22/05/2018

DESCOBRE-SE NO BRASIL A PROVÍNCIA DO ESPÍRITO SANTO (23 de Maio)

Catedral Metropolitana de Vitória - E.S
Está situada na Nova Lusitânia a Província do Espírito Santo, em altura de 20 graus a Cidade do Sul da Cidade da Bahia, e se estende por duzentas  e quarenta léguas de Costa, entre as províncias de Bahia, e São Vicente.  A povoação capital, é de quinhentos vizinhos, e por se lhe dar princípio no ano de 1525 neste dia , em que então caiu na festa de Pentecostes, se chamou do Espírito Santo, e deu o nome a toda a Província . Também lhe chama a Vitória, por uma insigne, que alcançaram sessenta e oito portugueses de inumerável multidão de gentios. Está a cidade fundada em lugar eminente a um formoso Rio, com bom porto para navios ordinários, entre densos bosques, e altíssimos rochedos. Nestes, se entende, que tem escondido ricas minas de pedras preciosas; daqueles, se tira copioso bálsamo, medicinal, e frangantíssimo, sangrando os troncos de certas árvores em certos tempos.

[Nota no blogue: Dados do séc. XVIII.]

21/05/2018

SANTO ATO ou ATÃO (22 de Maio)

Santo Ato, que outros chamam Atão, foi Português (na mais provável opinião) natural de Beja: partiu deste Reino para Roma a visitar os lugares Sagrados daquela Cidade. Atraído da fama que corria por toda a parte, do rigor com que viviam os Monges da Congregação de Valle Umbrosa [Beneditinos, fundado por S. João Gualberto], os foi visitar, e entre eles recebeu o hábito no ano de 1125 onde aproveitou tanto no caminho da perfeição, que transferido para o Bispado de Parma, São Bernardo de Ubersio, Geral que era da mesma Ordem, foi eleito por seu sucessor o nosso Santo Português, oitavo na Série dos Gerais. No tempo do seu governo procedeu com admirável prudência, profunda humildade, e suavíssima mansidão. Edificou de novo muitos Mosteiros, e aperfeiçoou outros muitos. O Clero da cidade de Pistoria [Pistoia] o pediu a Inocêncio II para seu Bispo, e o Pontífice o obrigou por obediência a que aceitasse a Dignidade. Nela, nem mudou o hábito, nem os costumes da Religião: governou aquela Igreja vinte anos com insignes mostras de piedade; passou a logro da Coroa imortal neste dia [22 de Maio], ano de 1153. Na vida, e depois da morte resplandeceu em milagres.

20/05/2018

CHEGA A LISBOA O FAMOSO DIOGO BOTELHO (21 de Maio)

"Vila de Dio" (Índia).
No primeiro de Setembro de 1535 partiu da Índia (como no mesmo dia dizemos) o valoroso Português Diogo Botelho, e vencidos imensos trabalhos, por mares também por imensos, superadas horríveis tempestades, e sofridas com admirável constância as fúrias e injúrias dos Elementos [naturais], numa embarcação de dezoito pés de comprido e seis de largo, sobre nove meses de viagem, cortando desde o Oriente até o Oceaso, chegou finalmente neste dia [21 de Maio], ano de 1536 com poucos companheiros a Portugal; enchendo o mesmo  Reino de admiração e alvoroço. Este, pela nova que trazia, de terem já os Portugueses Fortaleza em Dio; aquela, pela não imaginada ousadia dos que trouxeram a mesma nova. Estava ElRei D. João III em Almeirim, e mandou que a fusta em que viera Diogo Botelho, fosse levada lá para ver com os olhos, o que não acabava de crer, porque se fazia todos geralmente incrível. Depois lhe mandou pôr o fogo, por sugestão néscia de alguns ministros, que instavam, em que era inconveniente saber o mundo, que um lenho tão leve podia domar de pólo a pólo a fúria, e braveza do Oceano, como se fosse igualmente fácil conhecer os perigos e entrar neles. Não conseguiu Diogo Botelho (posto que ao princípio foi bem recebido) os prémios de que era merecedor por aquela grande façanha; que, enfim, não tem competente satisfação os serviços mais assinalados.

