Frei Manoel Guilherme, da Ordem de São Domingos, foi natural de Lisboa, onde leu muitos anos Teologia moral, Qualificador do Santo Ofício, Examinador do Padroado Real, e das três Ordens militares, e um dos mais famosos Prégadores da Corte, e grande bem-feitor da sua Religião [Ordem Religiosa], que lhe deve a grande, e excelente biblioteca do Convento de São Domingos de Lisboa, e outras mais obras; e a República literária os quatro tomos do Agiológio Dominicano, que compreende todo o ano, e outras mais composições predicativas, morais, e espirituais. Foi grande director místico, e religioso perfeito. Fugiu de governos, e prelazias, e sem estes encargos, e com muitos merecimentos, faleceu neste dia [16 de Agosto], ano de 1730 com setenta e dois de idade.15/08/2018
Fr. MANOEL GUILHERME (16 de Agosto)
Frei Manoel Guilherme, da Ordem de São Domingos, foi natural de Lisboa, onde leu muitos anos Teologia moral, Qualificador do Santo Ofício, Examinador do Padroado Real, e das três Ordens militares, e um dos mais famosos Prégadores da Corte, e grande bem-feitor da sua Religião [Ordem Religiosa], que lhe deve a grande, e excelente biblioteca do Convento de São Domingos de Lisboa, e outras mais obras; e a República literária os quatro tomos do Agiológio Dominicano, que compreende todo o ano, e outras mais composições predicativas, morais, e espirituais. Foi grande director místico, e religioso perfeito. Fugiu de governos, e prelazias, e sem estes encargos, e com muitos merecimentos, faleceu neste dia [16 de Agosto], ano de 1730 com setenta e dois de idade.14/08/2018
NASCE Sto. ANTÓNIO DE LISBOA (15 de Agosto)
No ano de 1195 neste ditoso dia [15 de Agosto], governando a Barca de São Pedro, Celestino III o império do Oriente Izacio Ângelo, o do Ocidente Henrique V e o reino de Portugal Dom Sancho I nasceu em Lisboa, famosíssima Capital do mesmo Reino, o glorioso, e portentoso Santo António. Foram seus Pais, Martim de Bulhões, e Dona Teresa Taveira, ambos de claríssima nobreza, e de estremada virtude. Viviam junto da Igreja Catedral de Lisboa, em casas, que vemos convertidas em um asseadíssimo Templo, fábrica moderna dos Reis Dom João II, e Dom Manuel, como se vê no letreiro, que corre no arco da porta principal, cujas letras, por serem cortadas com artifício em pedaços de ramos, e outras figuras alheias da escritura, não são muito conhecidas, formam estas palavras: Joannes II. Emmanuel I. Reges boa opus construxerunt. É Igreja do Padroado Real, isenta do Ordinário por privilégio da Santa Sé Apostólica, administrada pelo Senado da Câmera. É hoje tão rica, tão perfeita, tão asseada, tão vistosa, e tão bem servida, que faz competência com as melhores de Portugal. Tem para seu serviço, e ornato mais de cem mil cruzados de prata lavrada, dizem-se na mesma Igreja cada ano mais de trinta e duas mil Missas.
[Nota do blogue: Dados do séc. XVII.]
INSTITUI S. DÂMASO Papa A FESTA DA ASSUNÇÃO DE N. SENHORA (15 de Agosto)
NESTE plausível dia, em Sexta-feira, às três horas da tarde, ano 49 do Nascimento de Cristo, com setenta ou setenta e dois anos de idade, menos vinte e seis dias, segundo diversas opiniões, subiu, milagrosamente ressuscitada, a Virgem Maria Mãe de Deus nos braços de Nosso Senhor Jesus Cristo, seu amado Filho, ao mais alto do Empíreo; cujas suavíssimas memórias de triunfo tão glorioso, celebrado com imensa grandeza, e majestade, festeja neste dia [15 de Agosto] a Igreja Católica. Mas qual foi o Sumo Pontífice, que na mesma Igreja, instituiu, e deu princípio a esta grande solenidade? Foi um português, São Dâmaso no ano de Cristo de 364. ElRei D. João I do nome em Portugal aumentou o mesmo culto neste Reino, fazendo dedicar as Igrejas Catedrais à gloriosa Assunção da Augustíssima Senhora.
