Portugal, meteu debaixo dos pés todas as vaidades da terra, e vestiu o hábito da esclarecida Religião da Santíssima Trindade, onde floresceu em virtudes, e retirado ao seu Convento de Cinta, viveu trinta e sete anos recluso em um Ermida, em perenes exercícios de penitência, e oração: faleceu ditosamente neste dia [8 de Abril], ano de 1456.

06/04/2019

PARTE PARA A ÍNDIA S. FRANCISCO XAVIER (7 de Abril)

S. Francisco Xavier perante D. João III de Portugal, antes da partida para a Índia

No mesmo dia [7 de Abril], ano de 1541 partiu de Lisboa para a Índia São Francisco Xavier, em companhia de Martim Afonso de Souza, Governador daquele Estado; e de uma só vez pagou o ocaso, com grande vantagens os benefícios, que deve ao Oriente, por lhe mandar o Sol todos os dias: por neste caminhou para lá outro Sol de esfera mais alta, de mais luzidos resplendores, de mais benignas influências. 

JOÃO DA SILVA, REGEDOR DAS JUSTIÇAS, EM TEMPO delRei D. MANOEL, e D. JOÃO III. (6 de Abril)


João da Silva, Cavaleiro da nobilíssima família do seu apelido, tão antiga em anos, como fecunda em heróis, filho de Aires da Silva, e de Dona Guiomar de Castro, foi Varão excelente em esforço, e aviso, na campanha, e na Côrte. Militou em África, e escola da Nobreza de Portugal naqueles tempos, em que não era costume pôr espada, ou galantear dama, quem não tivesse provado a mão com os mouros, servindo alguns anos naquelas praças, onde pelas durezas da guerra se habilitavam para as branduras do amor. Ditosa idade, em que se prezava pouco a fortuna dos ilustres nascimentos, se lhe faltava o realce das acções ilustres! Tais foram as de João da Silva em duas vezes, que passou àquela guerra; uma, seguindo o estilo dos moços, seus iguais, e levados do seu brio: outra levado do brio, e do obséquio, acompanhando ao Duque de Bragança, Dom Jaime na memorável expedição sobre Azamor. Em ambas conseguiu universais aplausos de prudente, e valeroso. Voltou a Portugal, e entregue aos empregos da Côrte, mereceu as estimações, e agrados delRei Dom Manoel, com tanto extremo, que quando ainda não penteava cans, o nomeou o mesmo Rei por seu Regedor das justiças, cargo de suma reputação, e que se fiava só a idades mui crescidas, sobre grandes qualidades; mas nele se via, e se admirava suprida, com vantagens, a falta dos anos, pela pureza, e integridade dos costumes. Suas eram três máximas prudentíssimas, que foram muito celebradas naqueles tempos, e sempre deviam andar impressa na memória dos homens: Ouvir Missa não gasta tempo: Dar esmola não empobrece: Fazer bem, nunca se perde. Seguindo tão acertados dictames, e outros não menos acertados, se fez um vivo exemplar de virtuosas, e generosas prendas, assim no trato da sua pessoa, e família, como na administração do seu cargo. Observantíssimo das suas obrigações, era um perene, e indispensável preceito, para que todos fizessem as suas.

