SANTO OLÍMPIO, português, natural de Lisboa, Varão famosíssimo em letras, e virtudes: por elas subiu à grande dignidade de Arcebispo de Toledo; foi perpétuo flagelo dos hereges Arianos; grande defensor de Santo Atanásio: Venerado sumamente de Santo Agostinho: dele disse o mesmo Santo doutor: Que fora Varão glorioso para com Deus, e para com os homens, e na sabedoria, o compara os Ambrósios, com os Basílios, com os Hilários, com os Ciprianos. Santo Isidoro o pôs no Cânon da Missa, que ainda hoje persevera em Toledo no Missal, a que chamam Moçárabe. São Gregório Nazianzeno lhe escreveu algumas cartas, e nelas lhe chama o Grande Olímpio. Por defender a Fé contra os sequazes de Arrio, foi desterrado para Thracia, onde acabou gloriosamente, oprimido de tribulações, coroado de merecimentos: Dele faz menção neste dia [12 de Junho] o Martirológio Romano.
11/06/2018
10/06/2018
CONFLICTO MEMORÁVEL (11 de Junho)
Pelos anos de 1242 estavam no Algarve, Cristãos e Mouros de tréguas, por alguns dias: Num deles (que é este em que estamos) saíram seis nobres Cavaleiros Portugueses a montear, não longe da Tavira: Eram eles Dom Pedro Rodrigues comendador mór da Ordem de Santiago, Mem do Valle, Damião Vaz, Álvaro Garcia, Estevão Vasques, Valerio de Ora. Os Mouros, que os viram da Cidade, tomaram aquela ousadia por agravo, ou fizeram pretexto dela para executarem o seu ódio, que neles é, como natural, contra os Cristãos. Saíram muitos mil em demanda dos seis, os quais, fazendo-se fortes, como melhor puderam, numa eminência, se defendiam com estupendo valor. Ao mesmo tempo caminhava por aquela parte, Garcia Rodrigues, mercador rico, com algumas cargas, e saindo o que passava, as deixou entregues aos criados, ordenando-lhe que se retirassem, e ele com a espada na mão, rompeu impetuosamente pelos Mouros, e se pôs ao lado dos seis Portugueses. Não há palavras, com que se possa dignamente encarecer o sublime e generoso desta acção! Até agora mercador de fazenda, agora de honra, e da própria vida! Durou o combate muitas horas, até que oprimido o valor da multidão, ficaram os sete Cavaleiros mortos no campo, à custa de muitas vidas de infiéis.
09/06/2018
O SANTO CRISTO DE BOUÇAS (10 de Junho)
É antiquíssima em Portugal a sagrada imagem de Cristo Crucificado, que o mar lançou nas praias de Matosinhos, uma légua de distância da cidade do Porto. É Tradição constante, que foi feita por Nicodemus, discípulo do Senhor, que como testemunha de vista, e escultor excelente, faria sem dúvida muito conforme ao Divino Original. O mesmo se afirma de outras imagens semelhantes, como são, a de Luca em Itália, a de Burgos em Castela. Faltava à nossa imagem um braço, e por mais que vários escultores se esforçaram por suprir com outro àquela falta, nunca a obra saiu com tanta perfeição, que suprisse com igualdade a diferença. Era grande, e por este motivo, a pena e desconsolação dos devotos, sucedeu pois, que andando uma mulher junto do mar, viu na areia um pequeno vulto. Não lhe soube distinguir a forma, mas conhecendo que pela matéria, servia para o lume, o voltando para casa, o lançou nas brasas; e vendo que elas o respeitavam, e que o lançava de si, ou reverentes ou medrosas, deu parte daquela maravilha a pessoas de juízo, as quais com fácil exame, reconheceram ser o braço que faltava do Santo Cristo: assim o comprovou a experiência: porque sem diferença do outro, ajustou com admirável proporção. Obra o Senhor invocado nesta santa Imagem contínuas e raras maravilhas.
08/06/2018
O FAMOSO POETA MANOEL DE GALHEGOS (9 de Junho)
Manoel de Galhegos, insigne poeta do seu tempo, a quem os Castelhanos chamaram novo Camões, e Virgílio português, e lhe deram outros títulos não menos ilustres, mas bem merecidos de seu singular engenho e admirável génio poético, florida eloquência e viva discrição. Compôs vários poemas, mas entre todos o que intitulou, Templo da Memória, lhe fez imortal a sua. Morreu em Lisboa neste dia [9 de Junho], ano de 1665. Jaz na Igreja de São Lourenço.
