22/01/2019

D. RAFAEL BLUTEAU RECITA TRÊS ORAÇÕES GRATULATÓRIAS (23 de Janeiro)


Neste dia, e nos dois seguintes do ano de 1724 recitou o Padre Dom Rafael Bluteau, Clérigo Regular da Divina Providência três Orações gratulatórias na Igreja da sua Casa de Lisboa, a que assistiu ElRei Dom João V nosso Senhor com grande concurso de nobreza e povo, pela mercê, que Deus nosso Senhor fez a Lisboa em suspender o flagelo de uma epidemia, que havia principiado na quadra do  Outono do ano antecedente; e sem dúvida se ateara muito se ElRei nosso Senhor saísse de Lisboa com toda a Casa Real, como muito o persuadiram; a que resistiu com ânimo de coração verdadeiramente Real, e paterno, dizendo que antes queria morrer com seus Vassalos naturais, do que desampará-los, e deixar de lhes acudir; como fez com a maior caridade, liberalidade, e grandeza, que se podem considerar, mandando distribuir pelos Párocos grandes somas de dinheiro pelas Freguesias, Médicos, e Cirurgiões, e pelas casas de todos os necessitados enfermeiros, e enfermeiras, e tudo o de que podiam necessitar de viveres, de  comodidades, de mantimentos, de remédios, e regalos. Feliz Reinado! em que o Rei como governa como Rei, como pai, e como homem.

21/01/2019

S. FREI DOMINGOS MARTINS (22 de Janeiro)

Mosteiro de Alcobaça
São Frei Domingos Martins, Monge, e Abade de Alcobaça da Ordem Cisterciense, Varão de vida santíssima. Como Santo foi sempre venerado em Portugal, e dele se rezava na Inglaterra, enquanto aquele Reino se conservou na obediência da Igreja Romana. Foi seu glorioso trânsito neste dia [22 de Janeiro], ano de 1302.

20/01/2019

Soror VIOLANTE DO CÉU (21 de Janeiro)



Soror Violante do Céu, natural de Lisboa, batizada na Freguesia da Sé, Freira Dominica no Mosteiro da Rosa da mesma Cidade. Foi dotada de génio felicíssimo para todo o género de composições métrica nas línguas Portuguesa, e Castelhana. Parecia cousa do Céu; ainda mais no engenho, que no sobrenome; desde os primeiros anos, começou a ser, um prodígio da eloquência, um milagre da discrição; sendo de dezasseis, compôs a comédia de Santa Eugénia, que intitulou: La transformacion por Dios, com tanta aceitação dos entendidos, que por voto comum dos mesmos, se representou a Filipe III quando se achava em Lisboa pelos anos de 1619. Desde então até o ano de 1693 prosseguiu sempre em compor, e admirar. No dilatado curso de tanto tempo, e em tanta variedade de sucesso de dor, e alegria pública, em que os discretos aparavam as penas, e saiam com várias obras, saiu sempre Soror Violante com as suas, e sobressaiu com vantagem conhecida. Nas Academias, e Certames poéticos, que houve em seu tempo, levou sempre os primeiros prémios, e os maiores aplausos: Os Reis Dom João IV e Dona Luiza, o Príncipe Dom Teodósio, e todos os senhores, e senhoras grandes da Côrte, faziam da sua pessoa extremadíssimo apreço, e lhe davam repetidos assuntos para lograrem repetidos os seus versos, dos quais, com grande dor dos curiosos, se imprimiu só um pequeno livro, e alguns romances, que correm avulsos. Compôs três Comédias, a de Santa Eugénia, e outra, que intitulou: El hijo Esposo, y hermano; e outra: La victoria por la Cruz; Todas ao Divino, e todas as suas poesias foram sempre limpíssimas de todo o afecto menos puro. Em longa velhice com oitenta e seis anos de idade, no de 1693 faleceu neste dia [21 de Janeiro] quase de repente, mas com preparação de toda a vida, porque sempre foi Religiosa muito observante, e exemplar.

19/01/2019

NAUFRÁGIO DA NAU SÃO PAULO (20 de Janeiro)

Ilha de Sumatra

Fluctuava na costa da Ilha de Samatra [Sumatra] a nau São Paulo, em que navegavam na volta de Maláca perto de oitocentos Portugueses; e sobre largo tempo de trabalhosa viagem, ao entrar na noite deste dia, ano de 1561 se vieram abarbados com terra, por causa da corrente das águas, e da fúria do vento, que não bastaram os maiores esforços da diligência, e arte, para escaparem ao eminente perigo, que os ameaçava. Crescia o travessão, e as águas levavam a nau com furioso ímpeto, e sem remédio deram à costa. Nesta fatal consternação, sendo o perigo tão urgente, ainda era maior a confusão, e o assombro. Muitos se lançaram ao mar, buscando cegamente a morte nos desejos de salvarem a vida, que perderam, já oprimidos das ondas, já retalhados nos recifes. Repontou a manhã, e se acharam junto de uma Ilha deserta, na qual desembarcaram servindo-se do esquife: e logo, aproveitando-se das relíquias da nau, que o mar lhe oferecia, se aplicaram a fazer três batelões, em que pudessem salvar-se. Começaram a faltar os mantimentos, e a crescer a fome, e com ela a desesperação. Foi preciso deterem-se mês e meio naquela Ilha, onde morreram oitenta, e acabadas de formar as três embarcações, se meteram nelas trezentos e sessenta, que não cabiam mais; ficando os outros na única esperança de passarem (como fizeram) à terra firme, e seguirem por ela o rumo dos navegantes. Nesta repartição sucederam casos lastimosos. Navegavam uns, e caminhavam outros, sempre à vista, quanto sofriam os tempos, e as praias, até que encontrando aqueles com algumas embarcações de Mouros, as investiram, e renderam, sobre dura peleja, e recebendo nelas os companheiros, foram dar nas terras do Rei de Menacabo, no qual, entre aparências de amigo, acharam efeitos de traidor; e sendo mortos em uma noite à espada mais de sessenta, os restantes se acolheram às embarcações, e vencidos outros muitos trabalhos, e perigos, aportaram finalmente em Malaca.

O SANTO REI UVAMBA (20 de Janeiro)


O SANTO Rei Uvamba [Wamba], Português natural da Idanha, hoje neste Reino povoação de pouco nome, antigamente Cidade populosa. Foi eleito Rei dos Godos em toda a Hespanha por aclamação universal, e sem outra contradição mais, que a sua. O seu valor, e a sua virtude levaram primeiros os votos de toda a Nação, depois as admirações: magnífico na Côrte: devoto na Igreja: destemido na campanha: encheu, e realçou as qualidade de Príncipe, de Católico, de guerreiro. Sobre gloriosas vitórias, que alcançou de seus inimigos, se soube vencer a si com outra mais ilustre, e pondo a Coroa aos pés do desengano, se retirou ao porto da Religião, e mereceu, pelos rigores de uma vida penitente, uma morte felicíssima, que sucedeu neste dia [20 de Janeiro], ano de 672.

Torre do santo Rei Wamba, na Vila Velha de Ródão (Portugal)