 Em seu tempo, nem houve falta nos Ministros, nem queixas nos litigantes, e se as houve alguma vez, logo eram prontamente emendadas, e satisfeitas. Queixava-se-lhe certo homem, de que um Desembargador lhe detinha um feito, havia dois meses: eram dois meses naquele tempo, grande dilação. Entrando o tal Desembargador na Relação, lhe perguntou o Regedor, se trazia o feito de fulano? Respondeu, que ficava em casa. Ora, mandai-o buscar (lhe disse), e que tragam mil reis para a parte satisfazer os gastos, que tem feito por causa das vossas dilações. Eram naquele tempo mil reis quantia de importância, e logo o Desembargador a exibiu, juntamente com o feito. Propondo-se a ElRei Dom João III que certo homem dava dez mil cruzados para redenção dos cativos, pela absolvição de um crime grave, e mostrando ElRei inclinar-se para a proposta, resistiu constantemente o Regedor, dizendo: Se Vossa Alteza quer vender a justiça por dinheiro, pode-o fazer, como Príncipe soberano que é, porém não, sendo João da Silva Regedor, e assim lhe peço licença para desde logo arrumar o bastão. ElRei o ouviu com grande assombro, e lhe respondeu com igual benignidade, dizendo: João da Silva, fazei o que entenderes, que mais convém ao meu serviço, e à boa administração do vosso cargo. Cortava até por si nas cousas da justiça: pediu a um Escrivão uma devaça, em que se achava compreendido certo parente seu: respondeu-lhe o Escrivão: Senhor, se vossa senhoria me pede a devaça, como Regedor, aí a tem, se como parente de Dom fulano, não lha devo mostrar: parou o Regedor um pouco, e disse: Tendes muita razão, não a quero ver. Apresentando-se-lhe uma provisão de revista, e parecendo-lhe injusta, não a quis admitir: replicavam-lhe, que assim o julgara certo Ministro, que era homem de muitas letras, mas notoriamente conhecido por Cristo novo: Respondeu: Deixai, que esse homem, se meterem o Credo na mão, há de dizer, que é caso de revista. Chamavam-lhe, como por antonomásia, o Regedor, e ele se prezava muito desde título, por ser de grande autoridade, e muito mais por trazer consigo a administração da justiça, em benefício do comum. Disse-lhe um dia o Príncipe Dom João, filho delRei Dom João III.: João da Silva, dizem-me, que tendes feto uma honorífica Capela em São Marcos de Coimbra. Ressentiu-se o bom velho Príncipe lhe faltar com o título costumado, e respondeu: Senhor, para um Fidalgo raso, que não tem Dom, qualquer cousa é muito. Teve ditos mui galantes, e generosos. Indo um dia depois de jantar, falar a ElRei viu, que saia um Fidalgo, chamado de alcunha o Avicena, e que encontrava outro chamado o Bacalhau, que se deteve muito;  enrtou o Regedor enfadado de tanto esperar, e disse a ElRei: Senhor, se Avicena disse a Vossa Alteza, que depois de jantar era bom tanto bacalhau, é um ignorante das regras da Medicina; teve dele certo Fidalgo, não sei que queixa, e contando-lhe, que o tal Fidalgo dizia, em tom de ameaço: Que ainda tinha em sua casa a lança, com que seus antepassados haviam morto muitos Mouros em África; respondeu-lhe: Dizei a Dom fulano, que se a lança fora sua, então entenderia eu, que ele falava deveras. Unindo às gentilezas de Cavaleiro às máximas de bom Cristão, trazia muito na memória os espaços imensos da eternidade, os perigos da vida, e os rigores da conta, e regulava os seus procedimentos ao compasso de tão importantes considerações. Muitos anos, antes da morte, fez erigir uma suntuosa Capela para seu enterro, no Mosteiro de São Marcos, de Religiosos de São Jerónimo, junto a Coimbra. Faleceu neste dia [6 de Abril], ano de 1553.

04/04/2019

ACLAMAÇÃO PRODIGIOSA delRei D. JOÃO I. (5 de Abril)

Resultado de imagem para D. JOÃO I. ascendensblog
Rei D. João I de Portugal.
No mesmo dia [5 de Abril], ano de 1385 estando o Mestre de Avis (depois glorioso Rei) na Cidade de Évora, prevenindo a defensa do Reino, quando este andava mais revolto, e alterado sobre as pertenções de Castela, se ouviu dizer a uma criança de oito meses, com palavras claras, e distintas: Real, Real, por Dom João, Rei de Portugal: passava-lhe o Mestre de Avis, ao mesmo tempo, pela porta, e este misterioso acaso, certificou claramente, qual era o Dom João, a quem se dirigiam aquelas vozes: Não é novo sucederem semelhantes prodígios em semelhantes ocasiões. E este se acha autenticado no arquivo do Senado de Évora.

03/04/2019

O Beato Fr. JOÃO ESTÁCIO (4 de Abril)


O Beato Frei João Estácio, Português, da sagrada Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, um dos discípulos de grande Arcebispo de Valência, Santo Tomás de Vila-Nova, e primoroso imitador de suas virtudes: passou à nova Hespanha, onde por meio de infinitos trabalhos, e contínuas perigrinações, convertou inumeráveis gentios à Fé, e coroado de merecimentos foi neste dia [4 de Abril] o prémio deles, ano de 1553.

02/04/2019

LUÍS ALVARES DE ANDRADE (3 de Abril)

Luís Alvares de Andrade, nasceu em Lisboa de pais humildes, mas virtuosos: Aprendeu a arte de Pintura, que exercitou, mais em obséquio da devoção, que no interesse; assistia muito ao Venerável Padre Frei Luís de Granada, e como Pintor de uma nova arte, soube copiar em si as perfeições de tão excelente original: contínuas orações, e devoções, sobre ásperas penitências, eram o perene exercício de sua vida: foi devotíssimo das Almas do Purgatório, e para renovar nos vivos a sua lembrança delineou aquela pintura, hoje vulgar, em que as Almas se representam entre chamas com as mãos levantadas, em acção de pedirem os sufrágios dos fieis, e fez grande número destes retratos, que mandou colocar nos lugares mais públicos das principais povoações do Reino; e por outros muitos modos as socorria, sem perdoar a trabalho, nem a dispendio, e procurava, que todos as socorressem: a mesma caridade exercitava com os pobres: também por ele se introduziu em Lisboa, e logo em todo Portugal, e seus domínios, a procissão, a que chamamos dos Passos, invento, que só bastava, a lhe dar imortal nome; Prenda, e dádiva foi a sua devotíssima Imagem, que vai na mesma Procissão: provou-lhe Deus a paciência com uma grave enfermidade, que no espaço de quatorze anos, o martirizou com excessivas dores, sofridas, porém, com admirável paciência, e resignação; até que neste dia [3 de Abril], ano de 1631 entre suavíssimos colóquios com Cristo crucificado, passou a melhor vida. Jaz no Cruzeiro da Igreja de São Roque.