Foi André de Albuquerque um dos Varões mais excelentes deste apelido, e um dos Capitães mais valorosos de seu tempo. Desde a primeira idade, militou na América, depois na Europa, e dos postos inferiores subiu aos mais altos, pelos degraus do valor, não da valia. O largo exercício da guerra o fez insigne na disciplina militar, sabia melhor que todos mandar com acertos, e obedecer com prontidão. Alternava extremos de afável, e severo, de modesto, e altivo, regulando os afectos à proporção dos casos, e das pessoas. Amava com extremo aos soldados valerosos, não sofria aos fracos. Em todas as facções, em que se achou, deu singulares provas de valor. Na batalha referida das Linhas de Elvas, se excedeu a si mesmo. No maior fervor dela, vendo, que um dos nossos esquadrões, que havia atacado um forte, começava a vacilar, se lançou diante, e tocando com a bengala nas estacas, advertiu aos soldados o modo, de arrancá-las; então lhe acertou um bala pelos peitos, de que caiu morto, mas será imortal, nos anais Portugueses, a glória do seu nome.
13/01/2019
ANDRE DE ALBUQUERQUE (14 de Janeiro)
Foi André de Albuquerque um dos Varões mais excelentes deste apelido, e um dos Capitães mais valorosos de seu tempo. Desde a primeira idade, militou na América, depois na Europa, e dos postos inferiores subiu aos mais altos, pelos degraus do valor, não da valia. O largo exercício da guerra o fez insigne na disciplina militar, sabia melhor que todos mandar com acertos, e obedecer com prontidão. Alternava extremos de afável, e severo, de modesto, e altivo, regulando os afectos à proporção dos casos, e das pessoas. Amava com extremo aos soldados valerosos, não sofria aos fracos. Em todas as facções, em que se achou, deu singulares provas de valor. Na batalha referida das Linhas de Elvas, se excedeu a si mesmo. No maior fervor dela, vendo, que um dos nossos esquadrões, que havia atacado um forte, começava a vacilar, se lançou diante, e tocando com a bengala nas estacas, advertiu aos soldados o modo, de arrancá-las; então lhe acertou um bala pelos peitos, de que caiu morto, mas será imortal, nos anais Portugueses, a glória do seu nome.
12/01/2019
Padre BAUTISTA, Cónego SECULAR DA CONGREGAÇÃO DE S. JOÃO EVANGELISTA (12 de Janeiro)
O Venerável Padre Baptista [Bautista, Batista] nasceu na Cidade de Évora [séc. XV] de pais nobres. Estudou na Universidade de Salamanca as ciências maiores, e se aperfeiçoou nelas na de Lisboa, onde foi egrégio Lente. O primeiro Duque de Bragança Dom Afonso o fez mestre de seus filhos, e proveu numa Igreja de Lisboa.
Mas como todas as honras do mundo não eram do seu espírito, nem do seu génio, renunciou a Igreja, largou a cadeira, repartiu pelos pobres o que possuía, e metendo debaixo dos pés todas as bem fundadas esperanças, que podia ter na terra, deu sobre elas os primeiros passos para a Serra de Ossa a fazer companhia aos seus Santos Eremitas, onde o seu Superior, ou Maioral (como lhe chamavam naqueles séculos) Mendo Gomes de Seabra, lhe disse com espírito profético, que Deus senão agradava de que os acompanhasse naquele reitor, porque o queria na Congregação de São João Evangelista, que então principiava, para que com as suas letras, e exemplos, fosse instrumento da salvação de muitas almas. Assim o executou prontamente, e no Convento de Santo Eloy de Lisboa foi admitido a Cónego Secular daquela Congregação, mudando o nome que tinha de Fernando Álvares, no de que Baptista, em obséquio do Precursor de Cristo. Com singular desvelo se empenhou em imitar na pureza, na penitência, no zelo, na abstinência, e na oração. Mas onde mais realçou a imitação, foi no espírito ardentíssimo com que se empregou todo em prégar penitência, em converter pecadores, em cortar os descaminhos dos caminhos de Deus, semeando por toda a parte a palavra Divina, e ensinando a grandes, e pequenos a Doutrina Cristã. Neste apostólico exercício discorreu por quase todo o Reino com incansável trabalho, e admirável fruto. Converteu, e batizou publicamente famílias inteiras de Judeus, pelo que alguns conceberam contra ele grande ódio, e procuraram executar o intento de o matar; já com veneno, já com ferro, e sempre o livrou deus com milagres não pequenos, de que admirados os mesmos agressores, se fizeram contritos, e Cristãos. Não menos se desvelava este grande operário Evangélico em aperfeiçoar os Católicos, sendo pai, e director espiritual de muitos, que por ele guiados subiram a grande perfeição de vida.
