09/08/2018

O Beato AMADEU (10 de Agosto)

Mosteiro de Sta. Maria de Guadalupe.
O BEATO Amadeu (no século Dom João de Meneses da Silva) foi filho de Rui Gomes da Silva, Alcaide Mór de Campo Maior, e Ouguela, e de Dona Isabel de Meneses, filha de Dom Pedro de Meneses, primeiro Capitão de Ceuta. Foram seus irmãos, Dom Diogo da Silva, primeiro Conde de Portalegre, e [beata] Dona Beatriz da Silva, de quem a diante trataremos. Foi dotado de estremada gentileza, e de singular discrição, prendas, que realçavam sobre modo a esclarecida nobreza do seu sangue. Afirma-se, que amou com terníssimos afectos a uma Infante de Portugal, e em significação de tão altos empregos, trouxe alguns anos na gorra uma medalha de ouro, em forma de altar, com esta letra: Ignoto Deo. Vendo impossíveis os fins do seu amor, deixou a Pátria a impulsos do desengano, e passando a Castela, viveu alguns anos desconhecido no Convento de Guadalupe. Naquela escola da perfeição aprendeu a ciência dos Santos com tão maravilhoso primor, que logo começou a lograr, entre admirações dos homens, singulares favores de Deus. São Francisco e Santo António lhe apareceram, e lhe persuadiram, que passasse a Itália, e pedisse o hábito da sua Ordem no Convento de Assis. Fez uma e outra cousa, e professou no estado de Leigo, mudando o nome em Amador (que os Italianos chamam Amadeu.) Neste estado de tanta humildade, se empregou mais a seu gosto nos exercícios da perfeição Evangélica, e resplandeceu por modo superior em todas as virtudes. O zelo, que ardiam em seu coração da pontual observância da Regra do seu Seráfico Padre o animou a instituir uma nova congregação que, do seu nome, se chamou Amadeus, e foi confirmada por Sisto IV e se dilatou, e floresceu muito em Itália, onde chegou a ter vinte e oito Conventos reformadíssimos. Feito Sacerdote (porque a obediência o constrangeu) foi chamado à Cúria, e o mesmo Pontífice Sisto lhe concedeu grandes privilégios, e favores para a sua Ordem, e o elegeu seu Confessor. Tão exemplar era o seu procedimento! Tão extraordinárias as suas penitências! Tão raros os seus prodígios! Tão célebre, e tão venerado o seu nome! Ali o conheceu Dom Garcia Meneses, bispo de Évora, seu primo com irmão, quando foi por General de uma Armada, que ElRei Dom Afonso V de Portugal mandou a Itália, em socorro da Cidade de Otranto, ocupada então dos Turcos. Deu-lhe o Pontífice Sisto largas notícias de um Português que vivia naquela Côrte, homem Santo e milagroso, e D. Garcia o buscou, e conheceu, e soube Roma com universal admiração, que não era Amadeu menos esclarecido no sangue, que na virtude. Retirou-se a um Convento solitário da sua Religião [Ordem Religiosa], onde ilustrado de luz superior escreveu um livro de revelações, e profecias sobre o estado da Igreja Romana, e outros acontecimentos futuros, com o qual dizem, que se mandou enterrar, com umas letras por fora, que diziam: Aperietur in tempore. Escreveu outro de louvores da Mãe de Deus, e outras obras, cheias de alta sabedoria, e de terníssima devoção. Coroado de tão sublimes merecimentos, entre suavíssimos colóquios com Cristo crucificado, obrando ao mesmo tempo maravilhas singulares, passou neste dia [10 de Agosto], ano de 1482 da vida mortal à eterna. Jaz em Milão com venerações de Santo, no Convento de Santa Maria da Paz, que era da sua Congregação. 
Beato Amadeu de Portugal.

08/08/2018

D. JOÃO FROES, Cardeal (9 de Agosto)

DOM João Froes, foi natural de Coimbra, filho de Álvaro Froes, e de Dona Elvita Cidiz, Senhores de Maiorca, e Alhadas no districto da mesma Cidade, e de outras terras. Foi Cónego Regular de Santa Cruz, e Cardeal Bispo Sabinense, e Legado Apostólico a Hespanha. Consagrou a Igreja daquele Mosteiro em 7 de Janeiro de 1228. Faleceu neste dia [9 de Agosto] de 1236.

07/08/2018

ElRei D. DINIS DE PORTUGAL, COMO JUIZ ÁRBITRO, SENTENCIA E COMPÕE OS REIS DE CASTELA, E DE ARAGÃO, E AO Infante D. AFONSO DE LACERDA (8 de Agosto)