07/06/2018
DIOGO MARTINS DA COSTA (8 de Junho)
Diogo Martins da Costa de idade de vinte anos, natural da Praça de Mazagão, filho de Gaspar Álvares Faleiro, Cavaleiro Fidalgo e professo na Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Isabel Rodrigues da Costa; servia a ElRei nosso Senhor naquela Praça contra os inimigos da fé, com um cavalo seu. Foi cativo numa peleja, que houve entre os Portugueses e Mouros em 16 de Maio de 1719 no campo chamado do Facho das Lagens, ficando debaixo do cavalo que lhe mataram, não sendo possível nunca livrá-lo por mais diligências que os nossos fizeram; por serem os inimigos mais de quinhentos de cavalo, e outros tantos Infantes. Seu irmão Fernão Gonçalves da Costa, também Cavaleiro da Ordem de Cristo, no ano de 1723 lhe tinha ajustado o seu resgante, e indo Diogo Martins da Costa, que se achava cativo em Mequinez, pedir licença, e carta para Tituão a ElRei, este lhe perguntou: "és Mouro, ou Cristão?", e respondendo ele: "Cristão por graça de Deus"; e o rei lhe disse: "se te converteres à minha Lei, te deixarei com vida"; a que ele [então] repetiu, "que nenhuma cousa o obrigaria a deixar a Religião, que professava" sobre o que mandou o rei, que lhe dessem uma carabina e disparando-a não deu fogo; e pedindo outra lhe sucedeu o mesmo. Vendo Diogo Martins, que sem dúvida lhe tirava a vida a barbaridade daquele Príncipe, começou a pedir perdão dos seus pecados a Deus nosso Senhor, batendo muitas vezes nos peitos; e perguntando o rei aos seus, que era o que fazia aquele Cristão; e dizendo-lhe, que daquele modo pediam os Cristãos misericórdia a Deus, mandou que lhe dessem muita bofetada; mas não satisfeita a sua tirania com este género de tormento, mandou, que todos os da sua guarda lhe atirassem; o que logo executaram fazendo-lhe o corpo em pedaços. Depois do que todos os Príncipes da Côrte, que estavam com o rei, e os da sua guarda, arrancando os alfanges, lhos metiam o corpo para os banharem de sangue Cristão, e alimpando-os, tornavam a ensanguentar, fazendo disto acto de sua religiosidade. Esteve o cadáver exposto a esta barbaridade desde às nove horas da manhã até às três para quatro da tarde, em que foi levado para o Convento, que os Religiosos de São Francisco Recoletos tem na mesma Cidade de Mequinez, os quais o fizeram sepultar num sítio sagrado, que fica uma légua distante da Cidade, onde se costuma dar sepultura aos Religiosos e Cristãos. Sucedeu este caso neste dia [8 de Junho], ano de 1723.
06/06/2018
FUNDAÇÃO DO MOSTEIRO DE PENHA DE CARMELITAS DESCALÇAS EM BRAGA (7 de Junho)
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| Pormenor da fachada do Convento em Braga (Portugal). |
05/06/2018
NASCE ElRei D. JOÃO III (6 de Junho)
No mesmo dia [6 de Junho], ano de 1592 nasceu no Paço da Alcaçova de Lisboa, o Príncipe Dom João, que depois III do nome foi Rei de Portugal, filho delRei D. Manoel, e de sua segunda mulher a Rainha D. Maria. Ao tempo do seu nascimento se desatou uma terrível tormenta de chuvas, relâmpagos, trovões e raios, qual nunca haviam visto os antigos.
04/06/2018
O SANTO INFANTE D. FERNANDO (5 de Junho)
03/06/2018
S. DACIANO, Mártir (4 de Junho)
São Daciano, insigne poeta, Filósofo e Jurisconsulto: nasceu em Mérida, cabeça da Lusitânia naqueles tempos. Passou a viver a Roma, onde logrou singulares estimações: o famoso Marcial o louvou mais de uma vez nos seus Epigramas, e coloca entre os Varões mais insignes daquela idade. O Santo Sumo Pontífice Evaristo [5.º Papa] o converteu à Fé, e por ela sacrificou constantemente a vida, e conseguiu a Coroa de martírio neste dia [4 de Junho] ano de 120.