ElRei Dom Afonso V e a Rainha Dona Isabel o fizeram Prégador das suas Capelas. A Congregação de São João Evangelista lhe conferiu muitas prelazias, e também a de Reitor Geral; e em seu serviço, e por obediência, passou duas vezes a Roma, onde foi muito aceito, e felizmente despachado. Na segunda, estando já de partida para este Reino, lhe sobreveio uma enfermidade, que os médicos reputaram por leve, e ele por última, apontando o dia, e a hora em que havia de morrer; e assim sucedeu pontualmente, porque na hora sinalada deste dia [12 de Janeiro] de 1465 preparado com Sacramentos, e com muitos actos de piedade faleceu, saindo de seu corpo suavíssimo cheiro até ser, como foi, sepultado com muita pompa, e aclamações de Santo, na Basílica de Santa Maria Maior no sepulcro da Casa Ursina, cujo Senhores ofereceram pela grande veneração que tinham ao Padre Baptista. Com a mesma, fazem ilustre menção dele as memórias deste Reino.
Mas como todas as honras do mundo não eram do seu espírito, nem do seu génio, renunciou a Igreja, largou a cadeira, repartiu pelos pobres o que possuía, e metendo debaixo dos pés todas as bem fundadas esperanças, que podia ter na terra, deu sobre elas os primeiros passos para a Serra de Ossa a fazer companhia aos seus Santos Eremitas, onde o seu Superior, ou Maioral (como lhe chamavam naqueles séculos) Mendo Gomes de Seabra, lhe disse com espírito profético, que Deus senão agradava de que os acompanhasse naquele reitor, porque o queria na Congregação de São João Evangelista, que então principiava, para que com as suas letras, e exemplos, fosse instrumento da salvação de muitas almas. Assim o executou prontamente, e no Convento de Santo Eloy de Lisboa foi admitido a Cónego Secular daquela Congregação, mudando o nome que tinha de Fernando Álvares, no de que Baptista, em obséquio do Precursor de Cristo. Com singular desvelo se empenhou em imitar na pureza, na penitência, no zelo, na abstinência, e na oração. Mas onde mais realçou a imitação, foi no espírito ardentíssimo com que se empregou todo em prégar penitência, em converter pecadores, em cortar os descaminhos dos caminhos de Deus, semeando por toda a parte a palavra Divina, e ensinando a grandes, e pequenos a Doutrina Cristã. Neste apostólico exercício discorreu por quase todo o Reino com incansável trabalho, e admirável fruto. Converteu, e batizou publicamente famílias inteiras de Judeus, pelo que alguns conceberam contra ele grande ódio, e procuraram executar o intento de o matar; já com veneno, já com ferro, e sempre o livrou deus com milagres não pequenos, de que admirados os mesmos agressores, se fizeram contritos, e Cristãos. Não menos se desvelava este grande operário Evangélico em aperfeiçoar os Católicos, sendo pai, e director espiritual de muitos, que por ele guiados subiram a grande perfeição de vida.
