06/08/2018

SUCESSO MARAVILHOSO DE Fr. JOÃO DA SILVA (7 de Agosto)

PERDIDA a batalha de Alcácer, deu o Xerife licença a Belchior do Amaral, Ouvidor geral, que fora do nosso Exército, para que pudesse ir tratar do resgate dos Fidalgos cativos; com esta permissão passou a Tangere [Tânger], onde visitou a Frei João da Silva, que se achava enfermo naquela cidade; era Frei João Religioso da Sagrada Ordem dos Pregadores, do mais ilustre sangue de Portugal, e dotado de excelentes prendas: Acompanhou  a ElRei dom Sebastião naquela infeliz jornada, e chegando enfermo a Tangere, lhe ordenou ElRei, que ficasse ali, até convalescer. Estando de cama, sem conhecido perigo, o visitou (como dissemos) Belchior do Amaral, a quem Frei João disse: "Que já sabia, que tudo era perdido, e que eram mortos e cativos os príncipe Fidalgos Portugueses, e que também não ignorava a morte do Bispo do Porto Ayres da Silva, seu irmão; porém que toda esta perda de ElRei, sobre a qual ouvia várias opiniões: Que lhe pedia muito o quisesse desenganar, se descobrir-lhe a verdade, sem reserva alguma". E dizendo-lhe Belchior do Amaral, "Que sem dúvida ElRei era morto". Se voltou no mesmo ponto para a parede, e (como outro Heli Sumo Sacerdote da lei antiga) subitamente  expirou; tanto o feriu, e trespassou a dor, e a mágoa de ouvir a lastimosa morte daquele Rei, que era as esperanças de Portugal, o terror do Paganismo, as Delícias da Cristandade.

ANO HISTÓRICO - de AGOSTO

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ANNO HISTORICO,
DIARIO PORTUGUEZ


Índice de
AGOSTO

Dias:


- 1 - I, II, III.
- 2 - I, II, III, IV, V.
- 3 - I, II, III, IV, V.
- 4 - I, II, III, IV, V.
- 5 - I, II, III, IV, V,  VI.
- 6 - I, II, III.
- 7 - I, II, III.
- 8 - I, II, III, IV, V.
- 9 - I, II, III, IV, V, VI.
- 10 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 11 - I, II, III.
- 12 - I, II, III.
- 13 - I, II, III, IV, V.
- 14 - I, II, III, IV.
- 15 -  III, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV.
- 16 -  I, II, III, IV, V, VI.
- 17 -  I, II, III, IV, V.
- 18 -  I, II, III, IV.
- 19 -  I, II, III, IV, V.
- 20 -  I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 21 -  I, II, III, IV.
- 22 -  I, II, III, IV, V, VI, VII.
- 23 - I, II, III, IV, V, VI.
- 24 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X.
- 25 - III, III, IV, V.
- 26 - I, II, III, IV, V.
- 27 - I, II, III, IV, V.
- 28 - I, II, III, IV, V.
- 29 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX.
- 30 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
- 31 - I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII.
PROTESTO

"Em observância dos Decretos Apostólicos, em nome do Autor, e meu, declaro, que as pessoas, que viveram, e morreram com fama de santidade, e os milagres, e sucessos, que excederem as forças humanas, e se referem neste livro, sem estarem aprovadas pela Santa Sé Apostólica; não têm mais autoridade, ou certeza, que a que dão os Autores, que primeiro as escreveram; e em tudo me sujeito às determinações da S. I. R. - Lourenço Justiniano da Anunciação."

20/07/2018

FÉRIAS

Caros leitores,  o blog SANTO ZELO entrou de férias, e retornará com as publicações ao dia 6 de Agosto.

Até breve!