GLORIOSO MARTÍRIO DE S. MANÇOS (II parte)

(ver aqui a I parte)

Altar de S. Manços, bispo e mártir.
Quis Validio com prorrogar a vida, fazer mais cruel o martírio do Santo, e da maneira que estava, pondo-lhe uns grilhões nos pés, o mandou servir numa pedreira, donde se arrancava pedra para as obras públicas da Cidade, e as noites passava no cárcere com os pés metidos no tronco, comendo tão pouca cousa, que dificilmente bastava para viver, quado o não sustentara a graça daquele por quem padecia tantos trabalhos. Viam-no Cristãos e Gentios, uns com lástima, outros com gosto: uns para edificação, outros para escárnio: e todos para admiração de tanta constância e sofrimento: e como no meio de seus trabalhos não deixasse de pregar quanto podia a lei de Jesus Cristo e de converter muitos a seu conhecimento, foi avisado o Presidente que se não pusesse remédio, se batizaria o povo todo, por onde foi chamado o Santo segunda vez a juízo. "Se conheces (lhe disse Valídio vendo-o ante si) que a dilação da morte nasce de minha clemência e a vida conservada entre tantos trabalhos, da benignidade dos deuses, agradecer-lhe-ás a eles o benefício de te darem tempo pra os conhecer e aplacares sua indignação: honra-os com sacrifícios como fazem os  Príncipes do Império, e eu o farei a ti com os cargos e dignidades que couberem em tua pessoa, e quando não ser-me-há força abrandar com ferro  a força de tua contumácia." Lhe tornou o Santo: "A experiência passada e a prontidão para outra semelhante, bastavam para te mostrar o pouco que podem comigo temores de teus tormentos, e o gosto com que me vês buscar a morte, o pouco caso que posso fazer das honras e pretensões da vida. Assim que minha lei é a de Cristo, meu nome é ser de Cristão, minha confissão sempre uma [única], e minha determinação morrer por ela: e se no particular dos deuses queres saber o que sinto, é serem na verdade mortos e insensíveis, e só vivos nas aparências, e não terem mais de divinos, do que nos troncos das árvores, e as pedras dos rochedos." Lhe respondeu Valídio: "perdidos são os bens em que busca descanso nos males, e pois tanto os estimas, fartar-te-e-mos à vontade.Dito isto, o mandou estender no cavalete, e atado mui cruelmente, o fez açoutar com varas, revezando-se os algozes depois de muito cansados, e não farto do muito sangue que lhe via correr de todas as partes do corpo, com novos instrumentos o espedaçaram, e lhe abriram a carne até os ossos, sofrendo o Santo: cansando os algozes; e desesperando Validio de ver sua crueldade vencida de tanta paciência: e como estivesse consigo cuidando algum novo modo de martírio com que satisfazer sua indignação, e lastimar o Santo, ele que sentiu chegar-se a hora de seu trânsito, pelo muito sangue que já tinha derramado, pediu a Deus o recebesse em seu Reino, e ouvindo uma voz do Céu que o chamava a receber a Coroa e palma de triunfo, deu aquela venturosa alma a seu Criador, que muitos dos presentes viram sair, e voar ao Céu em figura de pomba branca, deixando o corpo chagado nas mãos do tirano, que lastimado de ver que lhe faltava sujeito em que executar sua fúria, o mandou tanto que foi noite enterrar num monturo, com os grilhões e cadeias que tinha na ocasião do martírio. E como o tempo a que o levaram foi oculto, e a perseguição fez ausentar os Católicos, perdeu-se a memória do lugar em que o Santo corpo jazia (...)."
(Segunda Parte da Monarchia Lusytana em que se continuam as história de Portugal, etc.)

18/05/2018

VALOROSO SEBASTIÃO DE SOUTO (19 de Maio)

No mesmo dia [19 de Maio], ano de 1638 morreu na Bahia o valoroso Sebastião Souto, cujo nome era terror dos Holandeses, morreu de um mosquetasso pelos peitos, que recebeu no conflicto do dia (ou noite) antecedente. Era natural de Quintaens [Quintiães] termo da Vila de Barcelos; deixou geral sentimento a perda de um tal homem, em que até então contenderam sem ventagem o valor, e a fortuna. Era incansável nas operações bélicas, repetia prontíssimo as entradas contra os inimigos, sempre com sucessos felizes. Com poder limitado, e volante os trazia, sem cessar, inquietos, e temerosos. Foi excessivo o número dos que a mãos do seu valor, e indústria perderam, ou a vida, ou a liberdade.