02/06/2018
Sto. OVÍDIO, B. C. (3 de Junho)
Santo Ovídio, natural de Roma, da primeira nobreza daquela Cidade, convertido à Fé pelos sagrados Apóstolos São Pedro e São Paulo. Foi mandado a Espanha, e entrando em Portugal, foi pouco depois eleito prelado de Braga, o terceiro, naquela dignidade. Resplandeceram nele todas as virtudes, como em pontual imitador de tão soberanas ideias. É advogado dos ouvidos, em que tem feito maravilhas singulares. Jaz seu corpo na Catedral de Braga, com esta inscrição: Ossa Beati Ovidii Episcopi Bracharensis.
VIRGEM BENDITA SEM PAR
VIRGEN BENDITA SIN PAR
por Pedro de Escobar (Porto, 1465 - Évora, 1535).
Virgen bendita sin par
de quien toda virtud mana
vos sois digna de loar.
Vos sagrada emperadora
deshicisteis el engaño
y remediasteis el daño
de la gente pecadora.
De los ángeles Señora
vos querais tal gracia dar
que no podamos pecar
contra aquel que carne humana
de vos le plugo tomar.
De vos canta Salomón
toda y en toda hermosura
entre las espinas rosa
saliste en perfección.
A vos el alto varón
se humille en devoción
que sois bendita sin par
de quien toda virtud mana
vos sois digna de loar.
01/06/2018
NAUFRÁGIO DA NAU S. GONÇALO (2 de Junho)
Rechaçada de uma furiosa tempestade, e reduzida ao último perigo de submergir-se, foi demandar a terra na altura do cabo da Boa Esperança a nau São Gonçalo, em que iam 230 pessoas, e de que Capitão Fernão Lobo de Meneses. Acertaram a surgir numa baía, a que chamaram Formosa, por ter de boca 3 léguas e de circunferência 5; lançaram ali ferro; neste dia [2 de Junho], ano de 1630 ainda que a nau se achava aberta por muitas partes, entraram em consideração, se toda via, a poderiam consertar; e sendo preciso esgotar-lhe muita água que trazia dentro em si, desceu a este fim um homem à arca da bomba, que necessitava alimpar-se, e não voltou: desceu segundo e terceiro, e vendo, que não voltavam, lançaram outro atado numa corda, o qual achando mortos os companheiros, fez sinal para que o alassem, e alado velozmente, apareceu em cima quase expirando: era a causa o fertum veementíssimo da pimenta molhada, que de repente lhe sufocava a respiração. Saíram em terra 100 pessoas, ficando na nau 130, perseverando na dúvida de a poderem reparar; mas esta foi a sua total ruína, porque, sobrevindo um horrendo furacão, a levou a umas penhas, onde se fez em pedaços, e quantos nela estavam. qual seria o palmo, e a dor dos que ficaram naquela praia, mais é para considerar-se que dizer-se. Dispostos, porém, a se valerem de todos os meios que podia servir ao seu remédio, trataram de recolher as coisas da nau, que o mar lhe arrojava; e com outras, que antecedentemente havia posto em salvo, e com as que lhe oferecia a terra, por extremo fértil naquele sítio, começaram a passar com alguma comodidade, e a fabricar duas pequenas embarcações, em que outra vez se entregassem ao arbítrio do mar: semearam sementes várias, para lhe lograrem os frutos, e os lograram em grande abundância: assim o peixe que colhiam com muita facilidade: também não lhes faltavam vacas e carneiros, que a troco de ferro, lhes davam os Cafres: falavam estes, não com vozes inteiras, senão com um certo modo de estalos; a sua maior fala é o excremento dos bois, de que se barram: observou-se entre outras particularidades, que na manhã de São João apareceram com coroas de várias ervas. É o país muito sadio, sem pedra alguma, levantado e estendido em montes e vales, e há neles densíssimos arvoredos e muita diversidade de plantas e frutas de excelente sabor e cheiro suavíssimo, há todo género de aves e brutos terrestres e marinhos que conhecemos e de outros não conhecidos. Prosseguiam os Portugueses (suprindo as indústrias a falta de muitos materiais) na fábrica das duas embarcações e finalmente as puseram no mar, divididos, porém, na intenção, porque uns queriam voltar à Índia, e outros prosseguir a jornada à Portugal: os primeiros conseguiram o intento: os segundos, sobre várias calamidades, vieram a perder-se na barra de Lisboa.
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