13/08/2018
TRESLADAÇÃO DA CONGREGAÇÃO DO ORATÓRIO DE LISBOA (14 de Agosto)
No mesmo dia [14 de Agosto], ano de 1674 se mudou a sagrada Congregação do Oratório de Lisboa do sítio em que principiou, como dissemos noutra aparte, para a Igreja do Espírito Santo, em que ao presente se vê na rua nova de Almada, com majestosa procissão. Levou o Santíssimo Sacramento o bispo Capelão mór Luiz de Souza, depois Arcebispo de Lisboa, e Cardeal, acompanhado de toda a Capela Real em forma de Comunidade, e do Sereníssimo Príncipe Dom Pedro, então Regente, e depois Rei II do nome, e de toda a Nobreza da Corte. No dia seguinte esteve o Senhor exposto, assistiu o Arcebispo de Lisboa, Dom António de Mendonça, e celebrou pontificalmente o seu Coadjutor, Dom Fr. Cristóvão de Almeida, Bispo de Martiria. De tarde visitaram a Igreja as Pessoas Reais, o Núncio Apostólico, e tudo se fez com grande pompa, e majestade, devoção, e alegria de toda a Casa Real, onde teve o seu princípio a mesma Congregação.
12/08/2018
SUCESSO INFELIZ EM ÁFRICA (13 de Agosto)
Desejava ElRei Dom Manuel senhorear toda a Costa de África, que faz rosto a Hespanha, que era o mesmo que pôr um freio aos Mouros para não poderem infestar com os seus roubos os nosso mares, e terras. Sobre outros muitos portos, que já dominava, quis levantar uma Fortaleza no rio da Cidade de Mamora, e a este fim mandou Dom António de Noronha, seu Escrivão de Puridade, que depois foi o primeiro Conde de Linhares, com uma grande Armada, em que iam mais de oito mil homens de guerra, e muitos Fidalgos ilustres, e nobres Cavaleiros. Mas houve tão pouca ordem na empresa, e foram os nossos, neste dia, tão poderosamente rebatidos dos Reis de Fez, e Maquinez, e de infinito número de Mouros, que finalmente se retiraram com perda de quase quatro mil homens, de muita artilharia, e munições de guerra. Ouviu ElRei esta nova (a mais infeliz, que recebeu em sua vida) com admirável serenidade, mostrando no rosto um ânimo superior a toda a fortuna.
11/08/2018
OS SANTOS GRACILIANO, E FELICÍSSIMA M.M. (12 de Agosto)
EM Alacácer do Sal, Cidade ilustre no tempo da antiga Lusitânia, o glorioso martírio dos Santos Graciliano, e Felicíssima, que pelos ano de 269 imperando Cláudio, foram presos e atormentados pela Fé: Obrou Graciliano grandes maravilhas no Cárcere, dando vista a cegos, e vida a mortos: foram ambos degolados, e coroados neste dia com a glória do martírio. Pouco depois apareceram resplandescentes, e alegres a seus pais, e os persuadiram a que fossem Cristãos, e recebessem o Batismo, como fizeram, acabando perfeitos Católicos, e Santo Confessores, na mesma Cidade, a qual, posto que nos Martirológios, se chama Falaria, se deve ler Salaria, que este era o nome de Alcácer do Sal naquele tempo.
10/08/2018
FUNDA-SE A ORDEM MILITAR DE AVIS (11 de Agosto)
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| D. Afonso Henriques |
Neste dia [11 de Agosto], ano de 1161 foi instituída em Coimbra por ElRei Dom Afonso Henriques, com autoridade Apostólica, na presença dos maiores Prelados, Cavaleiros de Portugal, a Ordem Militar de Avis. Deu-se o mesmo Santo Rei por Protectora a Santíssima Virgem Maria, por Grão Mestre a Dom Pedro Afonso, meio irmão do mesmo Rei, por regra de São Bento, conforme aos estatutos, e reforma de Cister, com a direcção, e aprovação do Venerável Abade João Cirita, naquele tempo Legado Apostólico, que depois confirmou o Papa Inocêncio III passando esta Ordem para a Cidade de Évora no Reinado delRei Dom Sancho I. Depois passou para a Vila de Avis, que lhe deu o nome, e à mesma Vila, por se verem duas águas no sítio em que se fundou o seu Castelo, e Convento em 1213. Tem os Cavaleiros deste esclarecida Ordem quarenta e oito redoza[?] Comendas, por hábito, e venera uma Cruz verde com quatro flores de Lis.