ElRei Dom Afonso V e a Rainha Dona Isabel o fizeram Prégador das suas Capelas. A Congregação de São João Evangelista lhe conferiu muitas prelazias, e também a de Reitor Geral; e em seu serviço, e por obediência, passou duas vezes a Roma, onde foi muito aceito, e felizmente despachado. Na segunda, estando já de partida para este Reino, lhe sobreveio uma enfermidade, que os médicos reputaram por leve, e ele por última, apontando o dia, e a hora em que havia de morrer; e assim sucedeu pontualmente, porque na hora sinalada deste dia [12 de Janeiro] de 1465 preparado com Sacramentos, e com muitos actos de piedade faleceu, saindo de seu corpo suavíssimo cheiro até ser, como foi, sepultado com muita pompa, e aclamações de Santo, na Basílica de Santa Maria Maior no sepulcro da Casa Ursina, cujo Senhores ofereceram pela grande veneração que tinham ao Padre Baptista. Com a mesma, fazem ilustre menção dele as memórias deste Reino.
Sto. ADELFIO, Bispo e Mártir (13 de Janeiro)
NESTE dia [13 de Janeiro] padeceu martírio a mãos de Mouros em defensa da Fé, no infeliz ano de 714 Santo Adelfio Bispo da Cidade de Tuy, a qual pertencia naquele tempo à antiga Lusitânia: morreram juntamente com ele, pela mesma causa, muitos Cristãos, principalmente Sacerdotes.
[35. A Oppa sucedeu Adelfio antes do ano 688, pelo mês de Maio, em cujo dia 11 assistiu ao XV Concílio de Toledo, e assinou os respectivos decretos com os demais Prelados. (…).
36. Adelfio governava Tuy no ano 693 no qual voltou a Toledo, e assistiu ao XVI Concílio. (…)
39. Ao tempo do Bispo Adelfio corresponde a restauração do Reino da Galiza, que fez o Rei Égica, colocando em Tuy seu filho Witiza, para que governasse o Reino dos Suevos, e o pai o dos Godos (…) o Rei enviou ali com seu filho ao Duque Fáfila, filho do Rei Chindasvind [Quindasvinto], e Pai de D. Pelaio. Mas o Duque teve o infortúnio de cair em desgraça da Rainha, que instigando o seu marido Witiza, feriu-o na cabeça com um cravo, e morreu.
40. Assim que faleceu o Rei Égica, deixou a residência de Tuy, e passou-se a Toledo, governando só todas as Províncias de Espanha, mas tão mal, que logo caíram na mão de Africanos, pelos anos 714.
41. Esta desgraça não a viu já Adélfio, mas sim o seu sucessor: ignoramos o seu nome, pois achamos apenas a notícia de que padeceu muitos trabalhos, como se dirá. (España Sagrada - Tomo XXII; Madrid, ano 1768. pág. 34 - tradução: Santo Zelo Blog)].
11/01/2019
JOANE O POBRE (12 de Janeiro)
10/01/2019
BEATO Fr. JOÃO DA HORTA (11 de Janeiro)
O Beato Frei João de Horta [ou Fr. João Hortelão], Português, natural da Vila de Valverde da Comarca da Torre de Moncorvo do Arcebispado de Braga, sendo pastor era já tão virtuoso, e observante dos preceitos eclesiásticos, e dotado de tão alta fé, que fazia do seu gabão barba, e dos braços remos com que passava o rio Sabor para ouvir Missa em uma Igreja, que estava da outra parte do mesmo rio. Com uns Frades de São Francisco foi ao Convento de Salamanca da mesma Ordem, onde sendo logo manifestas as suas raras virtudes, o admitiram ao seu hábito, dando-lhe o exercício da cultura da horta, que por esta causa lhe ficou por apelido. A defensa dos pássaros, que concorriam a comer a seara, o impediram ajudar às Missas, e para se não privar desta consolação, quando lhe parecia tempo de servir na Igreja, chamava todas as aves, que assistiram na cerca, e foram dela, as quais obedecendo às suas vozes se colhiam em uma casa da horta, onde as fechava até vir dos Ofícios Divinos, e depois lhe dava liberdade. Este, e outros prodígios com as muitas virtudes, e penitências, que exercitava, lhe granjearam o epíteto de Santo, que teve na vida, e morte, que predisse, e foi neste dia [11 de Janeiro] no ano de 1501.
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