24/02/2019

DOM PEDRO FERNANDES SARDINHA (25 de Fevereiro)

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Dom Pedro Fernandes Sardinha, Varão singular em letras e virtudes, foi o primeiro Bispo do Brasil, e no ano de 1552 passou àquelas partes, e deu na Bahia a primeira forma à Igreja Catedral. Trabalhou com zelo ardente na cultura daquele vastíssimo, e bárbaro rebanho, e não menos na boa direção dos Portugueses, esquecidos até ali, pela maior parte, das obrigações de Cristãos, por falta de doutrina, e de Pastor. Para remédio de alguns males, em que havia maior obstinação, tratou de voltar ao Reino, onde esperava facilitar na piedade delRei os meios mais oportunos ao bem de tantas almas. Navegando na altura de dez graus Austrais, junto ao Rio de São Francisco, sobre furiosa tormenta naufragou a sua Nau, salvando-se ele, e mais de noventa pessoas, para correrem maior tormenta na crueldade, e voracidade dos Índios. Acudiram em grande número, os daquela terra, chamados Caétes, e mostrando primeiro compaixão, investiram com desumano ímpeto aos míseros naufragantes, tão extremamente debilitados, que sem resistência se lhe entregaram, e foram logos despedaçados, e comidos. Correu a mesma fortuna o Bispo, esperando a morte com os joelhos em terra, as mãos, e os olhos levantados ao Céu. Afirma-se, que o campo, onde caiu morto, não se adornara mais da verdura natural, e ordinária. Foi sua morte neste dia [25 de Fevereiro], no ano referido.

23/02/2019

NAUFRAGA A NAU NOSSA SENHORA. DA BARCA (24 de Fevereiro)

Igreja de S. Francisco, Cochim (Índia).
Nos fins de Janeiro do ano de 1559 partiu de Cochim para Portugal, a Nau nossa Senhora da Barca, de que era Capitão Dom Luiz Fernandes de Vasconcelos, na qual vinham quase trezentas pessoas; na altura da Ilha de São Lourenço, acharam os ventos tão rijos, e dos mares tão grossos, e cruzados, que começou a Nau, a fazer água por muitas partes, e por mais diligências, que se fizeram, não largando as bombas de dias, nem de noite, acudindo a esta fadiga, até os Fidalgos, e pessoas principais, negando-se ao descanso, e ao sustento, nada bastou, para que se aliviasse o peso, que os oprimia, e tragava por instantes. Neste último perigo, mandou Dom Luiz lançar o batel ao mar, e nele recolheu até sessenta pessoas, carga excessiva para vaso de tão pequeno porte. Havia-se apartado já o batel da Nau, mas o Capitão o mandou chegar a ela, para recolher ao Padre Frei Fernando de Castro da sagrada Religião dos Menores, Varão de virtude singular, como bem mostrou neste caso: porque, com heroica, e estupenda resolução, disse: Que antes queria perder a vida, do que desamparar tantas almas, que ficava confessando, e consolando como melhor podia; fizeram-se logo os do batel noutra volta, deixando aos da Nau entre prantos, e gemidos, que seriam os ares, e indo ainda à vista dela, a viram ir a pique submergindo-se, em um ponto, aquela grande máquina, e tudo o que ia ela. Sucedeu este lastimosíssimo naufrágio neste dia [24 de Fevereiro], do ano que acima dissemos. Os dos batel, se salvaram finalmente à custa de insuportáveis fomes, e sedes, e por entre imensos trabalhos, e perigos. 

22/02/2019

ESTUPENDO PRODÍGIO EM GOA (23 de Fevereiro)

No mesmo dia [23 de Fevereiro], num Sábado da Quaresma, ano de 1619 saindo algumas pessoas da Igreja Paroquial de nossa Senhora da Luz, da Cidade de Goa, para a parte de um monte, chamado a Boa Vista, onde de muitos anos estava arvorada uma Cruz, sem Imagem de Cristo Senhor nosso; viram nela uma figura do mesmo Senhor, na forma, em que se costuma representar Crucificado, e que, com movimentos de vivo, se voltava, e punha os olhos sobre a Cidade, como antigamente sobre a de Jerusalém. Pasmaram todos os que se acharam presentes, e prostrando-se por terra, desfeitos os corações em lágrimas, e ternuras, imploravam a Divina Misericórdia. Desapareceu a visão brevemente, e logo a Cruz foi levada para a dita Igreja, onde começou a ser tida em suma veneração, e tocando-a os Fieis enfermos, e aflitos começaram a receber grandes, e singulares mercês da mão de Deus. Qualificou-se este raro prodígio, por autoridade Ordinária, jurando como testemunhas de vista treze pessoas de boa reputação, e dignas de todo o crédito.

21/02/2019

D. GONÇALO MENDES (22 de Fevereiro)

Dom Gonçalo Mendes, Prior do Real Convento de São Vicente, junto a Lisboa, (de cujas mãos recebem a Murça Augustiniana o glorioso Português, e Ulissiponense Santo António) foi Varão de vida inculpável: por suas virtudes logrou (por mais que lhe fugia) as estimações, e venerações do Príncipes daqueles tempos, os quais não obravam empresa mais relevante, sem os seus conselhos, e direções. Foi seu glorioso trânsito neste dia [22 de Fevereiro],  ano de 1249 e na mesma hora viu São Frei Gil (que então se achava em Santarém) ser levada sua ditosa alma ao Céu, por mãos de Anjos.

20/02/2019

BENTO Eremita (21 de Fevereiro)

Neste dia [21 de Fevereiro], ano de 1482 deu glorioso film à carreira mortal um Eremita Português, chamado Bento, e merecedor de memória perdurável; porque depois de viver neste Reino alguns anos no contínuo exercício de ásperas penitências, passou a Monserrate, e ali viveu sessenta e seis, e uma Ermida, ou cova, que ainda conserva o seu nome: a vida foi, qual pedia o lugar, e o desengano, e a morte, foi, qual havia sido a vida.