Rei D. Dinis I e D. Isabel de Portugal.
Havia muitos anos, que se disputava em Hespanha um pleito de gravíssimas consequências, entre ElRei de Castela Dom Fernando IV de uma parte, e da outra o Infante Dom Afonso de Lacerda IV, e era toda a questão, sobre a qual do dois pertencia aquele Reino: contendia também sobre o de Múrcia, com o mesmo Rei Dom Fernando, Dom Jaime Rei de Aragão. Estava posto (como sucede em casos semelhantes) o direito dos três no Juízo das armas, e com elas iam destruindo, e arrasando os mesmo Estados, sobre que litigavam. Cansados, enfim, de tanta guerras, e mediando a intervenção do Sumo Pontífice Benedicto XI se concordaram, em que uma, e outra contenda, se decidisse por árbitros, e convieram, que fosse o Árbitro principal o nosso Rei Dom Dinis. Passou ele a Castela, e depois a Aragão, e em Tarraciba se fez um congresso celebérrimo, de tão grande número de Príncipes, qual nunca se viu junto em Hespanha, nem antes, nem depois desta memorável ocasião. Concorreram Dom Dinis Rei de Portugal, Dom Fernando de Castela, Dom Jaime de Aragão: As Rainhas Dona Maria, e Dona Constança, esta mulher, aquela Mãe do Castelhano: Dona Isabel, e Dona Branca, ambas casadas com o de Aragão, uma em divórcio, outra na posse, e Santa Isabel, Rainha de Portugal: Dois Infantes, Dom Fernando, tio delRei de Castela, e Dom Afonso irmão do de Portugal: Duas Infantes, Dona Branca irmã delRei Dom Dinis, e Dona Violante irmã delRei Dom Jaime. este dia [8 de Agosto], ano de 1304 se deram as sentenças, e compostas, e reconciliadas as partes, se recolheu a Portugal ElRei Dom Dinis, deixando admirado o mundo, de que se fiassem da sua inteireza, três partes, que pelos parentescos desiguais, que com todas tinha, o podiam ter por suspeitoso. ainda deixou o mundo mais admirado com as imensas riquezas, que derramou neste jornada, não só com a sua real comitiva, que passava de mil pessoas, sem aceitar, que Castela fizesse despesa alguma, querendo o seu Rei fazê-la toda, mas com as grandes mercês, que fez naqueles Reinos. Pedindo-lhe nesta ocasião, emprestadas sobre certas fortalezas, lhe deu gratuitamente vinte mil. Quando já voltava de Aragão, e Castela, dizendo-lhe um Cavalheiro daqueles Reinos, que de quantas mercês neles fizera, nenhuma lhe chegara. ElRei com gesto alegre lhe respondeu, que ainda tinha, que lhe dar, e com efeito lhe deu logo uma mesa de prata, em que então estava comendo.

06/08/2018

SUCESSO MARAVILHOSO DE Fr. JOÃO DA SILVA (7 de Agosto)

PERDIDA a batalha de Alcácer, deu o Xerife licença a Belchior do Amaral, Ouvidor geral, que fora do nosso Exército, para que pudesse ir tratar do resgate dos Fidalgos cativos; com esta permissão passou a Tangere [Tânger], onde visitou a Frei João da Silva, que se achava enfermo naquela cidade; era Frei João Religioso da Sagrada Ordem dos Pregadores, do mais ilustre sangue de Portugal, e dotado de excelentes prendas: Acompanhou  a ElRei dom Sebastião naquela infeliz jornada, e chegando enfermo a Tangere, lhe ordenou ElRei, que ficasse ali, até convalescer. Estando de cama, sem conhecido perigo, o visitou (como dissemos) Belchior do Amaral, a quem Frei João disse: "Que já sabia, que tudo era perdido, e que eram mortos e cativos os príncipe Fidalgos Portugueses, e que também não ignorava a morte do Bispo do Porto Ayres da Silva, seu irmão; porém que toda esta perda de ElRei, sobre a qual ouvia várias opiniões: Que lhe pedia muito o quisesse desenganar, se descobrir-lhe a verdade, sem reserva alguma". E dizendo-lhe Belchior do Amaral, "Que sem dúvida ElRei era morto". Se voltou no mesmo ponto para a parede, e (como outro Heli Sumo Sacerdote da lei antiga) subitamente  expirou; tanto o feriu, e trespassou a dor, e a mágoa de ouvir a lastimosa morte daquele Rei, que era as esperanças de Portugal, o terror do Paganismo, as Delícias da Cristandade.

ANO HISTÓRICO - de AGOSTO

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ANNO HISTORICO,
DIARIO PORTUGUEZ


Índice de
AGOSTO

Dias:


- 1 - I, II, III.
- 2 - I, II, III, IV, V.
- 3 - I, II, III, IV, V.
- 4 - I, II, III, IV, V.
- 5 - I, II, III, IV, V,  VI.
- 6 - I, II, III.
- 7 - I, II, III.
- 8 - I, II, III, IV, V.
- 9 - I, II, III, IV, V, VI.
- 10 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 11 - I, II, III.
- 12 - I, II, III.
- 13 - I, II, III, IV, V.
- 14 - I, II, III, IV.
- 15 -  III, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV.
- 16 -  I, II, III, IV, V, VI.
- 17 -  I, II, III, IV, V.
- 18 -  I, II, III, IV.
- 19 -  I, II, III, IV, V.
- 20 -  I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 21 -  I, II, III, IV.
- 22 -  I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 23 - I, II, III, IV, V, VI.
- 24 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X.
- 25 - III, III, IV, V.
- 26 - I, II, III, IV, V.
- 27 - I, II, III, IV, V.
- 28 - I, II, III, IV, V.
- 29 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 30 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 31 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
PROTESTO

"Em observância dos Decretos Apostólicos, em nome do Autor, e meu, declaro, que as pessoas, que viveram, e morreram com fama de santidade, e os milagres, e sucessos, que excederem as forças humanas, e se referem neste livro, sem estarem aprovadas pela Santa Sé Apostólica; não têm mais autoridade, ou certeza, que a que dão os Autores, que primeiro as escreveram; e em tudo me sujeito às determinações da S. I. R. - Lourenço Justiniano da Anunciação."