Fiquem com Deus.
Rafaela

ERECÇÃO DE UM MAGNÍFICO SEMINÁRIO PATRIARCAL DE LISBOA (21 de Julho)

No mesmo dia [21 de Julho], ano de 1741 o Santíssimo Padre Benedicto XIV por uma Bula, que principia: Divinis Paeceptores &c. à instância de ElRei Dom João V erigiu na Cidade de Lisboa um Seminário Patriarcal o Palácio dos antigos Arcebispos com as suas pertenças, assinando-lhe para dote, além de outras largas rendas, as das Igrejas de Santa Maria do São Miguel de Rebordoza, e São Pedro de Abergão no do Porto, todas do Padroado Real; para educação e sustento de um grande número de Seminaristas aprenderem Latim, Ritos, Cerimónias Eclesiásticas, Cantochão, e outras Artes, e ciências, e servirem depois a Santa Igreja de Lisboa, ficando debaixo da protecção, e subordinação do Eminentíssimo Cardeal Patriarca, a quem pertence totalmente o seu estabelecimento, estatutos, e governo do Seminário, que em pouco tempo poderá competir com os mais célebres da Europa.

19/07/2018

Sta. UVILGEFORTE V.M., UMA DAS NOVE IRMÃS; E SEUS COMPANHEIROS (20 de Julho)

SANTA Uvilgeforte, a que outros chamam Santa Livrada, e os Alemães (que a celebram em muitos lugares) lhe chamam Oeusimmer. Foi uma das noves irmãs Bracaenses, tão ilustrada, e tão fervorosa na Fé, que converteu a ela muitos Gentios. Na perseguição, que seu pai moveu contra os Cristãos, se retirou a um lugar solitário, onde em companhia de grande número dos que convertera, fez vida santíssima muitos anos. Ali foi achada, e atormentada cruelmente pelos infiéis, que intentaram vilar a sua pureza; mas a Santa se defendeu com insigne valor, como pedia, e estava prometendo, a significação do seu nome. Cresceu a tirania com a contradição, e vendo, que perseverava inflexível na defensa da Fé, e da Castidade, a crucificaram, e na Cruz lhe cortaram a cabeça, conseguindo, por este modo, duplicada coroa, em duplicado martírio. Os Cristãos, que a seguiram na vida (e sem dúvida eram todos Portugueses) a imitaram na morte, sendo todos degolados neste mesmo dia [20 de Julho], no ano de 138. É Santa Uvilgeforte padroeira da Igreja de Siguença, onde jaz seu sagrado corpo, e resplandece com milagres.

18/07/2018

CHEGA A LISBOA UMA PODEROSA ARMADA DE INGLATERRA (19 de Julho)

NESTE dia [19 de Julho] entrou pela barra de Lisboa uma poderosa Armada de Inglaterra, em que vinha Aymon, Conde de Cambrix, e Duarte seu filho, e da Infante Dona Isabel, filha de ElRei Dom Pedro de Castela, morto pouco antes a mãos de seu irmão Dom Henrique; Vinha também a mesma Infante Dona Isabel, e muitos Senhores, e Senhoras das primeiras qualidades da Côrte Inglesa; Pretendia o Conde a sucessão do Reino de Castela pelo direito, que a ela tinha a Infante sua mulher; intentava também desposar o Príncipe Duarte seu filho, menino então de seis anos, com a Infante Dona Beatriz, herdeira de Portugal, filha de ElRei Dom Fernando; E que ligados os dois Príncipes declarassem guerra a Henrique, que já se intitulava Rei. Recebeu os nossos aos novos hóspedes com singulares demonstrações de grandeza, e amor, e os foi esperar ao tempo, que saíram em terra, e vieram todos a pé, até à Igreja Catedral, trazendo ElRei de rédea, a que se seguiram festas públicas, de volta com aprestos militares, que tiveram mais de estrondo, que de efeito.

17/07/2018

Sta. MARINHA ou MARGARIDA, UMA DAS NOVE IRMÃS (18 de Julho)

JUNTO da antiga Cidade de Afiloquia da Diocese Bracaense padeceu neste dia [18 de Julho] Santa Marinha ou Margarida (uma das noves irmãs) gloriosos martírio, em defensa da Fé, e da pureza. Lançaram-na em um forno ardendo, mas o fogo lhe perdoou reverente; e como lhe fechassem a porta, por onde a meteram nele, saiu por uma abertura muito estreita, mostrando, que começava já a lograr o dote da Sutileza. Foi finalmente degolada, e a cabeça deu três santos, e a eles se abriram três fontes [como se refere de São Paulo] cujas águas obraram perenes e tão singulares prodígios, que, por essa causa, são ainda hoje chamadas: Águas santas.

