13/06/2018

TORMENTA ESPANTOSA (14 de Junho)

No mesmo dia [14 de Junho], ano de 1449 se levantou em Coimbra uma horrenda tempestade, qual nunca haviam visto os antigos. Era uma hora depois do meio-dia, quando se enlutou o ar, cobrindo-se de tão espessas trevas, como na noite mais escura; serviam de todas as partes os relâmpagos, soavam temerosamente os trovões, caiam furiosos os coriscos e raios, arrasando muitos e fortes edifícios. A chuva era imensa, e com ela caiam pedras de grandeza estranha. Na horta de Santa Cruz chegou a água a altura de dez braças: as ruas pareciam rios caudalosos, o Mondego parecia um mar: as perdas, que causou esta horrível tempestade, foram iguais à fúria dela. 

Fr. JOÃO DE PORTUGAL (14 de Junho)

Frei João de Portugal, nobilíssimo em sangue, como bem mostra o seu apelido [sobrenome]: passou aos Estados de Flandes, onde recebeu o hábito da Religião Seráfica, e floresceu em virtudes, até a morte, sucedida santamente neste dia [14 de Junho], ano de 1525. Jaz no Convento de Chalon da Província de Burgundia.

12/06/2018

SANTO ANTÓNIO - Pe. António Vieira



"Levante Pádua glorioso mausoléu às sagradas relíquias de António, e veja-se esculpida nas quatro fachadas dele a obediência dos quatro elementos sujeitos a seu império. A terra com os animais prostrados, o mar com os peixes ouvintes, o ar com as tempestades suspensas, o fogo com os incêndios parados. Pendurem-se nas pirâmides por troféus os despojos inumeráveis de sua beneficência, as bandeiras dos vencedores, as âncoras dos naufragantes, as cadeias dos captivos, as mortalhas do ressuscitados e dos enfermos de todas as enfermidades, os votos. Dispa-se a fama, para fazer cortinas a este sacrário, bordadas (como fazia a antiguidade) de olhos, de línguas e de orelhas; das orelhas com que deu ouvidos a tantos surdos, dos olhos com que restituiu a vista a tantos cegos, de línguas com que desimpediu a fala a tantos mudos. E por alma de todo este corpo milagroso, veja-se (como hoje se vê) e adore-se em custódia de cristal a mesma língua de António, depois da morte, viva; antes da ressurreição, ressuscitada; apesar da terra, incorrupta; apesar das cinzas, inteira; apesar da sepultura, imortal; e apesar dos tempos, eterna."
(Pe. António Vieira)

11/06/2018

Sto. OLÍMPIO, B. C. (12 de Junho)

SANTO OLÍMPIO, português, natural de Lisboa, Varão famosíssimo em letras, e virtudes: por elas subiu à grande dignidade de Arcebispo de Toledo; foi perpétuo flagelo dos hereges Arianos; grande defensor de Santo Atanásio: Venerado sumamente de Santo Agostinho: dele disse o mesmo Santo doutor: Que fora Varão glorioso para com Deus, e para com os homens, e na sabedoria, o compara os Ambrósios, com os Basílios, com os Hilários, com os Ciprianos. Santo Isidoro o pôs no Cânon da Missa, que ainda hoje persevera em Toledo no Missal, a que chamam Moçárabe. São Gregório Nazianzeno lhe escreveu algumas cartas, e nelas lhe chama o Grande Olímpio. Por defender a Fé contra os sequazes de Arrio, foi desterrado para Thracia, onde acabou gloriosamente, oprimido de tribulações, coroado de merecimentos: Dele faz menção neste dia [12 de Junho] o Martirológio Romano.

10/06/2018

CONFLICTO MEMORÁVEL (11 de Junho)

Pelos anos de 1242 estavam no Algarve, Cristãos e Mouros de tréguas, por alguns dias: Num deles (que é este em que estamos) saíram seis nobres Cavaleiros Portugueses a montear, não longe da Tavira: Eram eles Dom Pedro Rodrigues comendador mór da Ordem de Santiago, Mem do Valle, Damião Vaz, Álvaro Garcia, Estevão Vasques, Valerio de Ora. Os Mouros, que os viram da Cidade, tomaram aquela ousadia por agravo, ou fizeram pretexto dela para executarem o seu ódio, que neles é, como natural, contra os Cristãos. Saíram muitos mil em demanda dos seis, os quais, fazendo-se fortes, como melhor puderam, numa eminência, se defendiam com estupendo valor. Ao mesmo tempo caminhava por aquela parte, Garcia Rodrigues, mercador rico, com algumas cargas, e saindo o que passava, as deixou entregues aos criados, ordenando-lhe que se retirassem, e ele com a espada na mão, rompeu impetuosamente pelos Mouros, e se pôs ao lado dos seis Portugueses. Não há palavras, com que se possa dignamente encarecer o sublime e generoso desta acção! Até agora mercador de fazenda, agora de honra, e da própria vida! Durou o combate muitas horas, até que oprimido o valor da multidão, ficaram os sete Cavaleiros mortos no campo, à custa de muitas vidas de infiéis.