09/08/2018
O Beato AMADEU (10 de Agosto)
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| Mosteiro de Sta. Maria de Guadalupe. |
O BEATO Amadeu (no século Dom João de Meneses da Silva) foi filho de Rui Gomes da Silva, Alcaide Mór de Campo Maior, e Ouguela, e de Dona Isabel de Meneses, filha de Dom Pedro de Meneses, primeiro Capitão de Ceuta. Foram seus irmãos, Dom Diogo da Silva, primeiro Conde de Portalegre, e [beata] Dona Beatriz da Silva, de quem a diante trataremos. Foi dotado de estremada gentileza, e de singular discrição, prendas, que realçavam sobre modo a esclarecida nobreza do seu sangue. Afirma-se, que amou com terníssimos afectos a uma Infante de Portugal, e em significação de tão altos empregos, trouxe alguns anos na gorra uma medalha de ouro, em forma de altar, com esta letra: Ignoto Deo. Vendo impossíveis os fins do seu amor, deixou a Pátria a impulsos do desengano, e passando a Castela, viveu alguns anos desconhecido no Convento de Guadalupe. Naquela escola da perfeição aprendeu a ciência dos Santos com tão maravilhoso primor, que logo começou a lograr, entre admirações dos homens, singulares favores de Deus. São Francisco e Santo António lhe apareceram, e lhe persuadiram, que passasse a Itália, e pedisse o hábito da sua Ordem no Convento de Assis. Fez uma e outra cousa, e professou no estado de Leigo, mudando o nome em Amador (que os Italianos chamam Amadeu.) Neste estado de tanta humildade, se empregou mais a seu gosto nos exercícios da perfeição Evangélica, e resplandeceu por modo superior em todas as virtudes. O zelo, que ardiam em seu coração da pontual observância da Regra do seu Seráfico Padre o animou a instituir uma nova congregação que, do seu nome, se chamou Amadeus, e foi confirmada por Sisto IV e se dilatou, e floresceu muito em Itália, onde chegou a ter vinte e oito Conventos reformadíssimos. Feito Sacerdote (porque a obediência o constrangeu) foi chamado à Cúria, e o mesmo Pontífice Sisto lhe concedeu grandes privilégios, e favores para a sua Ordem, e o elegeu seu Confessor. Tão exemplar era o seu procedimento! Tão extraordinárias as suas penitências! Tão raros os seus prodígios! Tão célebre, e tão venerado o seu nome! Ali o conheceu Dom Garcia Meneses, bispo de Évora, seu primo com irmão, quando foi por General de uma Armada, que ElRei Dom Afonso V de Portugal mandou a Itália, em socorro da Cidade de Otranto, ocupada então dos Turcos. Deu-lhe o Pontífice Sisto largas notícias de um Português que vivia naquela Côrte, homem Santo e milagroso, e D. Garcia o buscou, e conheceu, e soube Roma com universal admiração, que não era Amadeu menos esclarecido no sangue, que na virtude. Retirou-se a um Convento solitário da sua Religião [Ordem Religiosa], onde ilustrado de luz superior escreveu um livro de revelações, e profecias sobre o estado da Igreja Romana, e outros acontecimentos futuros, com o qual dizem, que se mandou enterrar, com umas letras por fora, que diziam: Aperietur in tempore. Escreveu outro de louvores da Mãe de Deus, e outras obras, cheias de alta sabedoria, e de terníssima devoção. Coroado de tão sublimes merecimentos, entre suavíssimos colóquios com Cristo crucificado, obrando ao mesmo tempo maravilhas singulares, passou neste dia [10 de Agosto], ano de 1482 da vida mortal à eterna. Jaz em Milão com venerações de Santo, no Convento de Santa Maria da Paz, que era da sua Congregação.
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| Beato Amadeu de Portugal. |
08/08/2018
D. JOÃO FROES, Cardeal (9 de Agosto)
DOM João Froes, foi natural de Coimbra, filho de Álvaro Froes, e de Dona Elvita Cidiz, Senhores de Maiorca, e Alhadas no districto da mesma Cidade, e de outras terras. Foi Cónego Regular de Santa Cruz, e Cardeal Bispo Sabinense, e Legado Apostólico a Hespanha. Consagrou a Igreja daquele Mosteiro em 7 de Janeiro de 1228. Faleceu neste dia [9 de Agosto] de 1236.