16/07/2018

FUNDAÇÃO DO MOSTEIRO DO PARAÍSO DE ÉVORA (17 de Julho)

Antiga imagem do extinto Mosteiro do Paraíso de Évora.
O MOSTEIRO do Paraíso de Religiosas de São Domingos da Cidade de Évora, teve princípio em Recolhimento, fundado por três irmãs da nobre família dos Galvões, a que se agregaram outras muitas nobres donzelas da mesma Cidade; sendo seu director espiritual o Venerável Padre Bautista, Cónego secular da Congregação de São João Evangelista; e Regente do Recolhimento Beatriz Galvão, uma das suas três fundadoras, que o governou até 8 de Outubro de 1471 em que morreu santamente. Depois do ano de 1499 passou a ser Convento da Terceira Ordem de São Domingos, que professaram todas as Recolhidas, e elegeram por votos para primeira Prioresa a sua Regente, que era Mecia Dias. Depois, neste dia [17 de Julho], ano de 1517 passaram da Terceira para a Primeira Ordem de São Domingos, fazendo novas profissões, e obrigando-se à perpétua clausura, que esta sagrada Ordem professava, ainda antes do Concílio Tridentino. De Recolhidas, foram Religiosas perfeitas, sem terem nunca fundadores, nem instrutoras de outro algum Convento; e sem serem discípulas, saíram para Mestras, fundadoras, e Reformadoras do Convento de Santa Catarina, de Santa Mónica de Évora, da Consolação de Elvas, do Bom Pastor da Vila de Azeitão, e da Vila de Moura. Verdadeiramente Paraíso é admirável, e fecundo em produzir, não só para si, mas para outros jardins da Igreja, tantas flores Angélicas, quantas depois merecem ser colocadas no Celeste Paraíso.

15/07/2018

FUNDA-SE O PRIMEIRO CONVENTO DE RELIGIOSAS DO CARMO EM PORTUGAL (16 de Julho)

Neste dia [16 de Julho], ano de 1560 em que se celebra Nossa Senhora do Monte do Carmo, se deu princípio ao Convento das Religiosas Carmelitas da Vila de Tentúgal do Bispado de Coimbra. Fundou-se das muitas rendas, que tinha um hospital da mesma Vila, por provisão delRei Dom Sebastião, com autoridade Apostólica, tudo à instância de Dom Francisco de Melo, Senhor da dita Vila; pelo que seus sucessores dos Condes de Tentúgal, Marqueses de Ferreira, Duques de Cadaval, são, e foram sempre bem-feitores deste Convento; no qual a 15 de Maio de 1565 principiou a vida regular, que foram fundar três religiosas do Convento da Esperança da Cidade de Beja, o primeiro que desta Ordem houve em Portugal.

14/07/2018

S. PEDRO, Eremita (15 de Julho)


SÃO Pedro, Eremita, Português, florescia pelos anos de 1099. Exortou com maravilhosa eficácia, e com efeito, também maravilhoso os Príncipes Cristãos à conquista da Terra Santa. Foi inventor, e introduziu na Igreja o uso de rezar por contas. Faleceu santíssimamente neste dia [15 de Julho]



13/07/2018

INCÊNDIO NO MOSTEIRO EM BRAGANÇA (14 de Julho)

Pelas onze horas da noite deste dia [14 de Julho], ano de 1728 pegou fogo no Mosteiro de São Francisco de Bragança, fundado pelo mesmo Seráfico Patriarca, e ardeu com tanta violência, que dentro de poucas horas se abrasou todo o dormitório, refeitório, e oficinas, onde estavam os mantimentos, e as roupas; e a não ser o grande zelo, com que muitos moradores da Cidade acudiram a cortar o progresso do incêndio, e o trabalho, com que os Padres da Companhia de Jesus concorreram em apagá-lo, acarretando muita água sobre seus ombros, se queimara também a Igreja, e Sacristia, onde muito tempo passaram a noite alguns Religiosos.

12/07/2018

NASCE A Infante D. BRANCA, filha delRei D. JOÃO I (13 de Julho)

NESTE dia [14 de Julho], ano de 1388 nasceu a Infante D. Branca, filha Primogénita dos  Reis Dom João I e Dona Felipa: morreu no berço com pouco mais de oito meses. Jaz na Sé de Lisboa.