07/08/2018
ElRei D. DINIS DE PORTUGAL, COMO JUIZ ÁRBITRO, SENTENCIA E COMPÕE OS REIS DE CASTELA, E DE ARAGÃO, E AO Infante D. AFONSO DE LACERDA (8 de Agosto)
Havia muitos anos, que se disputava em Hespanha um pleito de gravíssimas consequências, entre ElRei de Castela Dom Fernando IV de uma parte, e da outra o Infante Dom Afonso de Lacerda IV, e era toda a questão, sobre a qual do dois pertencia aquele Reino: contendia também sobre o de Múrcia, com o mesmo Rei Dom Fernando, Dom Jaime Rei de Aragão. Estava posto (como sucede em casos semelhantes) o direito dos três no Juízo das armas, e com elas iam destruindo, e arrasando os mesmo Estados, sobre que litigavam. Cansados, enfim, de tanta guerras, e mediando a intervenção do Sumo Pontífice Benedicto XI se concordaram, em que uma, e outra contenda, se decidisse por árbitros, e convieram, que fosse o Árbitro principal o nosso Rei Dom Dinis. Passou ele a Castela, e depois a Aragão, e em Tarraciba se fez um congresso celebérrimo, de tão grande número de Príncipes, qual nunca se viu junto em Hespanha, nem antes, nem depois desta memorável ocasião. Concorreram Dom Dinis Rei de Portugal, Dom Fernando de Castela, Dom Jaime de Aragão: As Rainhas Dona Maria, e Dona Constança, esta mulher, aquela Mãe do Castelhano: Dona Isabel, e Dona Branca, ambas casadas com o de Aragão, uma em divórcio, outra na posse, e Santa Isabel, Rainha de Portugal: Dois Infantes, Dom Fernando, tio delRei de Castela, e Dom Afonso irmão do de Portugal: Duas Infantes, Dona Branca irmã delRei Dom Dinis, e Dona Violante irmã delRei Dom Jaime. este dia [8 de Agosto], ano de 1304 se deram as sentenças, e compostas, e reconciliadas as partes, se recolheu a Portugal ElRei Dom Dinis, deixando admirado o mundo, de que se fiassem da sua inteireza, três partes, que pelos parentescos desiguais, que com todas tinha, o podiam ter por suspeitoso. ainda deixou o mundo mais admirado com as imensas riquezas, que derramou neste jornada, não só com a sua real comitiva, que passava de mil pessoas, sem aceitar, que Castela fizesse despesa alguma, querendo o seu Rei fazê-la toda, mas com as grandes mercês, que fez naqueles Reinos. Pedindo-lhe nesta ocasião, emprestadas sobre certas fortalezas, lhe deu gratuitamente vinte mil. Quando já voltava de Aragão, e Castela, dizendo-lhe um Cavalheiro daqueles Reinos, que de quantas mercês neles fizera, nenhuma lhe chegara. ElRei com gesto alegre lhe respondeu, que ainda tinha, que lhe dar, e com efeito lhe deu logo uma mesa de prata, em que então estava comendo.
06/08/2018
SUCESSO MARAVILHOSO DE Fr. JOÃO DA SILVA (7 de Agosto)
ANO HISTÓRICO - de AGOSTO
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ANNO HISTORICO,
DIARIO PORTUGUEZ
Índice de
AGOSTO
Dias:
- 1 - I, II, III.
- 2 - I, II, III, IV, V.
- 3 - I, II, III, IV, V.
- 4 - I, II, III, IV, V.
- 5 - I, II, III, IV, V, VI.
- 6 - I, II, III.
- 7 - I, II, III.
- 8 - I, II, III, IV, V.
- 9 - I, II, III, IV, V, VI.
- 10 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 11 - I, II, III.
- 12 - I, II, III.
- 13 - I, II, III, IV, V.
- 14 - I, II, III, IV.
- 16 - I, II, III, IV, V, VI.- 17 - I, II, III, IV, V.
- 18 - I, II, III, IV.
- 21 - I, II, III, IV.
- 22 - I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 24 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X.
- 26 - I, II, III, IV, V.
- 27 - I, II, III, IV, V.
- 28 - I, II, III, IV, V.
- 30 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 31 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
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